Como este tema funciona na sua empresa
Constroi com plataforma de prateleira (Fidelimax, Allpoints, Mercafacil, Cliengo Loyalty, Loyalty Lion no varejo digital) e regras simples — geralmente um programa de pontos com taxa fixa de conversao (R$ 1 = 1 ponto) e catalogo enxuto. Investimento inicial entre R$ 5.000 e R$ 20.000 + mensalidade de R$ 300-2.000. Equipe propria opera com 1 pessoa em tempo parcial. O cuidado central e nao subdimensionar o custo unitario do ponto: cada ponto distribuido vira passivo financeiro e, se nao houver controle de taxa de resgate e prazo de expiracao, o programa pode comprometer margem.
Publico principal deste artigo. Plataforma proprietaria customizada ou semi-customizada com vendor de loyalty (Dotz, Alloyal, Pontomais Loyalty, Fidelizii) — investimento de R$ 80.000 a R$ 500.000 em implementacao + mensalidade R$ 5.000-30.000. Regras mais sofisticadas (multiplicadores por categoria, tiers, parcerias com 1-3 marcas complementares). Comite de programa com participacao de marketing, vendas, financeiro e juridico decide alteracoes de regra. Time dedicado de 2-4 pessoas em loyalty.
Programa multi-categoria, frequentemente em coalizao (programa proprio + parceiros + conversao para moedas globais como Smiles, LATAM Pass, Esfera). Plataforma proprietaria ou licenciada de fornecedor especialista (Comarch, SAP Customer Loyalty, Annex Cloud, Brierley, Oracle Crowdtwist) — investimento na casa dos milhoes em implementacao. Time de 10+ pessoas, comite formal de governanca, modelagem economica trimestral, integracao com CRM, BI, fiscal e contabilidade. Programa entra na demonstracao financeira como passivo (provisao de pontos a resgatar).
Construcao de programa de fidelidade
e o processo estruturado de desenhar e operacionalizar um sistema que recompensa comportamento desejado de cliente (compra recorrente, ticket maior, indicacao, dado), envolvendo decisoes interligadas de unit economics (custo do ponto, taxa esperada de resgate, valor percebido), regras de acumulo e resgate, niveis de beneficio (tiers), parceiros, plataforma tecnologica, governanca, comunicacao e mensuracao — com risco operacional, fiscal e juridico relevantes quando feito sem metodo.
Diagnostico de fit: programa serve para sua empresa?
Antes de qualquer decisao tecnica, vale a pergunta basica: programa de fidelidade faz sentido para o tipo de negocio em questao? Quatro variaveis predizem se vale o investimento:
Frequencia de compra. Programas de fidelidade funcionam bem em compra recorrente (varejo alimentar, farmacia, restaurante, beleza, posto de combustivel, e-commerce de moda) e mal em compra rara (imovel, automovel, mobiliario, eletrodomestico, casamento). Em compra rara, fidelidade se constroi por experiencia e relacionamento, nao por pontos.
Margem operacional. Custo unitario do ponto sai da margem. Em segmento de margem alta (cosmetico premium, moda, joias) ha folga para programa generoso. Em margem baixa (varejo alimentar, distribuicao), o programa precisa ser projetado com precisao cirurgica — alguns centesimos de erro no custo do ponto destroem a operacao.
Comportamento do cliente. O cliente atual ja tem comportamento que se quer reforcar (compra na minha marca quando precisa) ou comportamento que se quer mudar (alterna entre concorrentes)? Programa funciona como reforco; raramente cria fidelidade do zero quando o produto e a experiencia nao sustentam.
Capacidade tecnologica e analitica. Programa requer rastreabilidade do cliente (CPF, identificacao em ponto de venda), base de dados integrada e capacidade de analise para medir resgate e incrementalidade. Sem isso, vira gasto sem retorno mensuravel.
Se as quatro variaveis dao sinal verde, vale prosseguir. Se duas ou mais dao sinal vermelho, vale repensar — talvez o investimento valha mais em melhoria de produto, experiencia de atendimento ou conteudo de relacionamento.
Modelagem economica: o programa e projeto financeiro
O erro mais caro na construcao de programa de fidelidade e tratar como projeto de marketing antes de tratar como projeto financeiro. As variaveis basicas:
Custo unitario do ponto. Quanto vale 1 ponto em dinheiro real para a empresa? Se o cliente acumula 1 ponto a cada R$ 1 gasto, e 1.000 pontos viram desconto de R$ 50 no proximo carrinho, entao 1 ponto = R$ 0,05 = 5% de custo sobre cada compra que o cliente fizer no programa.
Taxa de resgate. Percentual dos pontos distribuidos que serao efetivamente resgatados. Programas tipicos tem taxa de resgate entre 30% e 70% — varia conforme atratividade do catalogo, facilidade de resgate, expiracao e comunicacao. Empresas iniciantes superestimam a taxa de resgate (acreditam que o cliente nao vai resgatar e o passivo nao se materializa) e quebram quando ela sobe.
Quebra (breakage). Pontos que expiram ou nao sao resgatados — sao "ganho" contabil da empresa. Em programas iniciais, quebra alta indica que o programa nao gera valor para o cliente (e estranho que o cliente nao queira o que voce esta oferecendo). Quebra muito baixa indica que o programa pode estar comprometendo a margem com resgates intensos.
Custo total esperado. Calculo basico: (pontos distribuidos x custo unitario do ponto x taxa de resgate). Soma operacionais e tecnologicos. Exemplo: empresa que faturas R$ 50 milhoes/ano com programa de 1% de pontos (R$ 1 gasto = R$ 0,01 em ponto) tem custo bruto de R$ 500.000/ano. Com 60% de taxa de resgate, custo liquido de pontos = R$ 300.000/ano + custos operacionais e tecnologicos (R$ 100.000-500.000 dependendo de porte).
Receita incremental. Programa tem retorno positivo se gerar receita incremental superior ao custo. Receita incremental e a parte da compra do cliente que existe apenas por causa do programa — o que ele teria deixado de comprar sem o programa. Medir incrementalidade exige grupo de controle (clientes inscritos x clientes do perfil similar nao inscritos) e e o calculo mais difilil e mais importante.
Sem essa modelagem feita antes de lancar, o programa vira aposta. Com a modelagem, vira decisao informada com cenarios de sensibilidade — se taxa de resgate sobe 10 pontos percentuais, custo sobe X; se incrementalidade fica abaixo de Y, programa nao paga.
Regras de acumulo
Cinco decisoes desenham as regras de acumulo:
Taxa base de pontos por real. Padrao do mercado brasileiro varia de R$ 1 = 0,5 ponto (programas de baixa margem) a R$ 1 = 2 pontos (programas premium). Definir a taxa em funcao do custo unitario do ponto desejado e da percepcao de valor.
Multiplicadores por categoria. Pontos extra em produtos especificos para empurrar mix ou liquidar estoque (R$ 1 = 3 pontos em categoria X). Cuidado: multiplicador agressivo pode distorcer o comportamento de compra de forma indesejada.
Eventos especiais. Pontos em datas (aniversario do cliente, aniversario do programa, datas comemorativas) ou em comportamentos (primeira compra do mes, indicacao bem-sucedida, preenchimento de pesquisa). Util para reativar dormentes ou incentivar dados.
Parcerias. Acumulo em parceiros (postos, restaurantes, cinemas, plataformas digitais). Util para aumentar a frequencia de interacao do cliente com a marca. Modelo de custo precisa ser dividido com o parceiro — quem paga pelo ponto distribuido em parceiro?
Expiracao. Prazo de validade dos pontos. Mercado brasileiro tipicamente trabalha com 12 a 36 meses. Expiracao curta aumenta resgate (forca o cliente a usar), mas gera frustracao quando o cliente perde pontos. Expiracao longa acumula passivo crescente. Atencao: o Codigo de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) e jurisprudencia consolidada exigem informacao clara de prazo, comunicacao antecipada de mudancas e razoabilidade de prazos — programas com prazos muito curtos podem ser questionados judicialmente.
Regras de resgate
Quatro decisoes desenham as regras de resgate:
Catalogo. O que o cliente pode obter com pontos? Tres modelos principais: catalogo de produtos (cliente troca pontos por itens do catalogo), desconto em proxima compra (pontos viram credito), conversao em moeda parceira (pontos para milhas, cashback). Catalogo de produtos exige operacao logistica; desconto em compra e mais simples; conversao em moeda parceira ampliou alcance mas reduz controle.
Taxa de conversao. Quantos pontos para cada R$ de beneficio? Definir essa taxa em paralelo com taxa de acumulo determina o custo unitario do ponto. Manter consistencia entre acumulo e resgate evita confusao.
Resgate parcial vs total. Cliente pode usar pontos em conjunto com dinheiro (resgate parcial) ou apenas se tiver saldo suficiente para resgate total? Resgate parcial flexibiliza, aumenta taxa de uso e incremental — recomendado para a maioria dos programas.
Frequencia maxima. Limita resgates por periodo? Util para evitar acumulo de risco fiscal e logistico em picos. Limite muito apertado frustra cliente engajado.
Tiers (niveis): estrutura, criterio e regras de queda
Tiers introduzem hierarquia no programa — clientes com mais consumo ou tempo de relacionamento sobem para niveis com beneficios diferenciados. Tiers tipicos: 3 niveis (basico, intermediario, premium) ou 4 (basico, prata, ouro, diamante).
Criterio de subida. Volume de compra (R$ acumulado em 12 meses), pontos acumulados em periodo (1.000 pontos no ano), ou metas comportamentais (compras em multiplas categorias). Volume e o mais comum porque alinha com valor para o negocio.
Beneficios por nivel. Pontos extras (multiplicador), atendimento prioritario, acesso antecipado a produtos ou promocoes, frete gratis ou diferenciado, eventos exclusivos. Diferenciacao precisa ser perceptivel — beneficios cosmeticos (apenas nome do nivel) nao motivam o cliente a subir.
Regras de queda. O que acontece quando o cliente para de gastar no nivel exigido? Sistemas tipicos: reavaliacao anual (cliente precisa atingir meta novamente para manter), tempo de carencia (mantem o nivel por X meses apos atingir, depois reavalia) ou tempo de protecao (cliente novo tem 12 meses para se acomodar antes da primeira reavaliacao). Queda mal comunicada gera frustracao alta — o cliente que cai de nivel frequentemente abandona o programa.
Governanca de alteracao. Mudar criterio ou beneficio de tier e alteracao de contrato — sob CDC, exige comunicacao clara com antecedencia razoavel. Recomendacao: comunicar mudancas com 60-90 dias de antecedencia, oferecer tempo de transicao para clientes proximos do criterio antigo, documentar a alteracao em politica do programa.
Programa simples sem tiers — pontos com regra unica de acumulo, catalogo enxuto de 20-50 itens e prazo de expiracao de 12-24 meses. Plataforma de prateleira (Fidelimax, Mercafacil, Allpoints) com mensalidade R$ 300-2.000 e integracao com sistema de PDV. Sem parceiros. Comite informal — fundador ou gerente decide alteracoes. Atualizacao trimestral do catalogo e revisao anual de regras.
Programa com 2-3 tiers, multiplicadores por categoria, parcerias com 1-3 marcas complementares. Plataforma proprietaria customizada ou semi-customizada (Dotz, Alloyal, plataformas brasileiras) com mensalidade R$ 5.000-30.000. Comite de programa com marketing, vendas, financeiro e juridico se reune a cada 2-3 meses para revisar regras, custo unitario, taxa de resgate e proposicoes de mudanca. Modelagem economica trimestral. 2-4 pessoas dedicadas em loyalty.
Programa multi-categoria, com 4+ tiers, coalizao com parceiros externos e conversao para moedas globais (Smiles, LATAM Pass, Esfera). Plataforma de fornecedor especialista (Comarch, SAP Customer Loyalty, Annex Cloud, Brierley, Oracle Crowdtwist) ou solucao proprietaria de grande porte. Comite formal de governanca com lideranca executiva. Provisao financeira de pontos como passivo na demonstracao financeira. Time de 10+ pessoas. Integracao completa com CRM, BI, fiscal, contabilidade, atendimento.
Plataforma: comprar, alugar ou construir
A decisao tecnologica define o ritmo, o custo e a flexibilidade da operacao. Tres caminhos:
Plataforma de prateleira (SaaS). Empresas brasileiras como Fidelimax, Mercafacil, Allpoints, Pontomais Loyalty oferecem programas configuraveis com integracao a sistemas de PDV mais comuns. Vantagens: setup rapido (semanas), custo baixo (mensalidade R$ 300-5.000), suporte incluido. Limitacoes: customizacao restrita, sem integracao avancada com CRM corporativo, evolucao depende do fornecedor.
Plataforma especializada (fornecedor de loyalty). Dotz, Alloyal, Fidelizii e fornecedores globais como Comarch, SAP Customer Loyalty, Annex Cloud, Brierley, Oracle Crowdtwist. Vantagens: customizacao alta, recursos avancados (modelagem, segmentacao, gamificacao, integracao com CDP), suporte tecnico estruturado. Custo: implementacao R$ 200.000-2.000.000 + mensalidade R$ 30.000-200.000. Indicado para programas com 1+ milhao de membros ou complexidade alta de regras.
Construcao propria. Empresa desenvolve plataforma internamente. Vantagens: controle total, integracao nativa com sistemas existentes. Risco: prazo (anos), custo (muitas vezes superior a contratar fornecedor), sustentacao tecnologica. So faz sentido quando ha equipe de engenharia robusta e o programa e diferencial competitivo central.
Regra pratica: a maioria das medias empresas evolui de plataforma de prateleira para plataforma especializada quando o programa ultrapassa 200-500 mil membros ou exige integracoes que prateleira nao suporta.
Governanca: comite, mudanca de regra e LGPD
Programa de fidelidade sem governanca formal se desorganiza rapido. Pratica recomendada:
Comite de programa. Composicao tipica: marketing (lider), vendas (CRM/relacionamento), financeiro (custo e fiscal), juridico (CDC e LGPD), tecnologia (plataforma). Reuniao bimestral ou trimestral para revisar metricas, propor mudancas e aprovar alteracoes.
Politica do programa. Documento publico com regras claras: taxa de acumulo, taxa de resgate, prazo de expiracao, regras de tier, exclusoes, direitos e deveres. Politica precisa estar acessivel no site, no app e em comunicacao com cliente.
Mudanca de regra. Sob CDC, alteracao de regra que prejudica o cliente exige comunicacao com antecedencia razoavel. Mercado adota 60-90 dias como padrao seguro. Comunicacao precisa ser clara, em mais de um canal, com explicacao do motivo da mudanca quando possivel. Decisoes da CONAR e tribunais ja anularam mudancas comunicadas com prazo insuficiente.
LGPD. Programa de fidelidade trata massa de dado pessoal — historico de compra, preferencia, dado financeiro, dado comportamental. Sob a Lei 13.709/18, exige base legal por tipo de tratamento (consentimento, execucao de contrato, interesse legitimo), politica de privacidade especifica do programa, mapeamento de retencao e procedimento de atendimento ao titular. Recomendacao: envolver juridico ou DPO desde o desenho.
Aspectos fiscais. Pontos sao passivo financeiro e podem ter tratamento contabil especifico. Em alguns segmentos, programa de fidelidade tem implicacoes tributarias (ICMS, IRPF do beneficiario em resgates de alto valor). Vale validar com contabilidade e fiscal desde o desenho.
Lancamento: fases, soft launch e mensuracao
Lancamento de programa de fidelidade nao deve ser big bang. Modelo em 3 fases reduz risco:
Fase 1 — Soft launch (1-3 meses). Lancamento restrito a subgrupo da base (uma regiao, um perfil, uma categoria de cliente). Testa regras, plataforma, comunicacao e operacao. Identifica problemas (taxa de resgate inesperada, falha de integracao, regra confusa) antes de escalar. Volume baixo permite ajustes rapidos.
Fase 2 — Expansao gradual (3-6 meses). Abertura para toda a base existente com convite ativo (email, app, ponto de venda). Comunicacao escalonada para evitar pico de adesao que sobrecarregue operacao. Monitoramento intenso de metricas.
Fase 3 — Operacao continua. Programa esta em regime. Cadencia de mudancas controlada — alteracoes pontuais quando necessario, revisao geral anual. Comunicacao recorrente para manter engajamento.
Metricas a acompanhar no lancamento e na operacao:
- Adesao: percentual da base que se inscreveu no programa.
- Engajamento: percentual de inscritos ativos (compraram nos ultimos 90 dias).
- Taxa de resgate: percentual dos pontos distribuidos que foram resgatados.
- Receita incremental: receita gerada por membros vs perfil similar nao membros (exige grupo de controle).
- Valor do cliente no tempo (LTV): comparacao entre LTV de membros e nao membros do programa.
- Custo unitario realizado: custo total do programa dividido por venda gerada.
Erros comuns na construcao
Regras complexas demais. Programa que exige tres paginas para explicar como funciona perde o cliente. Regras simples e explicaveis em uma frase ("R$ 1 = 1 ponto; 100 pontos = R$ 5 de desconto") tem adesao muito superior.
Quebra agressiva como modelo de negocio. Empresa desenha programa contando com 80%+ de quebra (pontos que expiram sem uso). Cliente percebe rapido que e dificil resgatar, abandona o programa e a propria marca. Quebra alta nao e estrategia — e sintoma de programa ruim.
Comunicacao ruim de mudanca de regra. Empresa altera taxa de conversao ou prazo de expiracao sem comunicacao adequada. Cliente descobre ao tentar resgatar. Frustracao gera reclamacoes publicas e potencial questionamento juridico.
Sem unit economics. Empresa lanca programa sem ter calculado custo unitario, taxa esperada de resgate, ponto de equilibrio. Em poucos meses, custo cresce sem retorno mensuravel e a operacao fica refem do programa.
Sem grupo de controle para medir incrementalidade. Programa cresce em adesao, mas ninguem sabe se a receita gerada existiria sem o programa. Sem grupo de controle (clientes similares fora do programa), nao ha como provar incrementalidade.
Confundir engajamento com fidelidade. Cliente acumula pontos e abre comunicacao do programa, mas continua comprando em concorrente. Engajamento alto com programa nao significa fidelidade ao negocio. Metrica de share of wallet (parcela do gasto da categoria que vai para sua marca) e mais reveladora.
Sinais de que sua empresa precisa estruturar a construcao do programa
Se tres ou mais cenarios abaixo descrevem sua operacao atual, e provavel que o programa esteja exposto a risco financeiro, juridico ou operacional.
- Nao existe modelagem economica formal do programa — custo unitario do ponto, taxa de resgate esperada e ponto de equilibrio nao estao calculados.
- As regras do programa ja mudaram duas ou mais vezes nos ultimos 12 meses sem governanca formal de aprovacao e comunicacao.
- A plataforma tecnologica em uso e engessada — alteracoes de regra simples demoram semanas para serem configuradas.
- Nao existe comite de programa com participacao de marketing, vendas, financeiro e juridico para decidir alteracoes.
- A taxa de resgate e desconhecida ou nao monitorada — passivo de pontos cresce sem visibilidade.
- O programa nao tem grupo de controle, e ninguem sabe quanto da receita gerada pelos membros e incremental.
- LGPD e CDC nao foram mapeados especificamente para o programa — politica de privacidade do programa nao existe ou esta defasada.
- Mudancas de regra anteriores geraram reclamacoes formais ou questionamentos publicos de clientes.
Caminhos para construir um programa de fidelidade
A decisao entre construir internamente, contratar agencia especializada ou trabalhar com fornecedor de plataforma depende do porte da empresa, da complexidade desejada e da existencia de equipe interna com expertise em loyalty.
Caminho raro porque exige combinacao de conhecimento financeiro, juridico e tecnologico que poucas empresas tem internamente. So faz sentido quando ha lider de loyalty senior, equipe de financeiro disponivel para modelagem e juridico para CDC e LGPD.
- Perfil necessario: lider de loyalty senior (5+ anos), analista financeiro com perfil quantitativo, suporte de juridico especializado em consumo
- Quando faz sentido: grande empresa com cultura analitica forte e portfolio existente de programas
- Investimento: R$ 500.000-2.000.000 em primeiro ano (time + plataforma + consultoria pontual)
Modelo padrao para a maioria das medias empresas. Agencia especializada em marketing de incentivos desenha o programa, contrata ou recomenda plataforma e estrutura governanca. Permanece como suporte recorrente apos lancamento.
- Perfil de fornecedor: agencia de marketing de incentivos, consultoria especializada em loyalty, fornecedor de plataforma com servico de implementacao
- Quando faz sentido: pequena ou media empresa lancando primeiro programa, ou grande empresa em redesenho profundo de programa existente
- Investimento tipico: R$ 80.000-500.000 em projeto de desenho e implementacao + mensalidade da plataforma + servico recorrente R$ 5.000-30.000/mes
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Perguntas frequentes
Quais sao os passos para criar um programa de fidelidade?
Sete passos em ordem: (1) diagnostico de fit (frequencia de compra, margem, comportamento, capacidade tecnologica); (2) modelagem economica (custo unitario do ponto, taxa de resgate esperada, ponto de equilibrio); (3) desenho de regras (acumulo, resgate, tiers); (4) escolha de plataforma (prateleira, especializada ou propria); (5) governanca (comite, politica, LGPD e CDC); (6) soft launch em subgrupo; (7) expansao gradual e mensuracao continua de adesao, engajamento, resgate e incrementalidade.
Como definir regras de acumulo e resgate?
Acumulo: taxa base de pontos por R$ gasto (mercado brasileiro tipico R$ 1 = 0,5 a 2 pontos), multiplicadores por categoria, eventos especiais, parcerias, prazo de expiracao (12-36 meses tipicos). Resgate: catalogo de produtos ou desconto em proxima compra, taxa de conversao consistente com acumulo, resgate parcial recomendado, frequencia maxima quando necessario. Definicao deve partir do custo unitario do ponto desejado e do valor percebido pelo cliente — taxa abusiva afasta o cliente, taxa generosa quebra o programa.
Quanto custa um programa de fidelidade?
Pequena empresa com plataforma de prateleira: implementacao R$ 5.000-20.000 + mensalidade R$ 300-2.000 + custo unitario dos pontos (varia com volume). Media empresa com plataforma proprietaria customizada: implementacao R$ 80.000-500.000 + mensalidade R$ 5.000-30.000. Grande empresa com plataforma especializada: implementacao R$ 200.000-2.000.000 + mensalidade R$ 30.000-200.000. Alem desses custos, o custo unitario dos pontos efetivos representa 1-5% do faturamento dos membros, dependendo da taxa de pontos e da taxa de resgate.
Quais ferramentas e plataformas existem?
Prateleira (pequena empresa): Fidelimax, Mercafacil, Allpoints, Pontomais Loyalty, Cliengo Loyalty, Loyalty Lion. Plataforma especializada (media e grande empresa): Dotz, Alloyal, Fidelizii, Comarch, SAP Customer Loyalty, Annex Cloud, Brierley, Oracle Crowdtwist, Antavo. Escolha depende de tamanho da base, complexidade de regras, integracao com sistemas existentes (CRM, PDV, ecommerce) e orcamento de implementacao e operacao.
Como definir tiers (niveis)?
Geralmente 3 a 4 tiers (basico, intermediario, premium, ou basico-prata-ouro-diamante). Criterio de subida mais comum: volume de compra acumulado em 12 meses. Beneficios por nivel devem ser perceptiveis: pontos extras (multiplicador), atendimento prioritario, acesso antecipado, frete diferenciado, eventos exclusivos. Regras de queda devem ter comunicacao clara — reavaliacao anual, periodo de carencia, protecao de cliente novo. Diferenciacao cosmetica (so o nome do nivel muda) nao motiva — beneficios reais sao necessarios.
Quais cuidados juridicos com programa de fidelidade?
Quatro cuidados centrais: (1) CDC (Lei 8.078/90) — regras claras e acessiveis, comunicacao previa de alteracoes (60-90 dias minimo recomendado), prazos razoaveis de expiracao; (2) LGPD (Lei 13.709/18) — base legal por tipo de tratamento, politica de privacidade especifica do programa, atendimento ao titular dos dados; (3) tributario — em alguns segmentos, ha implicacoes de ICMS e IRPF (resgates de alto valor); (4) contabil — passivo de pontos a resgatar precisa ser provisionado. Recomendacao: envolver juridico e contabilidade desde o desenho do programa.
Fontes e referencias
- Bond Brand Loyalty. Loyalty Report — pesquisa anual sobre comportamento de membros de programas de fidelidade.
- ABEMF — Associacao Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelizacao. Guias setoriais e dados do mercado brasileiro.
- Forrester. Loyalty Research — relatorios sobre tendencias e fornecedores de plataforma.
- McKinsey. Loyalty programs — analises de unit economics e tendencias de mercado.
- ANPD — Autoridade Nacional de Protecao de Dados. Orientacoes sobre LGPD aplicada a programas de fidelidade.