Preciso conferir o pagamento dos impostos
Resposta rápida
Quem responde por imposto pago errado é o dono, não o contador. Conferir antes de pagar é parte do papel — e não exige formação contábil, exige rotina. O calendário do mês depende do regime: no Simples Nacional, o principal é o DAS (vencimento no dia 20). Fora do Simples, somam-se DARF de IRPJ e CSLL, PIS, COFINS, ISS no município, ICMS no estado, INSS e FGTS sobre folha, e DCTFWeb pelo eSocial. A conferência mínima é olhar três coisas: a base de cálculo (o faturamento ou folha do mês bate com o seu sistema?), a alíquota aplicada (faz sentido para o seu regime e atividade?) e o valor final (está dentro do padrão dos meses anteriores ou pulou sem motivo?). Diferença sem explicação é red flag, e o momento de questionar é antes de o boleto ser pago — não depois.
Quem confere imposto aqui é você mesmo. O contador manda a guia pelo WhatsApp ou e-mail e você paga, muitas vezes sem entender exatamente o que está pagando. O risco é confiar cego: pagar DAS errado, deixar de recolher INSS de pró-labore, esquecer ISS de uma nota antiga. Antes de pagar qualquer guia, abra a apuração que o contador enviou e confira três coisas: o faturamento que ele usou bate com o que você emitiu no mês? O regime tributário aplicado está correto (Simples, MEI, Lucro Presumido)? Os tributos da folha (se tiver alguém contratado) estão na lista? Não precisa virar contador — precisa saber ler a guia. Quem responde pela empresa é o dono, não o contador.
Com um pequeno time já tem folha rodando, mais notas emitidas e o leque de tributos cresce: DAS, DARF, INSS, FGTS, ISS, GFIP, eSocial. Provavelmente já tem alguém no financeiro que recebe as guias do contador, organiza e paga. Sua função muda: você não confere guia a guia, mas estabelece um ritual mensal de revisão com o contador. Antes da apuração final, alinha o que muda no mês (contratação nova, nota grande, faturamento atípico, mudança de regime no horizonte). Depois da apuração, lê o resumo e compara com o mês anterior. Variação grande sem explicação é sinal de que algo foi lançado errado.
Aqui o calendário tributário é processo formal, com responsável dedicado no financeiro ou fiscal, sistema que controla vencimentos e o contador atuando mais como auditor do que como executor. O dono não vê guia — vê dashboard de carga tributária por linha de negócio, alíquota efetiva e exposição fiscal. O risco escalou: enquadramento errado no regime pode custar caro, e empresas dessa faixa começam a ser olhadas pela Receita com mais atenção. Sua atenção vai para planejamento tributário (estamos pagando mais do que deveríamos?), reaproveitamento de créditos quando aplicável, e ter o histórico fiscal organizado caso uma fiscalização chegue.
O que vence quando
O calendário tributário de PME muda conforme o regime e a atividade, mas alguns recolhimentos têm vencimento praticamente fixo. DAS do Simples vence todo dia 20 do mês seguinte ao da apuração. FGTS vence dia 20. INSS de folha (GPS ou DCTFWeb) vence dia 20. ISS varia por município. ICMS varia por estado. DARF de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para quem é Lucro Presumido ou Real tem datas próprias por trimestre ou mês.
O básico é ter um calendário próprio com todas as datas marcadas, o valor estimado de cada uma e o nome do imposto, mesmo que seja só uma planilha simples. O contador manda os documentos, mas a responsabilidade de pagar no prazo é da empresa.
- Confirme a base de cálculo. O valor sobre o qual o imposto incide é o seu faturamento do mês (no caso de DAS, PIS, COFINS, ISS) ou a sua folha do mês (no caso de INSS, FGTS). Esse número precisa bater com o que está no seu sistema. Se não bate, peça ao contador para mostrar a planilha de apuração.
- Confira a alíquota aplicada. No Simples, a alíquota efetiva varia conforme a faixa de faturamento dos últimos 12 meses. Se a empresa cresceu e mudou de faixa, a alíquota sobe e o DAS aumenta. Se o contador aplicou alíquota errada, o imposto vem errado também.
- Compare com o mês anterior. O valor pulou muito sem motivo claro? Caiu sem motivo claro? Diferença sem explicação merece pergunta. Pode ser apuração equivocada, mudança de regime, mudança de faixa, retenção que entrou ou saiu da conta.
- Veja se há retenções a aproveitar. Se você presta serviço para empresa ou prefeitura que retém imposto na fonte, esse valor abate o que você paga depois. Retenção mal aproveitada significa pagar duas vezes pelo mesmo imposto.
- Pague pelo canal certo. DAS pelo Simples Nacional, DARF pelo banco, INSS e FGTS pelo banco com a guia certa. Pagamento em código errado vira receita do governo, mas não baixa o seu débito — e gera o aviso de irregularidade meses depois.
O papel do dono no diálogo com o contador
O contador apura, mas a empresa entrega o dado. Se o lançamento do mês saiu errado, a apuração sai errada — e o erro pertence à empresa, não ao contador. O papel do dono é garantir que o que sai do escritório bate com o que aconteceu na operação: faturamento batendo com sistema, folha batendo com a relação real de funcionários, notas de entrada batendo com compras feitas.
Em paralelo, vale ter o hábito de perguntar: "esse valor aumentou por quê?", "estamos perto de mudar de faixa do Simples?", "tem retenção que ainda não foi compensada?". Pergunta de dono não é desconfiança do contador — é parte do trabalho de quem responde pela empresa.
Empresa que confere antes
- Calendário tributário próprio com vencimentos marcados
- Base de cálculo conferida antes do pagamento
- Retenções de cliente compensadas corretamente
- Certidões negativas em dia
- Diálogo regular com o contador, sem surpresa
Empresa que paga no piloto automático
- Recebe o boleto na véspera e paga sem olhar
- Descobre erro só meses depois, em fiscalização
- Retenções viram dinheiro esquecido
- Certidão vence e bloqueia contrato com cliente grande
- Quando há problema, ninguém sabe o que aconteceu
Pagar sem conferir a base. O DAS subiu 30% sem motivo claro? Pode ser mudança de faixa, pode ser apuração equivocada. Pagar antes de entender é renunciar à chance de corrigir antes do prejuízo virar definitivo.
Não controlar retenções recebidas. Cliente que retém ISS, INSS ou IR na fonte gera um crédito para você. Sem controle, esse crédito não é compensado e você paga imposto a mais. Em alguns regimes, o crédito até prescreve.
Pagar imposto em código errado. Cada tributo tem um código próprio. DARF de PIS é diferente de DARF de COFINS. INSS de empregado é diferente de INSS do contribuinte individual. Pagar em código errado equivale a não pagar, e a Receita só avisa meses depois.
Misturar conta pessoal com pagamento de imposto. Pagar imposto pela conta pessoal complica a contabilidade, esconde a despesa real da empresa e atrapalha a comprovação em fiscalização. Toda saída tributária precisa sair da conta da empresa.
Achar que parcelar é solução barata. Parcelamento de imposto (REFIS, programas de regularização) existe e ajuda em momento de crise, mas tem juros e custo de oportunidade. Usar como ferramenta de gestão recorrente é encarecer o imposto e perder margem.
- Base de cálculo bate com o faturamento ou a folha do mês
- Alíquota aplicada faz sentido para o regime e atividade
- Valor está dentro do padrão dos meses anteriores ou tem explicação
- Retenções de cliente já foram compensadas
- Código do tributo está correto na guia
- Pagamento sai da conta da empresa, não da pessoal
- Comprovante guardado e lançado no sistema
- Certidões negativas em dia para os contratos vigentes