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Custo médio mensal por unidade no Brasil

Atualizado em: 29 de maio de 2026
Neste artigo: Como este tema se aplica ao seu condomínio O que define o custo por unidade no condomínio As variáveis que mais afetam o custo por unidade Por que a fração ideal também importa Faixas de referência por porte Por que condomínios similares têm taxas diferentes O caso dos condomínios horizontais Como usar o comparativo para avaliar o seu orçamento Variações regionais no Brasil O impacto das convenções coletivas de trabalho Sinais de que o orçamento do seu condomínio pode estar desajustado Caminhos para entender se o seu orçamento está bem calibrado Quer entender se o orçamento do seu condomínio está bem calibrado? Perguntas frequentes Quanto custa em média um condomínio por apartamento no Brasil? Por que condomínios pequenos costumam ter taxa por unidade mais alta? A taxa do meu condomínio está acima ou abaixo da média? O que mais influencia o custo por unidade no condomínio? Existe diferença de taxa condominial entre regiões do Brasil? Taxa de condomínio subiu mais do que a inflação — é normal? Fontes e referências
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Como este tema se aplica ao seu condomínio

Condomínio pequeno · até 50 unidades

O custo por unidade tende a ser proporcionalmente mais alto porque os custos fixos — zelador, seguro, IPTU das áreas comuns, energia das partes comuns — são divididos entre poucos condôminos. Entender essa dinâmica é o primeiro passo para saber se o orçamento está ajustado ou se há gordura a cortar.

Condomínio médio · 51 a 150 unidades

Os custos fixos começam a se diluir, mas a incorporação de serviços extras — piscina, academia, salão de festas com limpeza dedicada — eleva o patamar. É o porte em que o síndico mais recebe a pergunta "por que o nosso condomínio é mais caro que o do vizinho?"

Condomínio grande · 151+ unidades

A diluição dos custos fixos é maior, mas o nível de serviços sobe junto: portaria CLT 24h, CFTV amplo, equipe de manutenção interna, administradora especializada. O custo por unidade pode ser menor que em condomínios pequenos, mas o valor absoluto da taxa costuma ser expressivo.

O custo médio mensal por unidade no Brasil é a taxa condominial — ordinária — que cada unidade paga mensalmente para custear as despesas comuns do condomínio. Não existe um valor "correto" único: o que existe são faixas de referência que variam com o número de unidades, o nível de serviços contratados, a região do país e as características físicas do empreendimento. Saber onde o seu condomínio se situa nessas faixas é a base para avaliar se o orçamento está bem dimensionado.

O que define o custo por unidade no condomínio

Antes de comparar qualquer número, é preciso entender os motores do custo. Condomínios com taxas muito diferentes no mesmo bairro, no mesmo padrão construtivo, frequentemente apresentam diferenças reais na estrutura de serviços — não necessariamente ineficiência ou desvio. Compreender o que compõe a conta é o que permite fazer a comparação com critério.

A maior fatia das despesas condominiais, em qualquer porte, é com mão de obra. Segundo dados do SíndicoNet com base em pesquisa da AABIC (Associação Administradora de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), os custos com salários e encargos de funcionários representam entre 55% e 64% das despesas totais de um condomínio.[1] Portaria, zeladoria, limpeza e manutenção interna são, juntos, a variável mais pesada — e também a que mais responde a decisões do síndico e da assembleia.

Em seguida vêm as contas de consumo — água, energia elétrica das áreas comuns, gás e telefonia — e depois manutenção e serviços de empresas terceirizadas (elevadores, dedetização, extintores, CFTV). A composição exata varia, mas o peso desigual da mão de obra é consistente em pesquisas de mercado do setor.

As variáveis que mais afetam o custo por unidade

Listadas em ordem de impacto observado no mercado condominial brasileiro:

  • Número de unidades: é o principal fator de diluição. Custos fixos como portaria noturna, zelador e seguro do condomínio existem independentemente de o edifício ter 20 ou 200 apartamentos. Quando divididos por mais unidades, o custo unitário cai. Em condomínios com poucos apartamentos, cada unidade arca com uma fatia maior desses fixos.[1]
  • Modelo de portaria: a portaria presencial com porteiros em regime CLT 24h é um dos maiores itens de despesa de pessoal. A escolha entre portaria presencial, portaria remota e modelo híbrido impacta diretamente o custo por unidade.
  • Infraestrutura de lazer e serviços: piscina aquecida, academia, salão de festas com copa, quadra esportiva — cada equipamento adiciona custos de manutenção, limpeza, energia e eventuais pessoal dedicado. Um condomínio sem lazer estruturado tem custo por unidade estruturalmente menor, independentemente do porte.
  • Região do Brasil: custos de mão de obra, tarifas de energia e água variam significativamente entre estados e municípios. Um condomínio em São Paulo ou Rio de Janeiro opera com estrutura de custos diferente de um equivalente em Goiânia ou Curitiba.
  • Regime de funcionários: equipe 100% CLT tem custo maior do que modelo terceirizado ou portaria remota, mas oferece diferentes graus de controle e resposta.
  • Inadimplência: quando um grupo de unidades não paga, as despesas comuns são cobertas pelos condôminos adimplentes — o que eleva o custo efetivo por unidade pagante.
  • Fundo de obras e reservas provisionadas: condomínios que constituem provisões mensais para obras futuras têm taxa mais alta no presente, mas evitam taxas extraordinárias volumosas no futuro.

Por que a fração ideal também importa

Dentro de um mesmo condomínio, o valor da taxa pode variar entre apartamentos — e isso não é irregularidade. Muitos condomínios adotam o rateio por fração ideal, o que significa que unidades maiores (com fração ideal maior no terreno e nas áreas comuns) pagam proporcionalmente mais do que unidades menores, mesmo que usem os mesmos serviços. Esse critério é legal e está previsto no Código Civil.[2] A convenção do condomínio pode definir rateio igualitário ou proporcional — o que vale é o que está na convenção aprovada em assembleia.

Faixas de referência por porte

O dado mais importante a declarar antes de apresentar qualquer número: não existe, até a publicação deste artigo, uma pesquisa nacional oficial e consolidada que cruze taxa condominial média com porte do condomínio por número de unidades. O que existe são levantamentos de mercado que medem a taxa média geral — por cidade ou região — e dados qualitativos sobre como o porte afeta o custo unitário. Os números abaixo são referências de mercado, não dados oficiais de órgão regulador.

O Índice Superlógica, levantamento baseado em cerca de 130 mil condomínios e mais de 6,3 milhões de unidades residenciais e comerciais no Brasil, registrou taxa condominial média nacional de R$ 828 em 2025, com alta de 6,8% no ano — crescimento acima da inflação oficial de 4,26% no mesmo período.[3] Esses valores representam a taxa total paga por unidade — não desagregada por porte.

Para leitura por cidade, levantamento publicado no SíndicoNet com dados da administradora Lello apontou, em janeiro de 2026, taxa média de R$ 948 no Rio de Janeiro (alta de 13% sobre janeiro de 2025) e R$ 928 em São Paulo.[4] Outras capitais registraram médias menores: Florianópolis (R$ 754), Belo Horizonte (R$ 752), Goiânia (R$ 617), Curitiba (R$ 587), Porto Alegre (R$ 509) e Brasília (R$ 466).

A diferença entre Rio e Brasília, por exemplo, não indica que os condomínios de Brasília são geridos com mais eficiência. Reflete diferença no padrão médio dos empreendimentos, nos custos locais de mão de obra, no custo de energia e nas convenções de mercado de cada praça.

Uma nota sobre a amplitude das faixas: levantamento da plataforma uCondo registrou taxa condominial média de R$ 634, com valores que vão de R$ 72 até mais de R$ 6.000 por unidade — amplitude que ilustra bem a heterogeneidade do mercado condominial brasileiro.

Condomínio pequeno · até 50 unidades

Em condomínios com até 50 unidades, a lógica do custo fixo diluído opera contra o condômino. Um zelador com salário mensal de R$ 2.500, dividido por 20 unidades, representa R$ 125 por unidade só nesse item. Dividido por 50 unidades, cai para R$ 50. Isso significa que, tudo o mais igual, cada unidade em um condomínio pequeno paga mais pelos mesmos serviços básicos. Na ausência de dado nacional consolidado por faixa de unidades, a referência de mercado observada aponta que condomínios pequenos com portaria presencial tendem a operar com taxa por unidade na faixa alta da média nacional para sua cidade — frequentemente acima da média geral da praça. Condomínios pequenos sem portaria presencial (portaria remota ou sem portaria) conseguem reduzir o custo por unidade de forma significativa, pois eliminam o maior item de despesa de pessoal.

Condomínio médio · 51 a 150 unidades

No porte médio, os custos fixos começam a se diluir de forma mais perceptível. Um zelador ou uma equipe mínima de portaria distribui seu custo por mais unidades. A taxa por unidade tende a se aproximar da média da cidade para condomínios com serviços padrão. O ponto de atenção é o pacote de lazer: academias, piscinas e salões de festas que justificam o condomínio médio para os moradores adicionam custos reais de manutenção e limpeza que elevam a taxa. Um condomínio médio com estrutura de lazer completa pode ter taxa por unidade maior do que um condomínio grande simples. O síndico que recebe a pergunta "por que nossa taxa é mais alta que a do condomínio ao lado?" quase sempre está comparando empreendimentos com pacotes de serviço diferentes — não necessariamente gestões mais ou menos eficientes.

Condomínio grande · 151+ unidades

Com 151 ou mais unidades, a diluição dos custos fixos é máxima. Um porteiro, um zelador, um contrato de manutenção de elevadores — tudo isso divide o custo por um denominador muito maior. No entanto, condomínios grandes geralmente contratam estruturas de serviço mais robustas: portaria CLT com vigilância, equipe de manutenção interna, administradora com SLA definido. O resultado é que o custo por unidade pode ser igual ou menor que em condomínios pequenos, mas o valor absoluto da taxa tende a ser maior em termos nominais do que o dos condomínios de menor porte do mesmo bairro — porque mais serviços são incluídos no pacote. Dados da Sabesp citados pelo SíndicoNet apontam que condomínios com maior número de unidades também pagam tarifa de água menor por metro cúbico, em função da tarifa social progressiva — mais um benefício da escala.[1]

Por que condomínios similares têm taxas diferentes

Esta é a pergunta que mais chega ao síndico. "Aquele edifício na mesma rua, mesmo padrão, tem a taxa 30% menor. O que você está fazendo de errado?"

Antes de responder a pressão, é útil ter um roteiro de análise. Condomínios com taxa aparentemente similar ou diferente raramente são comparáveis sem examinar seis fatores:

  1. Modelo de portaria: presencial 24h, híbrido (diurno presencial, noturno remoto) ou totalmente remoto — a diferença de custo entre extremos pode ser de 30% a 50% só nesse item, segundo dados de mercado do setor de portaria remota publicados no SíndicoNet.
  2. Infraestrutura de lazer e áreas comuns: um condomínio com piscina aquecida, academia equipada e salão de festas com cozinha industrial tem estrutura de custos diferente de um condomínio com apenas hall e estacionamento.
  3. Tamanho e composição da equipe de limpeza: faxina terceirizada diária, semanal ou com diarista pontual produz custos muito diferentes.
  4. Provisões e fundos: condomínios que constituem fundo de obras ou fundo de reserva robusto cobram mais no presente para gastar menos no futuro (ou para não chamar taxa extra).
  5. Inadimplência: se um dos condomínios tem inadimplência alta, os adimplentes pagam mais para cobrir o buraco — o que eleva a taxa efetiva sem que haja mais serviço.
  6. Número de unidades: mesmo no mesmo padrão, um edifício com 30 apartamentos e outro com 80 na mesma rua têm estrutura de custo diferente por unidade, pelos motivos já explicados.

O síndico que faz esse checklist antes de responder à pressão por comparação raramente vai descobrir que o condomínio está mal gerido. Geralmente vai descobrir que a comparação era inadequada desde o início.

O caso dos condomínios horizontais

Condomínios horizontais (casas em condomínio fechado) têm estrutura de custo substancialmente diferente dos verticais. Jardinagem extensiva de vias internas, iluminação de ruas e áreas verdes, manutenção de drenagem, rondas externas de segurança perimetral — são categorias de despesa que em condomínios verticais são irrelevantes ou inexistentes, mas que no horizontal podem representar fatia expressiva do orçamento. Comparar a taxa de um condomínio vertical com a de um horizontal, mesmo no mesmo bairro, é comparar empreendimentos com estrutura de custos fundamentalmente diferente.

Como usar o comparativo para avaliar o seu orçamento

A referência de custo médio existe para um propósito específico: ajudar o síndico a identificar se o orçamento está claramente desajustado — muito acima ou muito abaixo do que seria razoável para o porte e perfil do condomínio. Não existe uma taxa "correta".

Um método prático para o síndico fazer essa avaliação sem precisar contratar consultoria:

  1. Pegue a taxa mensal por unidade do seu condomínio. Se o condomínio tem rateio por fração ideal, calcule a taxa média dividindo o total de despesas pelo número de unidades.
  2. Compare com a média da sua cidade, usando os dados de mercado disponíveis (levantamentos da Lello, Superlógica, ou pesquisas do Secovi local). Essa é a âncora regional.
  3. Aplique os fatores de ajuste: se seu condomínio tem portaria presencial 24h, é esperado que a taxa seja mais alta que a média. Se tem piscina aquecida, idem. Se é pequeno (menos de 50 unidades), também.
  4. Se a taxa ainda parecer elevada após os ajustes, o próximo passo é decompor o orçamento por categoria: pessoal, consumo, manutenção, administração, seguros. A categoria que está desproporcional apontará onde investigar.
  5. Compare fornecedores, não taxas. Taxas são resultado. O que o síndico controla são os contratos de fornecimento e os modelos de serviço.
Condomínio pequeno · até 50 unidades

Para condomínios pequenos, o principal vetor de redução de custo por unidade disponível é o modelo de portaria. A transição de portaria presencial para portaria remota ou híbrida é, na maioria dos casos, o único movimento que muda estruturalmente o custo por unidade — porque o custo de pessoal de portaria representa a maior parte dos fixos. Antes de cortar manutenção preventiva ou seguros (que têm custo de longo prazo mais alto), o síndico de condomínio pequeno deveria avaliar essa opção em assembleia com dados concretos de custo comparado.

Condomínio médio · 51 a 150 unidades

Em condomínios médios, a análise de custo-benefício dos serviços de lazer é o principal exercício. Quanto custa manter a piscina por ano (energia, produtos químicos, manutenção, limpeza)? Qual a taxa de uso pelos moradores? Há cases em que a piscina é usada por uma minoria e seu custo é dividido por todos — o que gera tensão na assembleia. Esse debate não tem resposta única, mas ter os números reais na mesa torna a conversa mais produtiva do que a discussão sobre se a taxa é "cara" ou "barata" em abstrato.

Condomínio grande · 151+ unidades

Em condomínios grandes, a avaliação de custo mais eficiente passa por benchmarking de contratos — comparar os valores dos contratos de elevadores, CFTV, limpeza e administradora com o que o mercado pratica para empreendimentos do mesmo porte. A escala do condomínio grande dá poder de negociação que condomínios menores não têm. Se os contratos não refletem esse poder de barganha, há oportunidade de melhoria. O custo de administração (taxa da administradora) também merece análise periódica: o percentual contratado faz sentido para o volume de unidades e a complexidade do empreendimento?

Variações regionais no Brasil

O Brasil condominial não é homogêneo. As variações de custo entre regiões são reais e refletem diferenças em custos locais de mão de obra, tarifas de concessionárias, convenções coletivas do setor e padrão dos empreendimentos de cada praça.

Levantamento publicado no SíndicoNet com dados da administradora Lello sobre janeiro de 2026 registrou as seguintes médias por cidade:[4]

Cidade Taxa média (jan/2026)
Rio de Janeiro R$ 948
São Paulo R$ 928
Florianópolis R$ 754
Belo Horizonte R$ 752
Goiânia R$ 617
Curitiba R$ 587
Porto Alegre R$ 509
Brasília R$ 466

Nota de metodologia: esses dados são de levantamento da Lello, com base em carteira de clientes dessa administradora — não em censo nacional. Representam uma referência de mercado para as cidades cobertas, não necessariamente a média de todos os condomínios de cada cidade. O Índice Superlógica, com base mais ampla (130 mil condomínios), registrou média nacional de R$ 828 em 2025 — dado a ser revalidado quando nova edição do índice for publicada.[3]

Um padrão que aparece em vários levantamentos e merece atenção: regiões Norte e Nordeste apresentam médias às vezes acima do Sudeste em dados agregados nacionais, o que parece contraintuitivo. A explicação mais provável está no perfil dos condomínios da amostra — empreendimentos de padrão médio e alto são mais representados nas bases de dados das administradoras, que tendem a concentrar clientes em segmentos específicos do mercado.

O impacto das convenções coletivas de trabalho

Um fator regional importante que muitos síndicos subestimam: as Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) dos trabalhadores em edifícios variam por estado e município. Reajustes salariais negociados nos sindicatos locais impactam diretamente o custo de pessoal — que, como vimos, representa a maior fatia das despesas. Em São Paulo, por exemplo, a CCT 2025–2026 do Sindificios trouxe reajustes que pressionaram os orçamentos condominiais da capital, conforme reportado pelo SíndicoNet.[5] Síndicos que não acompanham o calendário das CCTs de sua cidade frequentemente são surpreendidos por necessidade de taxa extra ao longo do ano.

Sinais de que o orçamento do seu condomínio pode estar desajustado

Se três ou mais situações abaixo se aplicam ao seu condomínio, vale uma revisão mais aprofundada do orçamento:

  • A taxa atual está mais de 30% acima da média da sua cidade sem justificativa clara em serviços adicionais
  • O condomínio nunca revisou os contratos de portaria, limpeza ou manutenção nos últimos dois anos
  • O fundo de reserva está zerado ou nunca foi constituído — a taxa "barata" de hoje pode esconder ausência de provisão
  • A inadimplência está acima de 10% das unidades — os adimplentes estão subsidiando os inadimplentes
  • Ninguém sabe, com clareza, qual percentual do orçamento vai para pessoal versus manutenção versus consumo
  • Comparações com outros condomínios são feitas sem verificar o pacote de serviços incluído em cada um
  • Taxas extraordinárias são chamadas com frequência — sinal de que o orçamento ordinário não está provisionando adequadamente

Caminhos para entender se o seu orçamento está bem calibrado

Dois caminhos complementares para avançar na análise do custo por unidade do seu condomínio.

Análise com os recursos do próprio condomínio

Com os dados da administradora e o orçamento aprovado em assembleia, o síndico pode fazer uma análise inicial por conta própria.

  • Ponto de partida: pedir à administradora o orçamento detalhado por categoria (pessoal, consumo, manutenção, administração, seguros) e calcular o percentual de cada uma
  • Referência: a pesquisa da AABIC aponta que pessoal deve representar entre 55% e 64% do total — se estiver muito acima, investigar composição da equipe e modelo de portaria
  • Faz sentido quando: o orçamento é razoavelmente transparente e a administradora é acessível para explicar os números
  • Limitação: o síndico morador geralmente não tem referência de mercado para saber se os contratos individuais estão nos valores praticados — é difícil saber se a taxa da administradora está alta sem comparar propostas
Com apoio de consultoria ou nova cotação

Contratar uma consultoria de gestão condominial ou abrir concorrência de contratos chave permite comparação direta com o mercado.

  • Tipo de apoio: Consultoria de Gestão Condominial ou Administradora com processo de cotação estruturado (categorias disponíveis no oHub)
  • Vantagem: visão externa e isenta, acesso a base de preços de mercado, experiência com contratos similares em condomínios do mesmo porte
  • Faz sentido quando: a taxa está visivelmente acima da média regional, a renovação de contratos relevantes (portaria, limpeza, administradora) está próxima, ou há suspeita de que os contratos estão sobrevalorizados
  • Resultado típico: mapa de contratos com benchmarking de preço e recomendação de onde renegociar ou substituir fornecedores

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Perguntas frequentes

Quanto custa em média um condomínio por apartamento no Brasil?

Segundo o Índice Superlógica, que monitora cerca de 130 mil condomínios brasileiros, a taxa condominial média nacional ficou em R$ 828 em 2025. Esse é o valor médio por unidade — mas a amplitude é enorme: levantamentos de mercado registram valores que vão de cerca de R$ 72 até mais de R$ 6.000 por unidade, dependendo do porte, localização e nível de serviços do condomínio. A média nacional é um ponto de referência, não um alvo — o custo adequado depende do perfil específico de cada empreendimento.

Por que condomínios pequenos costumam ter taxa por unidade mais alta?

Porque os custos fixos — portaria, zelador, seguro, IPTU das áreas comuns, manutenção básica — existem independentemente de o condomínio ter 15 ou 150 apartamentos. Quando poucos condôminos dividem esses custos, cada um arca com uma parcela proporcionalmente maior. É o princípio da diluição: quanto mais unidades dividem os mesmos custos fixos, menor o custo por unidade. Essa lógica está documentada em análises do SíndicoNet com base em pesquisas da AABIC e em dados da Sabesp sobre tarifas de água.

A taxa do meu condomínio está acima ou abaixo da média?

Para responder a essa pergunta com critério, você precisa comparar com condomínios de porte similar (número de unidades próximo), na mesma cidade, com pacote de serviços equivalente (mesmo modelo de portaria, mesma estrutura de lazer). Comparar apenas o valor nominal com a média geral da cidade pode induzir a erro: um condomínio com portaria CLT 24h e academia vai ter taxa estruturalmente maior do que um sem esses serviços, e isso não é sinal de ineficiência.

O que mais influencia o custo por unidade no condomínio?

O fator mais impactante é o modelo de portaria — presencial CLT 24h é o item de maior peso nos custos de pessoal, que por sua vez representam entre 55% e 64% das despesas totais, segundo a AABIC. Em seguida vêm o número de unidades (diluição dos fixos), a infraestrutura de lazer (piscina, academia, salão), a região do Brasil e o nível de inadimplência. O síndico que quer reduzir o custo por unidade sem cortar serviços essenciais geralmente encontra mais espaço ao revisar o modelo de portaria e renegociar contratos de manutenção do que ao cortar pessoal de limpeza ou provisões para o fundo de reserva.

Existe diferença de taxa condominial entre regiões do Brasil?

Sim, e a diferença é significativa. Levantamento com dados da administradora Lello, publicado no SíndicoNet em 2026, aponta taxa média de R$ 948 no Rio de Janeiro e R$ 928 em São Paulo, enquanto Curitiba registra R$ 587 e Brasília R$ 466. Essas diferenças refletem principalmente os custos locais de mão de obra, convenções coletivas de trabalho diferentes por estado e município, e o perfil dos empreendimentos em cada praça — não necessariamente diferenças de eficiência de gestão.

Taxa de condomínio subiu mais do que a inflação — é normal?

Nos últimos anos, sim. O Índice Superlógica registrou alta de 6,8% na taxa condominial em 2025, contra IPCA de 4,26% no mesmo período — crescimento 59,6% acima da inflação oficial. A pressão vem principalmente dos custos de mão de obra (reajustes das CCTs) e das tarifas de concessionárias (energia e água), que historicamente sobem acima do IPCA. O síndico que apresenta esse contexto para os moradores facilita a compreensão do reajuste necessário sem precisar defender pessoalmente o que é uma tendência de mercado.

Fontes e referências

  1. SíndicoNet. Custo condominial: como é calculado, fatores que influenciam. SíndicoNet — com dados da pesquisa AABIC (Associação Administradora de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo). Disponível em: sindiconet.com.br
  2. Brasil. Código Civil — Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 1.336. Planalto.gov.br.
  3. Superlógica. Índice Superlógica de taxa condominial — 2025. Base: aproximadamente 130 mil condomínios e 6,3 milhões de unidades residenciais e comerciais no Brasil. Dados citados via Condomínio Interativo e Diário do Comércio, 2025–2026.
  4. SíndicoNet. Taxa média de condomínio atinge R$ 948 e lidera ranking — dados da administradora Lello, referência janeiro de 2026. Disponível em: sindiconet.com.br
  5. SíndicoNet. CCT 2025–2026: reajustes e impactos para condomínios — Convenção Coletiva do Sindificios São Paulo. Disponível em: sindiconet.com.br