Para qual porte de empresa?
Quase tudo é corretivo (quebrou, arruma). Taxa: 10-20% preventiva, 80-90% corretivo. Foco é apagar fogo; recursos insuficientes.
Mix equilibrado. Taxa: 40-60% preventiva, 40-60% corretivo. Começa haver planejamento; investimento em preventiva rende dividendos.
Forte investimento em preventiva. Taxa: 70-80% preventiva, 20-30% corretivo. Operação proativa; corretivo é "falha da preventiva".
Taxa de manutenção preventiva sobre corretiva
é a proporção de horas/ordens dedica das a manutenção planejada (preventiva) versus não-planejada (corretiva), indicando maturidade operacional e eficiência de Facilities.
Definições e Fórmula
Dois tipos de manutenção:
Preventiva:
Planejada, periódica, executada ANTES de falha. Exemplos: revisão de AC a cada 6 meses, limpeza de filtros a cada mês, teste de elevador a cada trimestre, troca de óleo de gerador a cada ano.
Corretiva:
Não-planejada, reativa, executada DEPOIS de falha. Exemplos: AC parou, técnico vai consertar em 24-48h. Elevador travou, emergência.
Fórmula: Taxa Preventiva (%) = (Ordens/Horas de Preventiva) / (Total de Ordens/Horas) x 100
Exemplo: em um mês você tem 100 ordens de trabalho. 30 são preventivas (revisão programada), 70 são corretivas (quebra/falha). Taxa = 30%. Interpretação: 70% da energia está em apagar fogo; 30% está em prevenção.
Métrica alternativa (mais significativa): horas técnicas. Se seu técnico trabalhou 160 horas/mês, 40 em preventiva e 120 em corretivo, taxa = 25%. Isso mostra tempo real dedicado.
PME:
Se não tem CMMS, conte ordens de trabalho: quantas você agendou (preventiva) vs quantas você respondeu a emergência (corretiva). Divisão simples.
Por Que Preventiva Importa: Impacto Financeiro
A diferença entre preventiva e corretiva é gritante em custo e impacto:
Preventiva:
Custo baixo, planejado, sem urgência. Exemplo: revisão de óleo de gerador, 1 hora, R$ 500 (técnico + óleo). Agendado para terça 14h. Gerador fica uma hora offline; você agenda para hora de baixo consumo de energia.
Corretiva:
Custo alto, emergencial, impacto em operação. Mesmo gerador, motor travado por falta de óleo. Técnico vem em 2 horas (urgência), R$ 2.000 (hora extra 2x, deslocamento). Empresa fica sem backup de energia; se houver queda de energia na noite, prejuízo pode ser R$ 50-100 mil (parada de servidor, perda de dados).
Conclusão: investir R$ 500/ano em preventiva evita R$ 50.000+ em corretivo e risco. ROI é 100:1.
Segundo ABNT e ISO 41001, ROI claro de preventiva:
- Preventiva custa 10-20% a mais por reparo (mais tempo diagnóstico).
- Corretiva custa 10x mais em média (urgência, horas extras, retrabalho).
- Uptime melhora 30-40% (equipamento não falha = operação estável).
Se você gasta R$ 100 mil/ano em manutenção (100% corretivo), shifting para 70% preventiva + 30% corretivo pode resultar em: custo total cai para R$ 70-80 mil/ano (economia), mas mais importante: uptime sobe de 85% para 95%+ (equipamento confiável).
Média-grande:
Cada ponto percentual aumentado em preventiva (de 40% para 50%) típico amente economiza R$ 50-100 mil/ano em corretivo evitado + redução de downtime.
Metas de Preventiva por Tipo de Equipamento
Não todos equipamentos têm mesma meta. Equipamentos críticos devem ter preventiva alta:
Elevadores:
85%+ preventiva. Segurança é crítica. Inspeção mensal, lubrificação, testes de segurança. Corretivo é exceção (cabo danificado inesperado).
Ar-condicionado:
75-80% preventiva. Limpeza de filtros mensal, revisão de gás, inspeção de compressor semestral. Corretivo: se falha (gás vazou, compressor desgastou).
Geradores:
80%+ preventiva. Testes mensais (arranque, carga), troca de óleo anual, inspeção de bateria. Crítico: gerador precisa funcionar em emergência; falha em teste de preventiva = vida salva.
Bombas de água:
75% preventiva. Revisão, testes de pressão, verificação de correia.
Iluminação:
60% preventiva. Troca planejada de lâmpadas em calendário (lâmpada LED dura 50.000 horas = ~5-7 anos). Corretivo é lâmpada que queimou fora do ciclo.
Estrutura/Alvenaria:
50% preventiva. Inspeção anual, selagem de rachaduras, limpeza de calhas. Corretivo: vazamento, infiltração detectada.
Geral/Meta aspiracional:** 70% preventiva em toda operação. Alguns equipamentos chegarão 80%+, outros 50-60%; média é 70%.
Nota: se sua preventiva é 20% e meta é 70%, não dá para chegar em 1 mês. Roadmap realista é 12-18 meses (estruturar cronograma, contratar recursos, treinar técnico).
Grande:
Preventiva por equipamento pode ser granular (elevador A: 88%, elevador B: 82%). Média empresa-wide é 72%. Dashboard em tempo real mostra evolução.
Como Medir Preventiva vs Corretiva com Rigor
CMMS é ideal: cada ordem tem "tipo": Preventiva (código P) ou Corretiva (código C). Relatório agrega automaticamente. Sem CMMS, planilha funciona: coluna "tipo" com P/C, revisar semanal.
Importante: classificação correta. "Revisão de AC" é preventiva. "Inspeção de AC" é preventiva. "Reparo de AC" pode ser corretivo (se é reação a falha) ou preventiva (se é baseado em inspeção que detectou desgaste). Critério: ordem foi planejada e agendada? Se sim, é preventiva. Foi acionada por emergência/falha? Corretiva.
Métrica de qualidade: não só contar ordem, mas horas técnicas. Exemplificar: 100 ordens divididas entre 2 técnicos = 50 ordens cada. Mas técnico A fez 40 ordens preventivas curtas (30 min cada = 20 horas) + 10 corretivas longas (4 horas cada = 40 horas) = total 60 horas. Técnico B fez 20 ordens preventivas (20 horas) + 30 corretivas (60 horas) = total 80 horas. Taxa A = 33% preventiva, Taxa B = 25%. Técnico A é mais eficiente (preventiva custa menos tempo).
Revisão mensal: agregar dados, comunicar % ao time ("preventiva é 35%, meta é 50%"). Mensagem clara: se continuamos nesse ritmo, chegaremos 50% em julho (daqui 3 meses), com plano X (contratar mais técnico part-time, agendar preventiva aos sábados).
Ligação com MTBF (Mean Time Between Failures) e Uptime
Preventiva alta ? MTBF sobe (equipamento falha menos) ? Uptime sobe (operação é estável). Relação direta:
Exemplo: AC com preventiva 20% tem MTBF de 8 meses (falha a cada 8 meses em média). Uptime: 95% (falha 1 dia por mês em média). Frustração: sim.
AC com preventiva 75% tem MTBF de 36+ meses (falha raramente). Uptime: 99%+. Confiabilidade: alta.
Mensagem para C-suite: "Se quer uptime 99% em operação crítica (servidor, comunicação), precisa de preventiva mínimo 75%. Com preventiva 30%, uptime vai bater 92-94%; riscos são frequentes."
Trade-off: preventiva alta custa mais mês-a-mês (mais ordens planejadas). Mas corretivo cai drasticamente, impacto em operação desaparece, custo total cai e confiabilidade sobe. É investimento inicial que rende dividendos ao longo do tempo.
Barreiras para Aumentar Preventiva (e Como Superar)
Barreira 1: Falta de Recurso
("Não temos tempo/gente para preventiva programada").
Solução: outsourcing (contratar especialista em preventiva part-time), terceirização (fornecedor faz toda preventiva de AC, gerador), automação (sensor detecta desgaste, alerta FM, você agendar). Custo é menor que corretivo depois.
Barreira 2: Falta de Planejamento
("Não sabemos qual é cronograma de preventiva").
Solução: começar simples (calendário Excel com datas). AC: enero, julho (preventiva semestral). Gerador: janeiro (anual). Elevador: todo mês. Calendário é ferramenta poderosa; publique no quadro, todo mundo sabe quando é preventiva.
Barreira 3: Falta de Acesso
("Preventiva de AC precisa desligar sistema, impacta operação").
Solução: agendar fora do horário crítico. Sábado à noite, madrugada, fim de semana. Mensagem: "Preventiva de AC é 2 horas sábado 20h; operação não é impactada." Colaborador entende; não há queixa.
Barreira 4: Falta de Cultura
("Técnico prefere corretivo porque ganha hora extra"; "diretoria não entende por quê preventiva é caro").
Solução: alinhamento de incentivo. Técnico: "Hora extra é emergência; preventiva agendada é expediente normal com bonus de qualidade." Diretoria: "Preventiva custa R$ 50k/ano; corretivo que evitamos custa R$ 200k/ano. ROI 4x em ano 1." Dados convencem.
PME:
Primeira preventiva é sempre difícil (requer dedicação de recurso, impacto curto prazo). Mas segundo mês é mais fácil (você vê equipamento estável, equipe aceita rotina).
Roadmap para Aumentar Preventiva (de 20% para 70%)
Fase 1 (Meses 1-3): Diagnóstico & Design
Mapear equipamentos críticos (elevadores, AC, geradores). Pesquisar cronograma de preventiva recomendado (manual do fabricante, norma ABNT). Definir cronograma para cada equipamento. Exemplo: "AC: filtro mensal, revisão semestral." Comunicar ao time. Resultado: plano escrito de preventiva.
Fase 2 (Meses 4-6): Implementação Piloto
Começar preventiva dos equipamentos críticos (elevador, gerador, AC principal). Executar conforme cronograma. Agregar resultado: "fizemos 12 preventivas em 3 meses, 8 corretivas. Taxa: 60% preventiva nos críticos." Momentum: se deu certo em críticos, vira rotina.
Fase 3 (Meses 7-12): Consolidação & Expansão
Expandir preventiva para todos equipamentos (não só críticos). Consolidar cronograma empresa-wide. Revisar MTBF: esperado que caia (equipamento mais estável). Ajustar cronograma baseado em resultado (se MTBF subiu, reduz frequência de preventiva; se ainda baixo, aumenta).
Fase 4 (Ano 2+): Otimização
Data-driven: análise de padrão (qual equipamento ainda falha frequentemente? Aumentar preventiva). Onde preventiva está gerando custo sem retorno? Reduzir. Investimento em preditivo (sensores, BI) para melhorar acurácia de quando fazer preventiva.
Meta ao final de 12 meses: preventiva de 20% para 50-60%. Meta ao final de 24 meses: 70%+.
Grande:
Implementação é mais complexa (múltiplos técnicos, múltiplos prédios, integração com CMMS/ERP). Timeline é 18-24 meses; pode usar consultoria.
Investimento Necessário para Aumentar Preventiva
RH:
Mais horas técnicas. Se você tem 1 técnico 160h/mês em corretivo 100%, mudar para 70% preventiva requer +20h/mês (novas ordens preventivas). Solução: contratar 0,5 FTE adicional (40h/mês) ou terceirizar (fornecedor faz preventiva).
Tecnologia:
CMMS para agendamento automático. Custo: R$ 400-1.000/mês. Economiza tempo em planejamento.
Material:
Peças de reposição em estoque. Se preventiva é "troca de correia de gerador anual", você precisa ter correia em estoque (não esperar fornecedor trazer). Investimento inicial: R$ 20-50k em estoque de peças comuns.
Comunicação:** Justificar para diretoria por quê "gasto com preventiva" aumenta antes de "economia com corretivo" cair. Mensagem: "Meses 1-6 você verá custo subir (mais preventiva); espere mês 7+ para ver custo descer (menos corretivo). Payback é ano 1."
Total investimento para aumentar preventiva: R$ 100-200k em RH (contratação), R$ 50k em tecnologia (CMMS), R$ 50k em estoque. Total: R$ 200-300k. Economia esperada: R$ 200-400k/ano em corretivo evitado. Payback: 6-12 meses.
Conversas com Fornecedor sobre Preventiva
Se contrato é "corretivo sob demanda", está errado. Contrato bem feito inclui preventiva periódica + corretivo sob demanda.
Exemplo: "Contrato de manutenção de AC: Preventiva mensal (limpeza de filtro, inspeção) incluída no preço R$ 2k/mês. Corretivo sob demanda (reparo de falha não prevista) cobrado à parte (R$ X por hora técnica). SLA: preventiva executada primeiro fim de semana de cada mês; corretivo em até 24h para chamado normal."
Métrica de controle: "Fornecedor deve fornecer 70% preventiva e 30% corretivo, conforme contrato." Se fornecedor faz 50% preventiva, 50% corretivo, ele está fora de contrato (pode estar priorizando chamado urgente de outro cliente em sua preventiva com você).
Revisão mensal de SLA: você comunica ao fornecedor "você fez 80% preventiva em maio; muito bem, acima meta de 70%." Ou "você fez 40% preventiva em junho; abaixo meta. Por quê? Precisa melhorar."
PME:
Conversa simples com prestador: "Você vem revisar AC a cada 6 meses, combinado? Custa R$ 500/vez, total R$ 1k/ano. Evita emergência." Prestador concorda (é negócio previsível para ele).
Sinais de Que Você Está Muito Reativo (Preventiva Baixa)
Se vê 3+, mudança é necessária:
- Técnico está sempre "apagando fogo"; não há tempo para planejado.
- Equipamento falha frequentemente; você nunca sabe quando próxima queda é.
- Conta de manutenção cresce todo mês (corretivos emergenciais).
- Não há calendário de preventiva publicado; cada mês é surpresa.
- Fornecedor diz "você quer preventiva? Custa extra além de emergência."
Caminhos para Aumentar Preventiva
Mapear equipamentos críticos. Definir cronograma de preventiva (calendário Excel simples funciona). Começar piloto em 3 equipamentos. Comunicar resultado (MTBF sobe, custo cai). Expandir gradualmente.
Consultoria de FM para desenho de cronograma de preventiva por equipamento, estruturação de CMMS, contrato com fornecedor orientado a preventiva, treinamento de técnico. Acelera transição (6 meses vs 12-18 meses).
Taxa de preventiva > 70% é o sinal mais visível de maturidade em Facilities. Empresa que alcança isso tem operação estável, custo previsível, talento retém (menos stress).
Próximas etapas: conte ordens de preventiva vs corretiva dos últimos 3 meses. Calcule taxa atual. Identifique 3 equipamentos críticos (elevador, AC, gerador). Estruture cronograma de preventiva para os 3. Comece em 30 dias. Comunique resultado mensal ao time.
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Perguntas Frequentes
Qual é taxa ideal de preventiva (50%, 70%, 90%)?
Para operação típica de Facilities: 70% é aspiracional e realista. Alguns equipamentos (elevador) chegarão 85%+; outros (estrutura) 50-60%. Média 70% significa operação é mais proativa que reativa. Acima de 80% é excesso (você está fazendo preventiva que não precisa; custo sem retorno). Abaixo de 50% é imaturidade (reativo demais).
Preventiva custa mais ou menos que corretivo?
Preventiva por hora custa menos (técnico trabalha sem urgência, usa ferramenta correta, completa diagnóstico). Mas preventiva é periódica (executada 12x/ano em alguns casos), então custo mensal pode parecer alto. Corretivo por hora custa mais (urgência, horas extras, possível retrabalho). No total de ano: preventiva 70% é mais barato que corretivo 100%.
Como aumentar preventiva sem contratar mais gente?
Opções: (1) Terceirizar preventiva (fornecedor faz, você paga taxa mensal fixa). (2) Automação (sensor detecta desgaste, você reage proativamente, não você diagnosticar). (3) Eliminar corretivo (aceitar que equipamento velho precisa trocar, não reparar indefinidamente). (4) Reduzir escopo (priorizar críticos apenas). (5) Outsourcing completo (contratar consultoria de FM terceirizado).
Qual é impacto de preventiva em downtime?
Preventiva bem planejada agenda downtime (você sabe quando AC vai ficar offline para revisão; é 2 horas sábado). Corretivo gera downtime não-planejado (AC falha quarta 10h; operação para). Resultado: preventiva alta = downtime planejado, previsível, minimizado. Corretivo alta = downtime caótico, frequente, impredizível.
Cortar preventiva para economizar (curto prazo) é tentador — por que não fazer?
Miopia. Você economiza R$ 10k em preventiva no trimestre, mas corretivo cresce 10x (R$ 100k em emergências). No ano, você gasta R$ 150k em corretivo (vs R$ 80k com preventiva). Além de custo, impacto em operação (falhas frequentes, reputação). Cortar preventiva é cortar o ramo que você está sentado.
Referências
- ABNT NBR 14037. "Diretrizes para Manutenção de Edificações." ABNT, 2014.
- ISO 41001. "Facility Management — General Competencies and Requirements." ISO, 2023.
- IFMA. "Maintenance Planning and Execution Best Practices." IFMA, 2023.
- Mobley, R. Keith. "An Introduction to Predictive Maintenance." Butterworth-Heinemann, 2002.
- ABRAFAC. "Pesquisa de Preventiva vs Corretiva Brasil 2023." ABRAFAC, 2023.