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Compartimentação de incêndio: o que é e quando é exigida

Conceito de área de compartimentação, materiais construtivos aceitos e situações em que barreiras corta-fogo são exigidas pelo PPCI.
Atualizado em: 12 de maio de 2026 [TEC, GEST] Selagem corta-fogo, dampers, paredes resistentes, IT-09 SP
Neste artigo: Como este tema funciona na sua empresa Compartimentação de incêndio O conceito de célula de fogo Compartimentação horizontal e vertical Elementos que compõem uma célula compartimentada Paredes corta-fogo Portas corta-fogo Selagens corta-fogo em passagens Dampers corta-fogo em dutos Continuidade até a estrutura Quando a compartimentação é exigida Áreas máximas típicas por ocupação Erros frequentes que comprometem a compartimentação Porta corta-fogo escorada Selagem improvisada com espuma comum Forro contínuo sobre parede Tubulação posterior sem aviso Mistura de ocupações sem revisão do projeto Manutenção e inspeção Sinais de que sua compartimentação precisa de atenção Caminhos para garantir compartimentação adequada Precisa avaliar a compartimentação do seu prédio? Perguntas frequentes O que é compartimentação de incêndio? Quando a compartimentação é obrigatória? Posso usar drywall comum para parede de compartimentação? Posso manter uma porta corta-fogo aberta com cunha? Reformas exigem nova selagem corta-fogo? Fontes e referências
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Como este tema funciona na sua empresa

Pequena empresa

Geralmente ocupa um ou dois pavimentos abaixo dos limites que disparam exigência de compartimentação. Quando aluga em prédio compartilhado, a divisão entre lojas e salas costuma já existir e é responsabilidade do edifício. A atenção concentra-se em não criar aberturas indevidas em paredes existentes durante reformas.

Média empresa

Frequentemente ocupa edificações entre 1.500 e 5.000 m² ou prédios com mais de 12 metros, onde compartimentação horizontal ou vertical passa a ser exigida pela Instrução Técnica. Reformas e ampliações precisam ser planejadas considerando a divisão em células de fogo e a manutenção das selagens existentes.

Grande empresa

Opera em complexos industriais ou edifícios corporativos acima de 23 metros, onde compartimentação é elemento central do projeto de incêndio. Há equipe técnica dedicada, planos de manutenção de portas corta-fogo, contratos de selagem corta-fogo e auditorias internas periódicas para garantir integridade das células.

Compartimentação de incêndio

é a técnica construtiva que divide uma edificação em células isoladas por elementos resistentes ao fogo — paredes, lajes, portas e selagens corta-fogo — com o objetivo de impedir, por um tempo determinado em minutos, a propagação de chamas e fumaça entre ambientes, ganhando tempo para evacuação dos ocupantes e atuação do Corpo de Bombeiros.

O conceito de célula de fogo

A compartimentação parte de uma lógica simples: se o incêndio é inevitável em alguma medida, o que se pode controlar é onde ele permanece. Uma célula de fogo é um volume da edificação cercado por elementos que resistem a temperaturas altas durante 30, 60, 90 ou 120 minutos, conforme exigência da Instrução Técnica aplicável. Dentro da célula, o fogo pode consumir mobiliário, mercadorias e equipamentos. Fora dela, durante o tempo de resistência, o ambiente permanece habitável para fuga e operação dos bombeiros.

Uma parede comum de drywall ou alvenaria leve não cumpre essa função. Para que uma divisória seja considerada de compartimentação, ela precisa atender a três requisitos simultâneos: estabilidade estrutural sob calor, estanqueidade a chamas e isolamento térmico. A NBR 14432 estabelece os tempos requeridos de resistência ao fogo dos elementos construtivos conforme altura e ocupação da edificação. Esses tempos são designados por siglas como TRRF 60 ou CF 90, em que o número representa minutos de resistência.

Compartimentação horizontal e vertical

Há duas formas de dividir a edificação. A compartimentação horizontal separa áreas em um mesmo pavimento, criando ambientes vizinhos isolados — útil em galpões grandes, hospitais com alas distintas e fábricas com áreas de risco diferente. A compartimentação vertical separa pavimentos sobrepostos, impedindo que o fogo suba por aberturas, dutos e fachadas — exigência típica em prédios altos.

A compartimentação vertical inclui não apenas a laje resistente, mas também o tratamento da fachada (afastamento entre janelas de pavimentos consecutivos ou vergas resistentes), o selo nas passagens verticais (shafts, dutos de ar-condicionado, prumadas hidráulicas e elétricas) e a separação de caixas de escada por antecâmaras pressurizadas em alguns casos. Edifícios acima de 23 metros tipicamente exigem compartimentação vertical por pavimento, com exceções para usos específicos.

Elementos que compõem uma célula compartimentada

Uma célula de fogo bem executada combina cinco elementos. Faltar um deles compromete o conjunto.

Paredes corta-fogo

Alvenaria estrutural, blocos de concreto ou paredes de drywall específicas para compartimentação, dimensionadas para resistir ao tempo requerido. A espessura mínima depende do material e do TRRF — alvenaria de blocos cerâmicos costuma partir de 14 cm para CF 60. Cada material tem ensaios laboratoriais que comprovam sua classificação; o projetista deve indicar a especificação técnica adotada.

Portas corta-fogo

Conforme a NBR 11742, portas corta-fogo são classificadas por tempo de resistência (P-30, P-60, P-90, P-120). Devem ter dispositivo de fechamento automático (mola hidráulica ou eletromagnético comandado por central de detecção), vedação termoexpansível nas frestas e marca do fabricante visível. Manter uma porta corta-fogo travada aberta com cunha ou caixa anula a célula inteira — é um dos erros mais frequentes encontrados em vistoria.

Selagens corta-fogo em passagens

Toda tubulação, eletroduto, bandeja de cabos ou duto que atravessa uma parede ou laje compartimentada precisa ter a passagem selada com material certificado: argamassa intumescente, mantas, almofadas ou colares específicos. Sem selagem, fumaça e chamas passam pelo vão técnico em poucos minutos, mesmo com parede resistente.

Dampers corta-fogo em dutos

Quando dutos de climatização atravessam paredes compartimentadas, dampers corta-fogo (registros que fecham automaticamente por sensor térmico ou fusível) impedem a passagem do fogo pelo interior do duto. A NBR 14880 trata desses dispositivos. Em sistemas de pressurização de escadas, há também dispositivos de controle de fumaça.

Continuidade até a estrutura

A parede de compartimentação deve chegar à laje superior, não apenas ao forro. Um forro removível com vão livre acima anula a separação. O mesmo vale para piso elevado: se há piso técnico contínuo entre células, a compartimentação precisa descer até a laje estrutural ou ter selagem específica no nível do piso.

Pequena empresa

Antes de derrubar parede em reforma de loja ou escritório, verifique se ela é estrutural ou de compartimentação. Em prédios comerciais existentes, paredes que separam unidades autônomas geralmente são compartimentação predial e não podem ser abertas sem aprovação do condomínio e revisão do projeto de incêndio.

Média empresa

Em ampliações ou subdivisões internas, projete a divisão considerando áreas máximas por ocupação. Contrate engenheiro com habilitação em segurança contra incêndio para revisar o layout antes de iniciar a obra. Cada nova passagem de tubulação ou cabo na parede compartimentada exige selagem certificada.

Grande empresa

Mantenha cadastro georreferenciado das paredes e lajes compartimentadas, com mapa de portas corta-fogo numeradas e plano de manutenção anual de dispositivos de fechamento. Estabeleça procedimento formal de autorização para qualquer perfuração em elementos compartimentados, com vistoria pós-execução para conferir a selagem.

Quando a compartimentação é exigida

A exigência depende da combinação entre ocupação, área total construída, altura da edificação e carga de incêndio. As Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros de cada estado consolidam a regra. Como referência prática, em São Paulo a IT 09 trata da compartimentação horizontal e vertical e fixa áreas máximas por célula conforme a ocupação.

Em linhas gerais, compartimentação tende a ser exigida quando a edificação ultrapassa 750 a 1.500 m² em ocupações comerciais, quando há mais de um pavimento em uso, quando a altura passa de 12 metros para usos diversos ou 23 metros para residencial multifamiliar, e quando há ocupações distintas no mesmo edifício (loja no térreo com apartamentos acima, fábrica com escritórios anexos, depósito junto a área administrativa). Áreas de risco especial — casas de máquinas, subestações, depósitos de inflamáveis, cozinhas industriais — exigem compartimentação independentemente do porte do edifício.

Áreas máximas típicas por ocupação

As áreas máximas de célula variam por classificação. Como referência prática para projeto preliminar, ocupações comerciais e de serviço (grupo D em algumas classificações, A em outras conforme estado) admitem células maiores, na faixa de 2.400 m² por pavimento. Locais de reunião de público e escolas têm limites mais restritivos. Indústrias com carga de incêndio alta (depósitos, papel, plástico) podem ter limites bem menores — 1.000 m² ou menos. Hospitais e asilos tipicamente exigem compartimentação por ala e por pavimento.

Esses números são referenciais; o dimensionamento exato vem da IT vigente no estado e da análise do engenheiro projetista. Em obras públicas e empreendimentos de grande porte, a memória de cálculo da compartimentação faz parte do projeto técnico submetido ao Corpo de Bombeiros.

Erros frequentes que comprometem a compartimentação

Cinco falhas recorrentes aparecem em vistorias e auditorias internas.

Porta corta-fogo escorada

Cunha, caixa, extintor encostado ou imã desativado mantêm a porta aberta para conveniência operacional. Em um incêndio, a porta não fecha e a célula deixa de existir. Em alguns casos é aceitável usar retentor eletromagnético comandado pela central de detecção, que solta automaticamente em caso de alarme — solução cara, mas legal.

Selagem improvisada com espuma comum

Espuma de poliuretano para vedação acústica não é corta-fogo. Buchas plásticas, fita silver tape ou cimento sem certificação não substituem material intumescente. Toda selagem corta-fogo precisa ter laudo do fabricante e ser instalada conforme manual técnico.

Forro contínuo sobre parede

Parede que termina no forro de gesso ou PVC, deixando vão técnico aberto sobre as células vizinhas, transmite fumaça e calor para o ambiente ao lado em poucos minutos. A parede deve seguir até a laje superior, ainda que oculta acima do forro.

Tubulação posterior sem aviso

Reformas adicionam tubulações, cabos e dutos que atravessam paredes compartimentadas sem selagem. Cada nova passagem exige restauração do selo. Sem procedimento formal de controle, a integridade da célula degrada com o tempo.

Mistura de ocupações sem revisão do projeto

Loja vira pequeno depósito, escritório vira show-room com material inflamável, sala vira cozinha. A nova carga de incêndio pode exigir compartimentação adicional. Mudança de ocupação dispara reavaliação do projeto.

Manutenção e inspeção

Compartimentação não é elemento que se executa e esquece. Portas corta-fogo precisam ser inspecionadas pelo menos anualmente: testar fechamento automático, verificar vedação intumescente nas frestas, lubrificar dobradiças, conferir maçanetas antipânico onde aplicável. Selagens em shafts e passagens devem ser inspecionadas visualmente em intervalos definidos pelo plano de manutenção, com atenção a buracos abertos por intervenções recentes.

O Corpo de Bombeiros pode exigir, em vistoria, comprovação de manutenção das portas corta-fogo e laudos das selagens. Manter registro fotográfico antes e depois de cada manutenção, com data, responsável e ART quando aplicável, simplifica o processo de renovação do AVCB e reduz risco de apontamento.

Sinais de que sua compartimentação precisa de atenção

Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, é provável que a integridade das células de fogo esteja comprometida.

  • Portas corta-fogo são mantidas abertas com cunha, caixote ou extintor para facilitar circulação.
  • Há tubulações ou cabos atravessando paredes sem material de selagem visível ao redor.
  • Reformas recentes abriram passagens em paredes sem revisão do projeto de incêndio.
  • O forro do edifício é contínuo sobre paredes que deveriam separar ambientes distintos.
  • Não há plano de manutenção anual das portas corta-fogo registrado.
  • Mudou-se a ocupação de alguma área (escritório virou depósito, por exemplo) sem reavaliar compartimentação.
  • As selagens em shafts e passagens nunca foram inspecionadas após a entrega da obra.
  • A última vistoria do Corpo de Bombeiros gerou apontamento relacionado a portas ou selos corta-fogo.

Caminhos para garantir compartimentação adequada

Compartimentação envolve projeto, execução e manutenção contínua. A combinação depende do porte do imóvel e da disponibilidade de equipe técnica interna.

Estruturação interna

Viável em empresas com equipe própria de manutenção predial e engenheiro de segurança contratado.

  • Perfil necessário: Engenheiro civil ou de segurança com formação em prevenção de incêndio, equipe de manutenção treinada em selagem corta-fogo
  • Quando faz sentido: Edifícios acima de 5.000 m² com manutenção contínua e múltiplas intervenções por ano
  • Investimento: Plano anual de manutenção entre R$ 8.000 e R$ 30.000, mais materiais de selagem e troca de vedações
Apoio externo

Recomendado para revisão de projeto, laudos técnicos e execução de selagens em obras pontuais.

  • Perfil de fornecedor: Empresa de proteção passiva contra incêndio, projetistas de PPCI com habilitação CREA, fornecedores de portas corta-fogo certificadas
  • Quando faz sentido: Antes de reformas que alterem paredes, em mudanças de ocupação e na preparação para renovação do AVCB
  • Investimento típico: Laudo técnico de compartimentação entre R$ 3.000 e R$ 10.000; selagem corta-fogo entre R$ 100 e R$ 400 por passagem

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Perguntas frequentes

O que é compartimentação de incêndio?

É a divisão da edificação em células isoladas por paredes, lajes, portas e selagens resistentes ao fogo por tempo determinado em minutos. O objetivo é impedir a propagação de chamas e fumaça entre ambientes, ganhando tempo para evacuação e combate ao incêndio.

Quando a compartimentação é obrigatória?

Depende da ocupação, área e altura. Em geral, é exigida em edificações acima de 750 a 1.500 m² em usos comerciais, em prédios com mais de um pavimento acima de 12 metros, em edifícios com ocupações distintas e em áreas de risco especial como depósitos de inflamáveis e cozinhas industriais. A Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros do estado define os limites exatos.

Posso usar drywall comum para parede de compartimentação?

Não. Apenas sistemas de drywall específicos para compartimentação, ensaiados e classificados conforme NBR 14432 e NBR 10636, podem ser usados. O projetista deve indicar a especificação técnica e o fabricante. Drywall comum para divisórias acústicas ou estéticas não atende.

Posso manter uma porta corta-fogo aberta com cunha?

Não. Travar uma porta corta-fogo aberta com cunha, caixa ou qualquer objeto anula a célula compartimentada. Se há necessidade operacional de manter a passagem livre, a solução é instalar retentor eletromagnético comandado pela central de detecção, que libera a porta automaticamente em caso de alarme.

Reformas exigem nova selagem corta-fogo?

Sim. Toda nova passagem de tubulação, cabo, eletroduto ou duto em parede ou laje compartimentada exige restauração da selagem com material certificado. Sem procedimento formal de controle pós-obra, a integridade da compartimentação degrada com o tempo e gera apontamento em vistoria.

Fontes e referências

  1. ABNT NBR 14432 — Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações.
  2. ABNT NBR 11742 — Portas corta-fogo para saídas de emergência.
  3. Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo — Instruções Técnicas (IT 09 e correlatas).
  4. ABNT NBR 10636 — Paredes divisórias sem função estrutural — Determinação da resistência ao fogo.
  5. Decreto Estadual SP 56.819/2011 — Regulamento de Segurança contra Incêndio das edificações no Estado de São Paulo.