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Matriz de riscos: como construir

Compreenda como montar uma matriz de riscos simples.
Atualizado em: 01 de junho de 2026
Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa O que é a matriz de probabilidade e impacto Como definir as escalas de probabilidade e impacto Passo a passo para construir a matriz Exemplo de matriz 5x5 com riscos ilustrativos Interpretação dos quadrantes e ações recomendadas Como manter a matriz atualizada Sinais de que sua empresa precisa construir ou revisar a matriz de riscos Caminhos para construir e manter a matriz de riscos Precisa de apoio para construir e manter a matriz de riscos da sua empresa? Perguntas frequentes Como fazer uma matriz de riscos passo a passo? O que é a matriz de probabilidade e impacto? Quais são as escalas usadas na matriz de riscos? Como classificar riscos em alto, médio e baixo? A matriz de riscos precisa ser feita no Excel? Fontes e referências
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Como este tema funciona no porte da sua empresa

Pequena (até 50 funcionários)

A matriz pode ser uma planilha simples com escala de 1 a 3 para probabilidade e impacto. Não há necessidade de software especializado. O gestor preenche junto com o sócio e revisa uma vez por ano ou quando há mudança relevante no negócio — uma nova contratação, perda de fornecedor ou entrada em novo mercado.

Média (51–500 funcionários)

Escala de 1 a 5 é mais adequada para capturar a diversidade de riscos entre as áreas. A matriz pode ser consolidada pelo controller ou analista de risco e apresentada periodicamente à diretoria. Planilha colaborativa ou ferramenta simples de GRC são suficientes para esse porte.

Grande (+500 funcionários)

Matrizes por unidade de negócio ou processo, com escalas padronizadas definidas pela política de risco da empresa. Integração com sistemas de GRC (Governance, Risk and Compliance) e alimenta o reporting para o comitê de riscos e conselho de administração.

A matriz de riscos é uma ferramenta de priorização que cruza a probabilidade de ocorrência de cada risco com a magnitude do seu impacto caso se materialize. O resultado é uma representação visual que distribui os riscos em quadrantes — do crítico ao aceitável — permitindo ao gestor decidir quais tratam com urgência, quais planejam com prazo e quais apenas monitoram. A matriz não elimina nem resolve riscos: é uma ferramenta de priorização, não de solução.

O que é a matriz de probabilidade e impacto

A matriz de probabilidade e impacto é uma grade bidimensional: no eixo vertical, a probabilidade de o risco ocorrer; no eixo horizontal, o impacto se ocorrer. Cada risco do inventário é plotado nessa grade com base nas avaliações da etapa de análise. Os riscos que caem no canto superior direito — alta probabilidade e alto impacto — são os que exigem ação imediata.

A ferramenta é reconhecida pela ISO 31000:2018 como parte do processo de avaliação de riscos e é amplamente utilizada porque combina simplicidade com utilidade prática: qualquer gestor consegue construir e interpretar uma matriz em planilha, sem necessidade de formação especializada em gestão de riscos.

A matriz não substitui o julgamento do gestor — ela organiza a informação para que o julgamento seja mais fundamentado. Dois riscos com a mesma posição na matriz podem exigir respostas muito diferentes dependendo da natureza do evento e dos controles já existentes.

Como definir as escalas de probabilidade e impacto

Definir as escalas antes de começar a preencher a matriz é fundamental — sem escala calibrada, cada pessoa avalia com critério diferente e o resultado não é comparável. A escala precisa ter significado concreto para a realidade da empresa.

Escala de probabilidade (exemplo de escala de 1 a 5):

Nível Descrição Referência prática
1 — Improvável Evento raro, não há histórico na empresa Ocorre menos de 1 vez em 5 anos
2 — Pouco provável Já aconteceu ou há histórico no setor Ocorre 1 vez em 3 a 5 anos
3 — Possível Pode acontecer em condições normais Ocorre 1 vez por ano ou a cada 2 anos
4 — Provável Há condições concretas para ocorrer Ocorre mais de 1 vez por ano
5 — Quase certo Ocorre regularmente ou é esperado Ocorre mais de 3 vezes por ano

Escala de impacto (exemplo de escala de 1 a 5):

Nível Descrição Exemplos por dimensão
1 — Insignificante Impacto mínimo, absorvível sem esforço Perda menor que 0,5% do faturamento mensal; interrupção inferior a 4 horas
2 — Baixo Impacto gerenciável com recursos normais Perda de 0,5% a 2% do faturamento; interrupção de 4 a 24 horas
3 — Moderado Requer atenção e recurso adicional Perda de 2% a 10% do faturamento; interrupção de 1 a 3 dias
4 — Alto Impacto significativo na operação ou resultado Perda superior a 10% do faturamento; interrupção de 3 a 10 dias
5 — Crítico Ameaça à continuidade da empresa Perda que compromete a solvência; interrupção superior a 10 dias

Passo a passo para construir a matriz

Construir a matriz de riscos em planilha é um processo direto — desde que o inventário de riscos esteja pronto e as escalas estejam definidas. Os passos a seguir aplicam-se tanto para a versão 3x3 (porte pequeno) quanto para a 5x5 (porte médio e grande).

  1. Preparação da planilha: crie uma aba com os riscos do inventário em linhas. Adicione colunas para: código do risco, descrição resumida, avaliação de probabilidade (1 a 3 ou 1 a 5) e avaliação de impacto (mesma escala).
  2. Avaliação por risco: para cada risco, defina o nível de probabilidade e impacto com base nas escalas calibradas. A avaliação deve ser feita com quem conhece o risco — não apenas pelo gestor, mas com o responsável da área.
  3. Cálculo do grau de risco: multiplique probabilidade × impacto para obter o escore de cada risco. Esse número é o critério de ordenação — quanto maior, mais urgente o tratamento.
  4. Plotagem na grade: crie a grade bidimensional (probabilidade no eixo Y, impacto no eixo X) e posicione cada risco na célula correspondente. Riscos com o mesmo escore podem estar em posições diferentes — e essa distinção importa para o tratamento.
  5. Coloração dos quadrantes: divida a grade em zonas de cor: vermelho (zona crítica, ação imediata), amarelo (zona de atenção, plano de resposta) e verde (zona de monitoramento ou aceitável). Os critérios de cor devem ser definidos pela empresa — não há padrão universal.
  6. Documentação da avaliação: registre a data da avaliação, quem participou e a justificativa para os escores dos riscos mais críticos. Esse registro é importante para comparar com avaliações futuras e para auditoria.
Pequena (até 50 funcionários)

Use escala 3x3 (1 a 3 para probabilidade e impacto). O escore máximo é 9 (crítico) e o mínimo é 1 (aceitável). Com 5 a 10 riscos no inventário, a plotagem na grade é visual e direta. Revise a cada 12 meses ou após qualquer evento relevante.

Média (51–500 funcionários)

Use escala 5x5 para capturar mais nuances. O escore máximo é 25. Com 20 a 50 riscos no inventário, a tabela de escores é mais útil que o gráfico para tomada de decisão. O controller apresenta os riscos com escore acima de 12 para revisão da diretoria.

Grande (+500 funcionários)

Matrizes por unidade ou processo, com escalas padronizadas pela política de risco. Sistemas de GRC calculam e visualizam automaticamente. A área de risco consolida e apresenta ao comitê os riscos acima do limiar definido na política.

Exemplo de matriz 5x5 com riscos ilustrativos

O exemplo a seguir ilustra como riscos típicos de uma empresa de médio porte se posicionam na matriz 5x5. Os escores são fictícios e servem apenas para demonstrar o preenchimento e a interpretação.

Código Risco Probabilidade (1–5) Impacto (1–5) Escore (P×I) Zona
R-FIN-01 Inadimplência acima de 15% da carteira 3 4 12 Atenção
R-OP-01 ERP fora do ar por mais de 48h 2 5 10 Atenção
R-PES-01 Saída do controller sem substituto 2 4 8 Atenção
R-FORN-01 Falha do único fornecedor de insumo crítico 2 5 10 Atenção
R-FIN-02 Concentração: top 2 clientes > 60% receita 4 5 20 Crítico
R-LEG-01 Autuação por obrigação acessória em atraso 3 2 6 Monitoramento
R-CIB-01 Ransomware: perda de dados financeiros 2 5 10 Atenção

Interpretação dos quadrantes e ações recomendadas

A posição do risco na matriz define a urgência e o tipo de resposta — mas nunca substitui o julgamento sobre a natureza específica do evento.

Zona Escore (5x5) O que significa Ação recomendada
Crítico (vermelho) 16 a 25 Alta probabilidade e alto impacto — ameaça à continuidade Plano de tratamento imediato, responsável designado, prazo curto
Atenção (amarelo) 8 a 15 Combinação de probabilidade e impacto relevante Plano de resposta documentado, revisão em 30 a 60 dias
Monitoramento (verde claro) 4 a 7 Baixa probabilidade ou impacto gerenciável Monitorar na revisão periódica — reavaliar se o contexto mudar
Aceitável (verde) 1 a 3 Probabilidade e impacto mínimos Aceitar conscientemente — registrar a decisão e incluir na próxima revisão

Como manter a matriz atualizada

Uma matriz construída e nunca revisada perde o valor rapidamente — novos riscos surgem, riscos antigos mudam de perfil e controles implantados alteram os escores. A atualização precisa ter frequência definida e gatilhos claros.

  • Revisão periódica: anual para empresas pequenas, semestral para médias, trimestral para grandes. A revisão verifica se os escores mudaram, se novos riscos surgiram e se os controles implantados reduziram os escores conforme esperado.
  • Gatilhos de atualização imediata: evento de risco que se materializou (adicionar ao inventário e revisar escore), mudança regulatória relevante, lançamento de novo produto ou mercado, mudança de fornecedor ou sistema crítico, saída de pessoa-chave.
  • Responsável pela atualização: definir quem é o guardião da matriz — não pode ser "responsabilidade de todos" porque na prática significa "responsabilidade de ninguém".

Sinais de que sua empresa precisa construir ou revisar a matriz de riscos

Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, a priorização de riscos da empresa provavelmente ainda não tem base estruturada.

  • A empresa tem uma lista de riscos, mas não sabe quais tratar primeiro — todos parecem igualmente urgentes.
  • Decisões sobre riscos são tomadas por percepção, sem avaliação estruturada de probabilidade e impacto.
  • A matriz de riscos foi construída uma vez, mas nunca foi revisada ou usada na prática para decidir prioridades.
  • Não existe definição interna do que é um risco "alto", "médio" ou "baixo" — cada área usa critérios próprios.
  • Riscos de baixo impacto consomem tanto tempo de gestão quanto os críticos por falta de critério de priorização.
  • Riscos de alta probabilidade e baixo impacto recebem mais atenção do que riscos de baixa probabilidade e impacto catastrófico.

Caminhos para construir e manter a matriz de riscos

A matriz pode ser construída internamente com planilha ou com apoio externo para metodologia mais robusta. A escolha depende da complexidade do inventário e das exigências de governança.

Implementação interna

O gestor administrativo ou controller constrói e mantém a matriz em planilha com as escalas calibradas para a realidade da empresa.

  • Perfil necessário: gestor administrativo ou controller com capacidade analítica para facilitar a avaliação de probabilidade e impacto com as áreas.
  • Tempo estimado: 1 a 2 semanas para construção inicial com inventário pronto; revisões de 1 a 2 dias.
  • Faz sentido quando: a empresa já tem o inventário de riscos e precisa do próximo passo de priorização sem investimento em software ou consultoria.
  • Risco principal: escalas mal calibradas que tornam a comparação entre riscos de áreas diferentes inconsistente.
Com apoio especializado

Consultoria define a metodologia, calibra as escalas com a empresa e entrega a matriz integrada ao inventário e aos planos de resposta.

  • Tipo de fornecedor: Consultoria de Gestão de Riscos, Auditoria.
  • Vantagem: escalas padronizadas, metodologia documentada e resultado que atende exigências de relatórios para conselho, investidores ou auditorias.
  • Faz sentido quando: a matriz alimenta relatórios formais de governança, integra sistemas de GRC ou precisa atender padrões de certificação.
  • Resultado típico: matriz operando em 4 a 6 semanas, com metodologia e critérios documentados para revisões autônomas.

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Perguntas frequentes

Como fazer uma matriz de riscos passo a passo?

Os passos são: (1) ter o inventário de riscos pronto, (2) definir as escalas de probabilidade e impacto com critérios concretos para a empresa, (3) avaliar cada risco nas duas dimensões com quem conhece o evento, (4) calcular o escore (probabilidade × impacto), (5) plotar na grade bidimensional e colorir os quadrantes por zona de urgência, (6) documentar a avaliação com data e participantes.

O que é a matriz de probabilidade e impacto?

É uma grade bidimensional que cruza a probabilidade de ocorrência de cada risco com o impacto se ele se materializar. Cada risco do inventário é plotado na grade com base em escores definidos. O resultado distribui os riscos em zonas — crítica, de atenção, de monitoramento e aceitável — para orientar a priorização do tratamento.

Quais são as escalas usadas na matriz de riscos?

As escalas mais comuns são 3x3 (para empresas pequenas com poucos riscos) e 5x5 (para médias e grandes com inventário mais diverso). Cada nível da escala deve ter descrição concreta — não apenas "alto" ou "baixo", mas critérios específicos como frequência esperada de ocorrência ou valor de perda por faixa de impacto.

Como classificar riscos em alto, médio e baixo?

A classificação resulta do escore (probabilidade × impacto). Os limites entre alto, médio e baixo são definidos pela empresa com base no seu apetite a risco — não há padrão universal. Em uma escala 5x5, é comum considerar escores acima de 15 como críticos, de 8 a 15 como atenção, e abaixo de 8 como monitoramento ou aceitável.

A matriz de riscos precisa ser feita no Excel?

Não. Planilha — seja Excel, Google Sheets ou outra ferramenta — é suficiente para a maioria das empresas. Softwares especializados de GRC (Governance, Risk and Compliance) fazem sentido quando o inventário é extenso, há múltiplas unidades ou quando a matriz alimenta sistemas de reporting formais. O formato é menos importante do que a consistência do processo de avaliação.

Fontes e referências

  1. ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas. ISO 31000:2018 — Gestão de Riscos: Princípios e Diretrizes. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
  2. IBGC — Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Gerenciamento de Riscos Corporativos. São Paulo: IBGC.