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Como projetar custos e despesas

Estruture a projeção de custos e despesas para que o orçamento reflita a realidade da operação.
Atualizado em: 01 de junho de 2026
Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa As quatro categorias de custo que todo orçamento precisa cobrir Como projetar custos fixos: contratos e folha Como projetar custos variáveis sem indexar à receita otimista Como tratar despesas não recorrentes no orçamento Sinais de que a projeção de custos precisa ser revisada Caminhos para estruturar a projeção de custos Precisa de apoio para estruturar a projeção de custos da sua empresa? Perguntas frequentes Como projetar custos e despesas para o próximo ano? Qual a diferença entre custo fixo e custo variável na projeção? Como calcular custos variáveis na projeção orçamentária? O que não pode faltar na projeção de despesas? Como tratar despesas não recorrentes no orçamento? Fontes e referências
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Como este tema funciona no porte da sua empresa

Pequena (até 50 funcionários)

A projeção de custos se resume a: listar os contratos vigentes, a folha projetada com encargos e os custos variáveis estimados em função da receita. O erro mais comum é esquecer provisões como 13º e férias, que aparecem como surpresa quando vencem.

Média (51–500 funcionários)

O gestor financeiro consolida custos por centro de custo, com participação das áreas para estimar despesas departamentais. O desafio é manter granularidade suficiente para controle sem criar um orçamento tão detalhado que fica impossível de manter atualizado.

Grande (+500 funcionários)

Projeção por área, produto e unidade de negócio, com separação entre OPEX e CAPEX. O FP&A coordena a coleta de inputs, valida premissas com os gestores de área e consolida no modelo financeiro. O controle de lançamentos é parte da rotina mensal.

Projetar custos e despesas é estimar, para cada categoria, quanto a empresa vai gastar no período futuro, com base em contratos vigentes, histórico e premissas documentadas — separando o que é fixo (comprometido independente da receita), variável (indexado à receita) e não recorrente (projetos pontuais e investimentos). A separação correta por tipo de custo é o que permite ao gestor dimensionar o impacto no resultado e no caixa de cada cenário de receita.

As quatro categorias de custo que todo orçamento precisa cobrir

A projeção de custos começa pela categorização: cada despesa pertence a um tipo, e cada tipo tem um método de projeção diferente. Misturar categorias no orçamento resulta em análise imprecisa e dificuldade para identificar onde estão os desvios.

  1. Custos fixos comprometidos: despesas com valor definido por contrato ou obrigação, independentes do nível de atividade da empresa. Exemplos: aluguel, contratos de serviço, folha base, pro-labore, softwares por assinatura. São os mais previsíveis e os mais fáceis de projetar — basta listar os contratos e verificar se há reajuste previsto.
  2. Custos variáveis: despesas indexadas ao volume de atividade ou receita. Exemplos: comissão de vendas, frete, custo de produto ou serviço (CPV), embalagem, matéria-prima. O método de projeção é calcular o percentual histórico de cada linha em relação à receita e aplicar sobre a receita projetada conservadora.
  3. Custos semivariáveis: despesas com uma base fixa e um componente variável. Exemplos: energia elétrica (base fixa de demanda + consumo variável), telefone (plano fixo + uso adicional), manutenção (preventiva fixa + corretiva variável). Projetar a base fixa separadamente do componente variável.
  4. Despesas não recorrentes: gastos pontuais que não se repetem no ciclo normal da operação. Exemplos: reformas, implantações de sistema, projetos específicos, aquisição de equipamentos. Precisam de linha própria no orçamento, separadas das despesas operacionais, com identificação do mês de desembolso.

Como projetar custos fixos: contratos e folha

Os custos fixos são projetados a partir da lista de contratos vigentes — cada contrato tem um valor e uma data de reajuste. O gestor precisa verificar todos os contratos ativos e identificar quais têm cláusula de reajuste previsto para o período orçamentário.

A folha de pagamento merece atenção especial por seu peso no total de custos fixos e pela complexidade dos encargos. A projeção de folha precisa incluir:

  • Salário base atual de todos os funcionários.
  • Projeção de reajuste — dissídio coletivo previsto pela data-base da categoria, promoções planejadas, novas contratações previstas.
  • Encargos trabalhistas sobre a folha: INSS patronal, FGTS, e as contribuições variáveis por regime tributário e convenção coletiva.

As provisões obrigatórias são o ponto mais frequentemente esquecido no primeiro orçamento formal — como referência de mercado, essa é a principal fonte de surpresa em empresas que fazem o orçamento pela primeira vez. As provisões que precisam entrar mensalmente:

  • 13º salário: 1/12 do salário bruto de cada funcionário por mês.
  • Férias: 1/12 do salário bruto mais 1/3 adicional, por mês.
  • FGTS sobre as provisões: 8% sobre cada provisão de 13º e férias.
  • Provisão para rescisões: estimativa com base no histórico de rotatividade da empresa.

Provisões não são gastos do mês em que as obrigações vencem — são compromissos que se acumulam mês a mês. Não incluí-las na projeção mensal é o que gera as "surpresas" de dezembro (13º) e nos meses de férias coletivas.

Pequena (até 50 funcionários)

O gestor faz a projeção de folha com base na relação de funcionários e salários, adicionando encargos percentuais e as provisões. O contador externo pode ajudar a confirmar os percentuais corretos de encargo por regime e por categoria.

Média (51–500 funcionários)

O gestor financeiro consolida a projeção de folha com dados de RH — headcount planejado, faixas de reajuste previstas, posições abertas. A integração entre o orçamento financeiro e o planejamento de headcount é um ponto de atenção nesse porte.

Grande (+500 funcionários)

A projeção de pessoal é consolidada pelo RH com metodologia própria e entregue ao FP&A para integração ao orçamento financeiro. Inclui cenários de crescimento de headcount por área e impacto de programas de PLR e benefícios variáveis.

Como projetar custos variáveis sem indexar à receita otimista

Os custos variáveis são projetados a partir do percentual histórico de cada linha em relação à receita. O passo a passo:

  1. Calcular a relação histórica de cada custo variável sobre a receita nos últimos 12 meses — por exemplo, comissão de vendas representa X% da receita, frete representa Y%.
  2. Verificar se o percentual histórico ainda é válido para o próximo período — mudanças de política de comissionamento, novos contratos logísticos ou alterações no mix de produto podem alterar a relação.
  3. Aplicar o percentual validado sobre a receita projetada conservadora — não sobre o cenário otimista. Custos variáveis dimensionados sobre a receita otimista criam margem falsa nos cenários de receita abaixo do esperado.

A armadilha mais comum é projetar os custos variáveis sobre a receita que a empresa quer atingir (a meta) em vez da receita que a empresa espera de fato atingir (a projeção conservadora). Isso resulta num orçamento que só funciona no melhor cenário.

Como tratar despesas não recorrentes no orçamento

Despesas não recorrentes precisam de linha própria no orçamento — separadas das despesas operacionais — com identificação do projeto, valor total, mês ou meses de desembolso e fonte de financiamento (caixa próprio, financiamento, leasing).

O motivo da separação é duplo: primeiro, evitar que a comparação de despesas operacionais entre períodos fique distorcida por eventos pontuais; segundo, permitir a integração correta ao fluxo de caixa, já que o desembolso de uma despesa não recorrente grande pode gerar aperto de caixa num mês específico que não aparece no resultado operacional recorrente.

Exemplos de despesas não recorrentes que precisam de linha própria: reforma do espaço físico, implantação de sistema de ERP, campanha de marketing para lançamento de produto, aquisição de equipamento, treinamento intensivo de equipe, custo de mudança de sede.

Sinais de que a projeção de custos precisa ser revisada

Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, a projeção de custos provavelmente está gerando desvios que comprometem a confiabilidade do orçamento.

  • O orçamento de custos é basicamente "o do ano anterior mais um percentual de inflação" sem revisão de contratos.
  • Provisões de 13º, férias e FGTS não estão no orçamento mensal — aparecem só quando vencem.
  • Os custos variáveis foram projetados em função da receita otimista, não da conservadora.
  • Despesas não recorrentes (obras, equipamentos, projetos) não têm linha própria — entram como despesa operacional do mês.
  • O centro de custo de cada área não participou da estimativa — tudo foi decidido pelo financeiro sem input operacional.
  • O desvio de despesas em relação ao orçado é recorrentemente positivo — a empresa sempre gasta mais do que previu.

Caminhos para estruturar a projeção de custos

Há dois caminhos para organizar a projeção de custos e despesas, dependendo da organização dos dados históricos e da maturidade do plano de contas.

Implementação interna

Construir a projeção de custos com o time financeiro, usando o histórico do sistema e os contratos vigentes como base.

  • Perfil necessário: gestor financeiro com acesso aos contratos vigentes, ao histórico de despesas categorizado e à área de RH para a projeção de folha.
  • Tempo estimado: de 1 a 3 semanas para a projeção inicial, integrada ao ciclo de elaboração do orçamento.
  • Faz sentido quando: empresa com boa categorização de despesas no sistema e contratos documentados e acessíveis.
  • Risco principal: esquecer provisões obrigatórias e despesas não recorrentes que não aparecem no histórico mensal regular.
Com apoio especializado

Estruturar a projeção de custos com apoio externo, especialmente quando o plano de contas precisa ser organizado antes de projetar.

  • Tipo de fornecedor: Contabilidade com serviço gerencial, BPO Financeiro ou Consultoria Financeira.
  • Vantagem: metodologia de categorização, experiência com os tipos de custo que cada porte de empresa costuma esquecer e processo de coleta de inputs junto às áreas.
  • Faz sentido quando: empresa sem histórico organizado de custos por categoria, necessidade de estruturar o plano de contas gerencial antes de projetar ou ciclo de implantação do primeiro orçamento formal.
  • Resultado típico: projeção de custos integrada ao orçamento em 3 a 6 semanas, com plano de contas gerencial revisado.

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Perguntas frequentes

Como projetar custos e despesas para o próximo ano?

Categorizar os custos em fixos comprometidos, variáveis, semivariáveis e não recorrentes. Projetar fixos a partir dos contratos vigentes, variáveis pelo percentual histórico sobre a receita conservadora, semivariáveis separando base e componente variável, e não recorrentes com linha própria e mês de desembolso identificado.

Qual a diferença entre custo fixo e custo variável na projeção?

Custo fixo tem valor definido por contrato ou obrigação, independente do volume de atividade — é projetado a partir dos contratos vigentes. Custo variável é indexado ao volume ou à receita — é projetado como percentual histórico aplicado sobre a receita projetada conservadora.

Como calcular custos variáveis na projeção orçamentária?

Calcular o percentual histórico de cada custo variável em relação à receita nos últimos 12 meses, validar se o percentual ainda é válido para o próximo período e aplicar sobre a receita projetada conservadora — não sobre o cenário otimista.

O que não pode faltar na projeção de despesas?

As provisões obrigatórias de pessoal: 13º (1/12 ao mês), férias (1/12 + 1/3 ao mês) e FGTS sobre as provisões. Além das despesas não recorrentes previstas para o ano, com linha própria e mês de desembolso identificado.

Como tratar despesas não recorrentes no orçamento?

Com linha própria separada das despesas operacionais, identificando o projeto, o valor total, o mês ou meses de desembolso e a fonte de financiamento. A separação evita distorção na comparação de despesas operacionais entre períodos e permite a integração correta ao fluxo de caixa.

Fontes e referências

  1. Sebrae. Como controlar custos e despesas na empresa. Portal Sebrae.