Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa O que é rateio de custos indiretos e por que ele define o preço Qual a diferença entre custo direto e custo indireto Por que custo indireto não é a mesma coisa que despesa O que acontece com o preço quando o indireto não é rateado Custeio por absorção x custeio ABC: a base conceitual do rateio Como funciona o custeio por absorção Como funciona o custeio ABC e quando ele compensa Por que a base de rateio precisa ser racional e consistente Os métodos de rateio em ordem crescente de precisão Método proporcional ao faturamento: o ponto de partida Método proporcional ao custo direto: mais preciso na indústria leve Método proporcional às horas: o mais correlacionado ao consumo real Exemplo numérico: como ratear custos indiretos passo a passo Passo 1 — Levantar o total de custos indiretos do período Passo 2 — Calcular a participação de cada produto na base Passo 3 — Distribuir o indireto e chegar ao custo unitário Como o critério escolhido muda o resultado Como escolher o critério de rateio na prática Quando usar um critério único e quando usar vários Como começar simples sem comprometer a decisão de preço Quando revisar o critério e quais erros evitar Quais eventos obrigam a revisar o rateio Quais erros mais distorcem o custo unitário Como o rateio se conecta ao preço de venda Sinais de que o rateio de custos indiretos precisa ser implantado ou revisado Caminhos para estruturar o rateio de custos indiretos Precisa de apoio para estruturar o rateio de custos indiretos e o custeio dos produtos da sua empresa? Perguntas frequentes O que é rateio de custos indiretos? Quais são os métodos de rateio de custos indiretos? Como calcular o rateio de custos indiretos por produto? Qual a diferença entre custeio por absorção e custeio ABC? Como escolher o critério de rateio de custos indiretos? Fontes e referências
oHub Base Gestão Financeiro Custos, Margem e Formação de Preço

Rateio de custos indiretos: métodos e como escolher

O que é rateio de custos indiretos, os métodos (absorção x ABC), como escolher o critério e o impacto no preço — com exemplo numérico.
Atualizado em: 07 de julho de 2026
Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa O que é rateio de custos indiretos e por que ele define o preço Qual a diferença entre custo direto e custo indireto Por que custo indireto não é a mesma coisa que despesa O que acontece com o preço quando o indireto não é rateado Custeio por absorção x custeio ABC: a base conceitual do rateio Como funciona o custeio por absorção Como funciona o custeio ABC e quando ele compensa Por que a base de rateio precisa ser racional e consistente Os métodos de rateio em ordem crescente de precisão Método proporcional ao faturamento: o ponto de partida Método proporcional ao custo direto: mais preciso na indústria leve Método proporcional às horas: o mais correlacionado ao consumo real Exemplo numérico: como ratear custos indiretos passo a passo Passo 1 — Levantar o total de custos indiretos do período Passo 2 — Calcular a participação de cada produto na base Passo 3 — Distribuir o indireto e chegar ao custo unitário Como o critério escolhido muda o resultado Como escolher o critério de rateio na prática Quando usar um critério único e quando usar vários Como começar simples sem comprometer a decisão de preço Quando revisar o critério e quais erros evitar Quais eventos obrigam a revisar o rateio Quais erros mais distorcem o custo unitário Como o rateio se conecta ao preço de venda Sinais de que o rateio de custos indiretos precisa ser implantado ou revisado Caminhos para estruturar o rateio de custos indiretos Precisa de apoio para estruturar o rateio de custos indiretos e o custeio dos produtos da sua empresa? Perguntas frequentes O que é rateio de custos indiretos? Quais são os métodos de rateio de custos indiretos? Como calcular o rateio de custos indiretos por produto? Qual a diferença entre custeio por absorção e custeio ABC? Como escolher o critério de rateio de custos indiretos? Fontes e referências
Compartilhar:
Este conteúdo foi gerado por IA e pode conter erros. ⚠️ Reportar | 💡 Sugerir artigo

Como este tema funciona no porte da sua empresa

Pequena (até 50 funcionários)

Os custos indiretos raramente são rateados — ficam em uma conta genérica de "despesas operacionais" sem chegar ao custo dos produtos ou serviços. O preço calculado só com os custos diretos subestima o custo real, e a margem que aparece na planilha não existe no caixa. A prioridade é implantar o método mais simples (proporcional ao faturamento ou ao custo direto) para que o custo de cada item passe a incluir a parcela de indiretos que sustenta a operação.

Média (51–500 funcionários)

Já há algum rateio, mas pode estar desatualizado ou inconsistente entre linhas de produto. A prioridade é documentar o critério adotado, registrá-lo na rotina de custeio e revisá-lo quando o mix de produção ou o perfil de custos mudar — para que a análise de rentabilidade por produto reflita a realidade e não um critério herdado que ninguém mais sabe explicar.

Grande (+500 funcionários)

Usa custeio formal por centro de custo ou custeio ABC, com critérios definidos pela controladoria e revisados periodicamente. O desafio do gestor é garantir que as áreas que lançam custos indiretos sigam os critérios padronizados e que o rateio seja recalculado quando a capacidade instalada ou o mix mudam — evitando que distorções se acumulem despercebidas entre fechamentos.

Rateio de custos indiretos é o processo de distribuir, entre os produtos ou serviços da empresa, os gastos que não se identificam diretamente com nenhum deles — energia elétrica, aluguel, depreciação de equipamentos compartilhados, salário da supervisão. A distribuição segue um critério de rateio (uma base como faturamento, custo direto ou horas) escolhido de forma racional e consistente. Sem o rateio, esses custos ficam fora do custo unitário, o preço formado não cobre a operação completa e a margem calculada é ilusória — o que torna o rateio um passo central da precificação.

O que é rateio de custos indiretos e por que ele define o preço

Rateio de custos indiretos é a distribuição, entre os produtos e serviços, dos gastos que não têm como ser apropriados diretamente a cada um deles. Importa para a precificação porque o preço de venda precisa cobrir o custo total — direto mais a parcela de indireto que cada item consome —, e não apenas a matéria-prima e a mão de obra direta visíveis na ficha técnica. Quando o indireto fica de fora, o preço nasce subdimensionado e a margem aparente some no fim do mês.

Qual a diferença entre custo direto e custo indireto

Custo direto é o que se identifica diretamente em cada unidade produzida ou serviço prestado — matéria-prima, embalagem e a mão de obra direta que manipula a produção. Custo indireto é o que beneficia a operação como um todo, sem nota que diga quanto coube a cada produto: energia da fábrica, aluguel do espaço produtivo, depreciação de equipamentos usados por vários produtos, salário da gerência de produção. Segundo o guia de precificação do Sebrae Bahia, esses gastos ligados à produção de forma geral são chamados de custos indiretos de fabricação (CIF) e precisam de um critério de rateio para chegar ao produto[2].

Por que custo indireto não é a mesma coisa que despesa

Custo indireto é gasto ligado à produção (à fábrica ou à operação que entrega o serviço); despesa é gasto ligado à gestão e às vendas do negócio em geral. A separação importa para o rateio: pelo método de custeio por absorção, os custos — diretos e indiretos — entram no custo do produto, enquanto as despesas administrativas e comerciais são tratadas à parte, em geral via mark-up sobre o preço[2]. Misturar despesa de venda dentro do rateio de produção é um erro que distorce tanto o custo unitário quanto a análise de rentabilidade.

O que acontece com o preço quando o indireto não é rateado

Quando o indireto não é rateado, o preço formado sobre o custo direto é sistematicamente insuficiente. Cada real de custo indireto não alocado é um real que corrói o resultado — invisível no cálculo de preço, mas muito visível no caixa. O efeito é silencioso: a empresa pode estar vendendo bem e mesmo assim apertando a margem, porque o preço nunca incluiu o aluguel, a energia e a depreciação que a operação consumiu para entregar aquele produto.

Custeio por absorção x custeio ABC: a base conceitual do rateio

Custeio por absorção e custeio ABC são as duas lógicas que governam como o indireto chega ao produto. No absorção, todos os custos de produção são distribuídos aos produtos por uma base de rateio única ou por poucos critérios. No ABC (Activity Based Costing), os indiretos são primeiro alocados às atividades que os consomem e depois às produtos que demandam essas atividades — o que torna o resultado mais preciso quando os produtos consomem recursos de forma muito diferente.

Como funciona o custeio por absorção

No custeio por absorção, os custos diretos vão direto ao produto e os indiretos são distribuídos por um critério de rateio, formando o custo unitário completo. É o método mais comum na prática das pequenas e médias empresas, e o que o Sebrae usa nos exemplos de apuração de custo industrial e de serviços[2]. A norma contábil de estoques (CPC 16) também adota essa lógica: o custo de transformação inclui a alocação sistemática dos custos indiretos de produção, fixos e variáveis, incorridos para transformar materiais em produtos acabados[1].

Como funciona o custeio ABC e quando ele compensa

No custeio ABC, mapeiam-se as atividades da operação (preparar máquina, movimentar material, inspecionar, faturar) e mede-se quanto de recurso cada atividade consome; depois, alocam-se as atividades aos produtos conforme o quanto cada um as demanda. Ele compensa quando o mix é diversificado e os produtos consomem overhead de forma desproporcional — um produto de baixo volume e alta complexidade pode parecer rentável no absorção e deficitário no ABC. O custo do ABC é o esforço: exige mapeamento de atividades e estrutura de controladoria, o que o torna mais comum em empresas de médio e grande porte.

Por que a base de rateio precisa ser racional e consistente

A base de rateio precisa ser racional (correlacionada ao consumo real do recurso) e consistente (aplicada da mesma forma a cada período), porque é ela que determina a precisão do custo. O CPC 16 trata a alocação dos custos indiretos fixos com base na capacidade normal de produção — a produção média esperada em circunstâncias normais —, de modo que o custo unitário não seja inflado artificialmente em meses de baixo volume; o custo fixo não alocado por ociosidade é reconhecido como despesa do período, e não jogado sobre as poucas unidades produzidas[1]. Para o gestor, a lição prática é não deixar que um mês de produção baixa distorça o custo de cada unidade.

Os métodos de rateio em ordem crescente de precisão

Existem três métodos práticos de rateio para empresas sem estrutura de controladoria formal, em ordem crescente de precisão: proporcional ao faturamento, proporcional ao custo direto e proporcional às horas trabalhadas. A escolha depende da facilidade de coleta do dado, da homogeneidade do mix e de quanto a distorção afeta as decisões de preço. O Sebrae lista, como critérios possíveis, o volume de produção, o custo da mão de obra por produto, o consumo de energia e a área ocupada — o importante é que o critério reflita um fator de fato relevante no processo[2].

Método Critério de distribuição Quando usar Vantagem Limitação
Proporcional ao faturamento Cada produto absorve indiretos na proporção da sua participação no faturamento total Mix homogêneo de margens; quando não há outro dado disponível Mais simples; usa dado sempre disponível Distorce se as margens variam muito — produto caro absorve mais indireto mesmo sem consumir mais recurso
Proporcional ao custo direto Cada produto absorve indiretos na proporção do seu custo direto em relação ao total Quando o consumo de indireto acompanha o custo de material; indústria leve, comércio Mais preciso que o faturamento quando os materiais diretos variam muito entre produtos Não considera o tempo de processo — produto simples com material caro absorve mais que produto complexo com material barato
Proporcional às horas (horas-homem ou horas-máquina) Cada produto absorve indiretos proporcionalmente ao tempo de produção que consome Indústrias de processo, serviços, operações onde o tempo é o driver de custo Correlaciona melhor com o consumo real de recursos em operações intensivas em tempo Exige controle de horas por produto ou serviço — dado nem sempre disponível em empresa pequena

Método proporcional ao faturamento: o ponto de partida

O método proporcional ao faturamento distribui os indiretos conforme a participação de cada produto na receita total — quem fatura mais, absorve mais. É o ponto de partida porque usa um dado que toda empresa já tem. A armadilha é o caso de margens muito diferentes: um produto de revenda cara, mas que quase não toca a estrutura produtiva, acaba carregando indireto que não consome, enquanto um produto barato e trabalhoso fica subcusteado.

Método proporcional ao custo direto: mais preciso na indústria leve

O método proporcional ao custo direto distribui os indiretos conforme o peso do custo de material e mão de obra direta de cada produto no total. Ganha precisão quando o consumo de recursos indiretos tende a acompanhar o custo direto — comum na indústria leve e no comércio. A limitação é não enxergar o tempo de processo: um item de material caro e processo curto pode absorver mais indireto do que um item de material barato que ocupa a máquina por horas.

Método proporcional às horas: o mais correlacionado ao consumo real

O método proporcional às horas (horas-homem para serviços e operações manuais, horas-máquina para indústria de processo) distribui os indiretos conforme o tempo de produção que cada item consome. É o mais correlacionado ao consumo real de recursos, porque grande parte do indireto — energia, depreciação, supervisão — está ligada ao tempo de operação. Exige, em troca, controle de horas por produto ou por ordem de produção, o que nem sempre existe na empresa pequena.

Pequena (até 50 funcionários)

O método proporcional ao faturamento ou ao custo direto é o ponto de partida. Para empresas com até 10 a 15 produtos, implementar em planilha leva poucos dias. O resultado não é perfeito, mas é imensamente superior a não ratear nada.

Média (51–500 funcionários)

O rateio por horas-homem ou horas-máquina passa a ser viável quando há controle de produção ou de ponto. O critério fica documentado e é revisado quando o mix de produção muda de forma relevante.

Grande (+500 funcionários)

O custeio ABC ou o custeio por centro de custo distribui os indiretos pelas atividades que os consomem. Exige mapeamento de atividades e controladoria, mas resulta no rateio mais preciso — identifica produtos que consomem desproporcionalmente mais overhead.

Exemplo numérico: como ratear custos indiretos passo a passo

O rateio se calcula em três etapas que se repetem a cada período: somar o total de indiretos, calcular a participação de cada produto na base escolhida e multiplicar uma coisa pela outra. O exemplo abaixo é ilustrativo (valores didáticos) e usa a estrutura de cálculo que o Sebrae adota nos seus exemplos de apuração de custo, com rateio por participação na produção[2].

Passo 1 — Levantar o total de custos indiretos do período

Separe todos os gastos de produção que não são identificáveis em nenhum produto específico — energia, aluguel do espaço produtivo, depreciação de equipamentos compartilhados, salário da supervisão, manutenção geral — e some o total do mês. Suponha que a fábrica fictícia tenha R$ 12.000 de custos indiretos no período. Esse é o bolo a distribuir.

Passo 2 — Calcular a participação de cada produto na base

Escolha a base e calcule o percentual de cada produto. Suponha dois produtos, A e B, e o critério proporcional ao custo direto. No mês, o produto A teve R$ 18.000 de custo direto e o B, R$ 6.000 — total de R$ 24.000. A participação é: produto A = 18.000 ÷ 24.000 = 75%; produto B = 6.000 ÷ 24.000 = 25%. Os percentuais sempre somam 100%.

Passo 3 — Distribuir o indireto e chegar ao custo unitário

Multiplique o total de indiretos pela participação de cada produto e divida pela quantidade produzida. Produto A absorve 75% de R$ 12.000 = R$ 9.000; produto B absorve 25% = R$ 3.000. Se foram produzidas 1.000 unidades de A e 500 de B, o custo indireto unitário é R$ 9,00 para A (9.000 ÷ 1.000) e R$ 6,00 para B (3.000 ÷ 500). Esse valor entra no custo total de cada unidade, somado ao custo direto, antes de aplicar a margem.

Como o critério escolhido muda o resultado

A tabela abaixo mostra os mesmos R$ 12.000 de indireto distribuídos por três critérios diferentes, para os mesmos produtos A e B. A leitura é direta: trocar a base de rateio muda o custo unitário e, por consequência, o preço mínimo de cada produto. Por isso o critério não é detalhe técnico — é uma decisão de gestão que afeta a precificação.

Critério de rateio Participação A / B Indireto para A Indireto para B Indireto unitário A (1.000 un.) / B (500 un.)
Por faturamento (A = 60%, B = 40%) 60% / 40% R$ 7.200 R$ 4.800 R$ 7,20 / R$ 9,60
Por custo direto (A = 75%, B = 25%) 75% / 25% R$ 9.000 R$ 3.000 R$ 9,00 / R$ 6,00
Por horas-máquina (A = 50%, B = 50%) 50% / 50% R$ 6.000 R$ 6.000 R$ 6,00 / R$ 12,00

Os valores de participação por faturamento e por horas são hipóteses ilustrativas para evidenciar o efeito do critério. O ponto perene é o método, não os números: o indireto unitário de B varia de R$ 6,00 a R$ 12,00 apenas pela escolha da base — uma diferença que pode definir se o produto é vendido com ou sem margem.

Como escolher o critério de rateio na prática

O critério de rateio se escolhe pela resposta a uma pergunta: qual fator melhor explica o consumo dos custos indiretos na sua operação? Se o indireto é dominado por tempo de máquina, a base é horas-máquina; se acompanha o custo de material, é custo direto; se nenhum dado de processo está disponível, começa-se pelo faturamento. A regra do Sebrae é clara: o critério deve dizer respeito a um fator de fato relevante no processo produtivo[2].

Quando usar um critério único e quando usar vários

Um critério único basta quando o mix é homogêneo e os produtos consomem recursos de forma parecida — caso típico da empresa pequena com poucos SKUs. Vários critérios (um por grupo de custo) fazem sentido quando os indiretos têm naturezas distintas: energia ligada a horas-máquina, aluguel ligado à área ocupada, supervisão ligada a horas-homem. Quanto mais a empresa separa os indiretos por driver, mais ela se aproxima da lógica do ABC — e mais esforço de controle assume.

Como começar simples sem comprometer a decisão de preço

Comece pelo critério mais simples que ainda assim não distorça a decisão de preço. Para a maioria das pequenas empresas, isso significa o rateio proporcional ao custo direto, implementável em planilha em poucos dias. O risco a evitar é o oposto do "não ratear": montar um modelo complexo demais que ninguém mantém. Um rateio simples, aplicado todo mês com consistência, vale mais que um modelo sofisticado abandonado no segundo fechamento.

Quando revisar o critério e quais erros evitar

O critério de rateio deve ser revisto quando mudam as condições que o definiram — não em uma data fixa do calendário, mas a cada evento que altera a base. Manter um critério desatualizado por muito tempo começa a distorcer as decisões de preço e de mix, ainda que continue melhor do que não ter critério nenhum.

Quais eventos obrigam a revisar o rateio

Obrigam revisão: mudança relevante no mix (entrada de produto com perfil de custo diferente), variação grande de volume em algum produto (que altera os percentuais de participação), troca de insumo ou fornecedor que muda o custo direto, e entrada de novo equipamento com depreciação que beneficia só parte do mix. Como referência prática, na ausência de um desses gatilhos, uma revisão anual mantém o critério aderente à realidade.

Quais erros mais distorcem o custo unitário

Os erros mais comuns são quatro: misturar despesa de venda e administração dentro do rateio de produção; usar uma base que não tem relação com o consumo do recurso (ratear energia por faturamento quando o driver é hora-máquina); deixar a ociosidade inflar o custo unitário em meses de baixa produção — quando, pela lógica do CPC 16, o custo fixo não absorvido deveria ir para despesa do período[1]; e manter um critério não documentado que muda de cálculo a cada mês conforme quem o executa.

Como o rateio se conecta ao preço de venda

O rateio entrega o custo unitário completo; o preço de venda parte dele. No método de mark-up descrito pelo Sebrae, o preço resulta de multiplicar o custo de produção (que já inclui o indireto rateado) por um fator que cobre despesas, tributos sobre a receita e a margem desejada[2]. Se o custo de produção entra subdimensionado por falta de rateio, todo o preço sai abaixo do que deveria — por isso o rateio é o elo entre o custeio e a precificação, e não uma etapa contábil isolada.

Sinais de que o rateio de custos indiretos precisa ser implantado ou revisado

Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, os custos indiretos provavelmente não estão chegando corretamente ao custo dos produtos ou serviços.

  • O custo do produto inclui só matéria-prima e mão de obra direta — energia, aluguel e overhead ficam de fora.
  • O custo do serviço não inclui a parcela de custos de produção que sustenta a entrega.
  • O critério de rateio não está documentado — cada mês pode ser calculado de forma diferente.
  • Produtos com processo longo compartilham o mesmo rateio de indiretos que produtos simples.
  • Em meses de produção baixa, o custo unitário "explode" porque o fixo é dividido por poucas unidades.
  • A empresa não sabe quais produtos cobrem seus custos quando os indiretos são incluídos.
  • O DRE gerencial tem uma linha de "despesas gerais" que nunca é alocada a produtos ou serviços.

Caminhos para estruturar o rateio de custos indiretos

Há dois caminhos para implantar o rateio de indiretos, e a escolha depende do volume do mix e da disponibilidade de dados de produção.

Implementação interna

Definir o critério de rateio e aplicá-lo mensalmente em planilha, com o analista financeiro como responsável.

  • Perfil necessário: analista financeiro com acesso ao DRE e à base de rateio (faturamento, custo direto ou horas); para até 10 a 15 SKUs, o método proporcional ao custo direto é implementável em poucos dias.
  • Tempo estimado: alguns dias para configurar o modelo; manutenção mensal de 30 minutos a 1 hora.
  • Faz sentido quando: mix simples e homogêneo, com um critério único aplicável a todos os produtos.
  • Risco principal: critério não documentado que muda quando o responsável muda, perdendo consistência histórica.
Com apoio especializado

Estruturar o rateio com apoio de contabilidade ou consultoria financeira, especialmente para mix grande ou custeio mais preciso.

  • Tipo de fornecedor: Contabilidade, Consultoria Financeira, ERP.
  • Vantagem: critério documentado e revisado, integração com o módulo de custeio do ERP e metodologia que resiste à troca de responsável.
  • Faz sentido quando: mix amplo com processos muito distintos, necessidade de custeio mais preciso (ABC) ou integração ao ERP.
  • Resultado típico: critério de rateio documentado e rodando em poucas semanas.

Precisa de apoio para estruturar o rateio de custos indiretos e o custeio dos produtos da sua empresa?

Se implantar o rateio de indiretos virou prioridade, o oHub conecta a sua empresa, de forma gratuita, a fornecedores de contabilidade e consultoria financeira. Em menos de 3 minutos você descreve a necessidade e recebe propostas, sem compromisso.

Solicitar orçamento de Consultoria Financeira Solicitar orçamento de Consultoria em Planejamento

Sem custo, sem compromisso. Você recebe propostas e decide se e com quem avançar.

Perguntas frequentes

O que é rateio de custos indiretos?

Rateio de custos indiretos é o processo de distribuir, entre os produtos ou serviços, os gastos que não podem ser identificados diretamente em nenhum deles — energia, aluguel, depreciação de equipamentos compartilhados, supervisão. A distribuição segue um critério de rateio escolhido de forma racional e consistente. Sem o rateio, esses custos ficam fora do custo unitário e o preço formado não cobre a operação completa.

Quais são os métodos de rateio de custos indiretos?

Três métodos principais, em ordem crescente de precisão: (1) proporcional ao faturamento — cada produto absorve indiretos na proporção da sua participação na receita; (2) proporcional ao custo direto — na proporção do seu custo de material e mão de obra direta; (3) proporcional às horas trabalhadas (horas-homem ou horas-máquina) — na proporção do tempo de produção que consome.

Como calcular o rateio de custos indiretos por produto?

Em três etapas: (1) levantar o total de custos indiretos do período; (2) calcular a participação de cada produto na base escolhida (faturamento, custo direto ou horas); (3) multiplicar o total de indiretos pelo percentual de cada produto e dividir pela quantidade produzida. Exemplo: R$ 12.000 de indiretos, produto A com 75% da base, absorve R$ 9.000; em 1.000 unidades, são R$ 9,00 de indireto por unidade.

Qual a diferença entre custeio por absorção e custeio ABC?

No custeio por absorção, os indiretos são distribuídos aos produtos por uma base de rateio única ou por poucos critérios — é o método mais comum em pequenas e médias empresas. No custeio ABC (Activity Based Costing), os indiretos são alocados primeiro às atividades que os consomem e depois aos produtos que demandam essas atividades, o que é mais preciso para mix diversificado, mas exige mapeamento de atividades e controladoria.

Como escolher o critério de rateio de custos indiretos?

Escolhe-se pelo fator que melhor explica o consumo dos indiretos na operação: se o driver é tempo de máquina, a base é horas-máquina; se acompanha o custo de material, é custo direto; se não há dado de processo, começa-se pelo faturamento. O critério deve dizer respeito a um fator de fato relevante no processo produtivo, e o mais simples que não distorça a decisão de preço costuma ser o melhor ponto de partida.

Fontes e referências

  1. Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1) — Estoques. Itens 12 a 14 (custos de transformação e alocação de custos indiretos de produção). Disponível no acervo de normas contábeis da CVM.
  2. Sebrae Bahia. Guia Prático de Precificação para os Pequenos Negócios. 2020. Capítulo 1 — A estimativa de custos e despesas (custos diretos, indiretos de fabricação, custeio por absorção e rateio).