Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa Por que comparar pelo CET, e não pela taxa de juros O que a taxa nominal esconde Por que o CET é a métrica padrão definida pelo Banco Central Por que o CET é sempre maior que a taxa nominal O que entra no CET além dos juros IOF sobre crédito Tarifas de cadastro e de avaliação Seguros vinculados à operação Tarifas de manutenção, amortizações e o efeito da capitalização Taxa nominal x CET: por que os dois números convivem na proposta Para que serve a taxa de juros na decisão Por que comparar taxa mensal com taxa anual distorce a decisão Como ler e exigir o CET na documentação Onde o CET aparece e o que o demonstrativo deve conter Como exigir o CET por escrito Como conferir se o CET informado faz sentido Exemplo: duas propostas com a mesma taxa e CET diferente Como interpretar a diferença de CET na prática Por que comparar o fluxo total de pagamentos, não só a parcela Passo a passo para comparar duas propostas de crédito O que questionar antes de assinar: pegadinhas e checklist As perguntas que o gestor deve fazer Pegadinhas mais comuns nas propostas Quando o CET mais baixo não é a melhor escolha Quando o prazo não combina com a necessidade Quando a garantia tem custo de oportunidade Quando a flexibilidade de uso pesa mais Sinais de que o processo de comparação de crédito precisa ser estruturado Caminhos para estruturar a comparação de propostas de crédito Precisa de apoio para comparar propostas de crédito e identificar o custo real das operações da sua empresa? Perguntas frequentes O que é CET em crédito empresarial? Por que comparar propostas pelo CET e não pela taxa de juros? Qual a diferença entre taxa nominal e CET? O que o CET inclui além dos juros? Como exigir e conferir o CET de uma proposta de crédito? Fontes e referências
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CET: como comparar propostas de crédito de verdade

Por que comparar crédito pelo CET e não pela taxa de juros, o que entra no CET além dos juros e como ler duas propostas — com exemplo.
Atualizado em: 07 de julho de 2026
Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa Por que comparar pelo CET, e não pela taxa de juros O que a taxa nominal esconde Por que o CET é a métrica padrão definida pelo Banco Central Por que o CET é sempre maior que a taxa nominal O que entra no CET além dos juros IOF sobre crédito Tarifas de cadastro e de avaliação Seguros vinculados à operação Tarifas de manutenção, amortizações e o efeito da capitalização Taxa nominal x CET: por que os dois números convivem na proposta Para que serve a taxa de juros na decisão Por que comparar taxa mensal com taxa anual distorce a decisão Como ler e exigir o CET na documentação Onde o CET aparece e o que o demonstrativo deve conter Como exigir o CET por escrito Como conferir se o CET informado faz sentido Exemplo: duas propostas com a mesma taxa e CET diferente Como interpretar a diferença de CET na prática Por que comparar o fluxo total de pagamentos, não só a parcela Passo a passo para comparar duas propostas de crédito O que questionar antes de assinar: pegadinhas e checklist As perguntas que o gestor deve fazer Pegadinhas mais comuns nas propostas Quando o CET mais baixo não é a melhor escolha Quando o prazo não combina com a necessidade Quando a garantia tem custo de oportunidade Quando a flexibilidade de uso pesa mais Sinais de que o processo de comparação de crédito precisa ser estruturado Caminhos para estruturar a comparação de propostas de crédito Precisa de apoio para comparar propostas de crédito e identificar o custo real das operações da sua empresa? Perguntas frequentes O que é CET em crédito empresarial? Por que comparar propostas pelo CET e não pela taxa de juros? Qual a diferença entre taxa nominal e CET? O que o CET inclui além dos juros? Como exigir e conferir o CET de uma proposta de crédito? Fontes e referências
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Como este tema funciona no porte da sua empresa

Pequena (até 50 funcionários)

O gestor frequentemente aceita a proposta do banco de relacionamento sem comparar. A taxa de juros nominal é usada como único critério — sem olhar IOF, seguros, tarifas e a equivalência entre taxa mensal e anual. O CET raramente é solicitado por escrito antes da assinatura, mesmo sendo informação obrigatória.

Média (51–500 funcionários)

Já compara propostas de mais de um banco, mas nem sempre usa o CET como critério padrão — e às vezes compara taxas nominais com periodicidades diferentes (mensal vs. anual) sem fazer a equivalência correta. O analista financeiro precisa transformar a comparação por CET em parte fixa do processo de contratação de qualquer crédito.

Grande (+500 funcionários)

A tesouraria usa o CET como critério padrão de comparação e mantém tabela interna com todas as operações ativas e seus custos efetivos. A gestão da dívida inclui revisão periódica para identificar oportunidades de refinanciamento a custo menor e acompanhar o custo médio ponderado do passivo.

O Custo Efetivo Total (CET) é a taxa que expressa, de forma consolidada, o custo real de uma operação de crédito em percentual ao ano, reunindo todos os encargos e despesas: a taxa de juros, os tributos (como o IOF), as tarifas, os seguros, as amortizações e demais despesas vinculadas à operação. No Brasil, o Banco Central obriga a instituição financeira a informar o CET e a apresentar o demonstrativo de cálculo antes da contratação[1]. É o único número que permite comparar propostas de crédito de forma justa, porque normaliza estruturas de encargos diferentes em uma única taxa anual.

Por que comparar pelo CET, e não pela taxa de juros

Comparar propostas pelo CET, e não pela taxa de juros nominal, é a única forma de saber qual crédito é realmente mais barato. A taxa nominal é o número mais visível de uma proposta e o menos informativo: ela remunera apenas o capital emprestado e ignora IOF, tarifas, seguros e o efeito da capitalização composta. Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter custos finais muito diferentes — e só o CET revela isso.

O que a taxa nominal esconde

A taxa nominal não inclui nenhum dos custos acessórios da operação. Um banco pode anunciar uma taxa atraente e recompor a margem em tarifa de cadastro, seguro prestamista obrigatório ou financiamento do próprio IOF dentro da operação. Como esses itens não aparecem na taxa, a proposta parece mais barata do que é. O CET é justamente a métrica criada para impedir essa distorção: ele recoloca todos os encargos dentro de uma única taxa anual.

Por que o CET é a métrica padrão definida pelo Banco Central

O CET é a taxa que, segundo a definição do Banco Central, representa de forma consolidada os encargos e as despesas da operação na data do cálculo[1]. Ele existe exatamente para dar ao tomador um número comparável entre instituições. Por isso a regra prática é simples: ao receber duas ou mais propostas, a primeira pergunta não é "qual a taxa?", e sim "qual o CET anual de cada uma?".

Por que o CET é sempre maior que a taxa nominal

O CET é sempre maior ou igual à taxa de juros nominal porque incorpora encargos que a taxa não contém. Se em alguma proposta o CET informado for igual à taxa nominal anunciada, isso significa que não há tarifas, seguros nem IOF embutidos — o que é raro em crédito empresarial. Um CET muito próximo da taxa nominal merece conferência: ou a operação é de fato enxuta, ou algum encargo não foi corretamente computado no demonstrativo.

O que entra no CET além dos juros

Além da taxa de juros, o CET incorpora todos os valores cobrados do tomador ao longo da operação: tributos, tarifas, seguros, amortizações e qualquer outro encargo vinculado ao crédito[1]. Conhecer esses componentes é o que permite ao gestor entender por que dois créditos com a mesma taxa podem custar diferente.

IOF sobre crédito

O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um tributo que incide sobre a operação de crédito e tem dois componentes: uma parcela diária, proporcional ao saldo devedor e ao prazo, e uma parcela adicional cobrada sobre o valor contratado. O IOF cresce com o prazo até um teto e pode representar fatia relevante do custo, sobretudo em operações curtas, em que ele se dilui em poucas parcelas. Como as alíquotas de IOF são definidas por norma e mudam por decreto, o valor exato deve ser confirmado na proposta e no demonstrativo de cálculo — o que importa para a comparação é que o IOF já está dentro do CET.

Tarifas de cadastro e de avaliação

As tarifas de cadastro e de avaliação são cobradas no início da operação e funcionam como custo fixo. Em créditos de valor menor, uma tarifa de cadastro alta eleva o CET de forma desproporcional, porque é diluída sobre um principal pequeno. É um dos motivos pelos quais a mesma linha pode ter CET diferente para valores diferentes: o custo fixo pesa mais no crédito menor.

Seguros vinculados à operação

Algumas linhas de crédito vinculam seguro — prestamista, de vida ou de garantia — cujo prêmio entra no custo total. Quando o prêmio é proporcional ao saldo devedor, ele cai conforme a dívida amortiza; quando é fixo, pesa igual do começo ao fim. O gestor deve identificar se o seguro é exigência da linha ou um adicional negociável, porque isso muda o CET e, às vezes, a própria comparação entre bancos.

Tarifas de manutenção, amortizações e o efeito da capitalização

Entram ainda as tarifas de manutenção e cobrança (administração da operação, emissão de boleto) e as próprias amortizações no fluxo de pagamentos. Por cima de tudo isso vem o efeito da capitalização composta: 1,8% ao mês não equivale a 21,6% ao ano, e sim a aproximadamente 23,9% ao ano (o cálculo é (1,018)¹² − 1, e não 1,8% × 12). Com IOF, tarifas e seguros somados a esse efeito, uma operação anunciada a 1,8% ao mês pode chegar a um CET na casa de 28% a 32% ao ano, dependendo dos encargos embutidos.

Taxa nominal x CET: por que os dois números convivem na proposta

A taxa nominal e o CET aparecem juntos na proposta porque cumprem funções diferentes: a taxa de juros remunera o capital, e o CET mede o custo total. A norma do Banco Central exige inclusive que, nos informes publicitários em que a taxa de juros é apresentada, o CET também seja informado[1]. Os dois não competem — o erro é usar a taxa nominal para decidir.

Para que serve a taxa de juros na decisão

A taxa de juros é útil para negociar a margem do banco e entender a remuneração do capital isoladamente. Em uma renegociação, faz sentido discutir a taxa. Mas, para decidir entre propostas, a taxa sozinha é insuficiente porque ignora os encargos. Negocie a taxa; decida pelo CET.

Por que comparar taxa mensal com taxa anual distorce a decisão

Comparar uma taxa mensal de uma proposta com uma taxa anual de outra é um erro que distorce completamente a decisão, porque envolve capitalização composta. Para converter taxa mensal em anual, usa-se (1 + taxa mensal)¹² − 1, não a multiplicação por 12. Antes de qualquer comparação, todas as taxas — nominais e CET — precisam estar na mesma base temporal, de preferência a anual, que é como o Banco Central determina que o CET seja divulgado[1].

Como ler e exigir o CET na documentação

O CET deve estar informado na proposta e detalhado em um demonstrativo de cálculo que a instituição é obrigada a apresentar antes da contratação[1]. O gestor não precisa pedir um favor: trata-se de informação obrigatória, e a recusa em fornecê-la por escrito é, por si só, um sinal de alerta.

Onde o CET aparece e o que o demonstrativo deve conter

O CET costuma aparecer na proposta de crédito ou na planilha de condições, expresso como "CET a.a." (ao ano). Além da taxa, a instituição deve apresentar o demonstrativo de cálculo, que informa o valor em reais de cada componente do fluxo de recebimentos e pagamentos e o somatório das parcelas da operação[1]. É esse demonstrativo que permite ver, item a item, quanto é juros, quanto é IOF, quanto é tarifa e quanto é seguro.

Como exigir o CET por escrito

A forma prática de exigir o CET é pedir, antes de assinar, a proposta com o CET anual e o demonstrativo de cálculo de cada banco — sempre por escrito ou em PDF, não verbalmente. Com os dois documentos em mãos, o gestor compara propostas que falam a mesma língua. Se uma instituição entrega o demonstrativo completo e a outra só informa a taxa, a primeira já está em vantagem de transparência.

Como conferir se o CET informado faz sentido

Para conferir se o CET informado é coerente, o gestor pode reconstruir o fluxo de pagamentos e checar a aritmética. O Banco Central mantém a Calculadora do Cidadão, ferramenta pública que simula financiamentos com prestações fixas e ajuda a verificar a taxa embutida em uma operação a partir do número de parcelas, do valor financiado e do valor da prestação[2]. Ela é referência de conferência — não substitui o cálculo oficial do banco, mas indica quando o número informado destoa do fluxo real.

Exemplo: duas propostas com a mesma taxa e CET diferente

A mesma taxa de juros pode esconder custos totais muito diferentes — e é nessa situação que comparar pelo CET muda a decisão. O exemplo abaixo é uma ilustração didática, com valores arredondados para demonstrar o mecanismo; os números de uma operação real vêm sempre do demonstrativo de cálculo de cada banco.

Suponha uma empresa que precisa de R$ 100.000 de capital de giro, em 12 parcelas, e recebe duas propostas anunciando a mesma taxa de juros de 1,8% ao mês:

Componente Proposta A Proposta B
Valor liberado R$ 100.000 R$ 100.000
Taxa de juros nominal 1,8% ao mês 1,8% ao mês
Tarifa de cadastro R$ 0 R$ 1.500
Seguro prestamista Não exige Exige (prêmio mensal sobre o saldo)
IOF Dentro da operação Dentro da operação
CET anual (ilustrativo) ~26% a.a. ~33% a.a.

As duas propostas anunciam a mesma taxa, mas a Proposta B embute uma tarifa de cadastro e um seguro obrigatório que a Proposta A não tem. Resultado: o CET da B é vários pontos percentuais maior, ainda que a taxa de juros seja idêntica. Quem decide pela taxa nominal acharia as propostas equivalentes; quem decide pelo CET vê na hora que a A é mais barata.

Como interpretar a diferença de CET na prática

A diferença de CET entre as duas propostas representa, em reais, quanto a empresa pagaria a mais escolhendo a B com a mesma taxa. Por isso a comparação não pode parar na taxa: o gestor deve exigir o CET e o demonstrativo das duas, alinhar a base anual e olhar o somatório das parcelas. É comum que a proposta de taxa "igual" ou até "menor" seja a mais cara quando o CET entra na conta.

Por que comparar o fluxo total de pagamentos, não só a parcela

Comparar pela parcela mensal isolada engana, porque uma parcela menor pode esconder um prazo mais longo e um custo total maior. O critério correto é somar todas as parcelas previstas e subtrair o valor recebido — isso revela o custo absoluto da operação em reais. O CET resume esse fluxo em uma taxa; o somatório das parcelas mostra o impacto no caixa. Olhar os dois evita escolher a proposta de menor parcela e maior custo.

Passo a passo para comparar duas propostas de crédito

A comparação correta entre propostas exige converter tudo para a mesma base e incluir todos os encargos. O roteiro abaixo padroniza a decisão e evita os erros mais comuns:

  1. Solicitar o CET de cada proposta por escrito — não a taxa nominal. É informação obrigatória, com demonstrativo de cálculo, antes da contratação[1].
  2. Colocar todos os CET na mesma base anual — CET mensal precisa ser convertido para anual por (1 + CET mensal)¹² − 1. Comparar mensal com anual diretamente distorce a decisão.
  3. Conferir o demonstrativo de cálculo — verificar item a item quanto é juros, IOF, tarifa e seguro, e checar se o somatório das parcelas bate com o fluxo informado.
  4. Comparar o fluxo total de pagamentos — somar todas as parcelas e subtrair o valor recebido para obter o custo absoluto, em reais, de cada proposta.
  5. Identificar componentes que variam com o saldo — seguros e IOF diário caem com amortização antecipada; tarifas fixas, não. Isso muda o custo real se houver intenção de quitar antes.
  6. Checar condições de liquidação antecipada — confirmar se há tarifa de liquidação antecipada, que afeta o custo se a empresa puder quitar antes do vencimento.
Pequena (até 50 funcionários)

A comparação é feita pelo próprio gestor, com planilha simples e a Calculadora do Cidadão para conferir o cálculo. O passo decisivo é solicitar o CET por escrito antes de assinar e comparar pelo menos duas propostas de bancos diferentes — não aceitar a taxa nominal como referência.

Média (51–500 funcionários)

O analista financeiro mantém planilha de comparação com CET, fluxo de pagamentos e custo total. Para operações acima de determinado valor, política interna exige comparar pelo menos três propostas e anexar os demonstrativos de cálculo antes da aprovação do gestor.

Grande (+500 funcionários)

A tesouraria usa sistema de gestão de dívida que registra todas as operações ativas com CET, vencimento e saldo devedor. A comparação de novas propostas inclui análise de impacto no custo médio ponderado da dívida total.

O que questionar antes de assinar: pegadinhas e checklist

Antes de assinar qualquer operação, o gestor deve ter respostas claras para perguntas que costumam revelar custos escondidos. As pegadinhas mais frequentes aparecem justamente nos itens que a taxa nominal não mostra.

As perguntas que o gestor deve fazer

Antes de assinar, exija resposta por escrito para estas perguntas:

  1. Qual o CET anual da operação? Se o banco não fornecer por escrito com o demonstrativo, é sinal de alerta.
  2. Há seguro vinculado? Se sim, qual o prêmio, como é calculado (saldo devedor ou valor fixo) e se é exigência da linha ou adicional negociável.
  3. Qual o valor da tarifa de cadastro? Em operações menores, tarifas altas elevam muito o CET.
  4. Há carência e qual o impacto? Na carência os juros correm sem amortização — o saldo cresce e o custo total sobe.
  5. Qual o custo de liquidação antecipada? Verificar antes, sobretudo se houver perspectiva de quitar antes do vencimento.

Pegadinhas mais comuns nas propostas

As armadilhas recorrentes têm em comum o fato de ficarem fora da taxa nominal. As mais frequentes são: IOF financiado dentro da própria operação (que aumenta o principal sobre o qual incidem juros); seguro prestamista apresentado como "incluso" sem destaque do prêmio; tarifa de cadastro diluída na primeira parcela; comparação proposital de taxa mensal de um banco com taxa anual de outro; e parcela menor obtida por prazo mais longo, que eleva o custo total. Todas desaparecem quando a decisão é tomada pelo CET e pelo somatório das parcelas, não pela taxa.

Quando o CET mais baixo não é a melhor escolha

O CET é o critério principal de custo, mas não é o único critério de decisão — há situações em que a proposta de menor CET não é a mais adequada. Reconhecer essas exceções evita decisões corretas no número e erradas no contexto.

Quando o prazo não combina com a necessidade

Um crédito de CET menor em prazo curto pode ser pior que um de CET maior em prazo adequado, se a necessidade de caixa é longa. O prazo curto gera parcelas maiores que consomem mais caixa por mês; se a empresa não suporta esse fluxo, o CET baixo não ajuda. A decisão precisa equilibrar custo (CET) e capacidade de pagamento (parcela vs. caixa).

Quando a garantia tem custo de oportunidade

Um CET baixo que exige dar um ativo estratégico em garantia carrega um custo que não aparece na taxa. Se o imóvel ou equipamento dado em garantia poderia ser usado para outro crédito, vendido ou ficar livre, esse custo de oportunidade entra na decisão. Às vezes vale pagar um CET um pouco maior para manter o ativo desonerado.

Quando a flexibilidade de uso pesa mais

Linhas de CET menor costumam ter restrição de finalidade — só capital de giro, só equipamento específico. Se a necessidade da empresa é mais ampla ou incerta, uma linha mais cara e mais flexível pode ser a escolha mais adequada. O CET informa o custo; o encaixe com a necessidade informa o valor.

Sinais de que o processo de comparação de crédito precisa ser estruturado

Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, a empresa pode estar pagando mais pelo crédito do que o necessário por falta de critério na comparação de propostas.

  • A empresa compara propostas de crédito pela taxa de juros nominal, sem converter para a mesma base.
  • O CET nunca foi solicitado por escrito ao banco, com o demonstrativo de cálculo, antes de assinar.
  • A parcela mensal do empréstimo ficou maior do que o esperado pela taxa negociada.
  • Seguros e tarifas foram surpresa no extrato depois da contratação do crédito.
  • A empresa assinou operações com taxas mensais e anuais sem convertê-las para a mesma base.
  • Nunca foi montada uma tabela com todas as operações de crédito ativas e seus custos efetivos reais.
  • O gestor decide entre propostas pela menor parcela, sem somar o fluxo total de pagamentos.

Caminhos para estruturar a comparação de propostas de crédito

Implementar o uso do CET como critério padrão pode ser feito com recursos internos ou com apoio especializado, dependendo do volume de operações e da complexidade do relacionamento bancário.

Implementação interna

Criar a disciplina de sempre solicitar e comparar o CET, com o demonstrativo de cálculo, antes de qualquer contratação de crédito.

  • Perfil necessário: gestor financeiro ou analista que aprende a exigir e conferir o CET e a montar planilha de comparação de propostas, usando a Calculadora do Cidadão para checagem.
  • Tempo estimado: cerca de 1 semana para criar o processo; aplicação imediata nas próximas contratações.
  • Faz sentido quando: o volume de operações é gerenciável e o gestor consegue tratar diretamente com os bancos.
  • Risco principal: sem benchmark de mercado, o gestor não sabe se as condições obtidas são competitivas frente ao que empresas de perfil similar conseguem.
Com apoio especializado

Consultoria que centraliza a comparação de propostas, negocia com múltiplos bancos e identifica o custo real das operações ativas.

  • Tipo de fornecedor: Consultoria Financeira ou assessoria em Capital de Giro / Crédito Empresarial.
  • Vantagem: acesso a múltiplas instituições, benchmark de condições de mercado e capacidade de renegociar operações ativas de custo alto.
  • Faz sentido quando: há volume alto de operações ativas, necessidade de renegociar ou falta de tempo para comparar propostas de vários bancos.
  • Resultado típico: mapa de operações ativas com CET real, operações a renegociar identificadas e processo padronizado de comparação para novas contratações.

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Perguntas frequentes

O que é CET em crédito empresarial?

CET é o Custo Efetivo Total — a taxa que expressa, de forma consolidada, o custo real de uma operação de crédito em percentual ao ano, reunindo todos os encargos: juros, tributos como o IOF, tarifas, seguros, amortizações e demais despesas vinculadas à operação. O Banco Central obriga a instituição a informar o CET e a apresentar o demonstrativo de cálculo antes da contratação. É o único número que permite comparar propostas de crédito de forma justa.

Por que comparar propostas pelo CET e não pela taxa de juros?

Porque a taxa de juros nominal remunera apenas o capital e ignora IOF, tarifas, seguros e o efeito da capitalização composta. Duas propostas com a mesma taxa podem ter custos finais muito diferentes, dependendo dos encargos embutidos. O CET reúne todos esses itens em uma única taxa anual comparável — por isso é o número correto para decidir entre propostas.

Qual a diferença entre taxa nominal e CET?

A taxa nominal é só a remuneração do capital emprestado — não inclui IOF, tarifas, seguros nem o efeito da capitalização composta. O CET inclui todos esses componentes e é sempre maior ou igual à taxa nominal. A taxa serve para negociar a margem do banco; o CET serve para decidir entre propostas.

O que o CET inclui além dos juros?

O CET inclui o IOF, as tarifas de cadastro e avaliação, os seguros vinculados à operação, as tarifas de manutenção e cobrança, as amortizações e o efeito da capitalização composta na conversão da taxa mensal para anual. Por isso uma operação anunciada a 1,8% ao mês pode chegar a um CET na casa de 28% a 32% ao ano com todos esses encargos somados.

Como exigir e conferir o CET de uma proposta de crédito?

O CET é informação obrigatória: a instituição deve informá-lo e apresentar o demonstrativo de cálculo antes da contratação. Peça os dois por escrito ou em PDF, de cada banco, e confira item a item quanto é juros, IOF, tarifa e seguro. Para checar a coerência do número, a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, simula financiamentos com prestações fixas e ajuda a verificar a taxa embutida na operação.

Fontes e referências

  1. Banco Central do Brasil / Conselho Monetário Nacional. Resolução CMN nº 4.881, de 23 de dezembro de 2020 — dispõe sobre o cálculo e a informação do Custo Efetivo Total (CET). bcb.gov.br.
  2. Banco Central do Brasil. Calculadora do Cidadão — Financiamento com prestações fixas. bcb.gov.br.