Como este tema funciona no porte da sua empresa
Os erros mais comuns são de avaliação inicial: escolher o plano barato sem verificar o que está incluído, não visitar o espaço em horário de pico, e contratar sem confirmar se o endereço serve como endereço fiscal para a atividade e cidade da empresa.
Erros de gestão aparecem com mais frequência: não controlar o consumo de horas de sala por usuário, não negociar o plano corporativo adequado ao volume, e não revisar o contrato quando a equipe cresceu além do que o plano original previa.
Erros de governança: contratos sem SLA documentado, sem relatório de uso por centro de custo, e sem cláusula de saída adequada ao volume do contrato. O gestor de facilities precisa garantir que o processo de contratação é formal e que o contrato protege a empresa.
Os erros mais frequentes na contratação de coworking se concentram em três momentos: a escolha do plano (avaliar pelo preço sem verificar o que está incluído), a assinatura do contrato (ignorar cláusulas de cancelamento, reajuste e gestão de usuários) e o uso contínuo (não controlar o consumo mensal nem atualizar o plano quando a equipe muda). Cada um desses erros tem consequência prática e previsível — e todos são evitáveis com checagem antecipada.
Os 10 erros mais frequentes ao contratar e usar coworking
Os erros abaixo são os mais frequentes relatados por gestores que passaram pelo processo — cada um vem com a descrição do que acontece e o que fazer em vez disso.
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Escolher o plano pelo preço sem verificar o que está incluído. O plano mais barato da lista frequentemente não inclui sala de reunião, endereço fiscal, impressão ou acesso à cozinha. O gestor contrata pelo valor da mensalidade e descobre depois que os itens que mais usa são cobrados à parte — e que o custo real está 40% acima do que esperava.
O que fazer: antes de comparar preços, listar os itens que a empresa efetivamente vai usar todo mês — salas de reunião, endereço, correspondências, café — e verificar se estão incluídos em cada plano. Comparar o custo total, não só a mensalidade base.
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Não visitar o espaço em horário de pico. A visita foi feita às 9h de uma segunda-feira — o coworking estava vazio, silencioso e com mesas disponíveis. O problema apareceu nas terças e quartas, das 10h às 16h: mesa cheia, sala de reunião com fila e nível de ruído incompatível com chamadas de vídeo.
O que fazer: visitar o coworking em dois horários distintos — manhã e tarde de um dia de meio de semana — para ver o comportamento real do espaço em horário de pico. Verificar a taxa de ocupação média com o operador e se há sistema de reserva de mesa além da sala de reunião.
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Não testar a qualidade da internet antes de contratar. O operador informou a velocidade contratada do link. O que importava era a velocidade real disponível por usuário em horário de pico — que era significativamente menor quando o espaço estava cheio. A equipe descobriu isso na primeira reunião com cliente em videochamada.
O que fazer: durante a visita, conectar ao Wi-Fi do coworking e rodar um teste de velocidade (speedtest.net ou equivalente). Fazer o teste em horário de movimento, não em horário vazio. Verificar se há link redundante e o que acontece quando o link principal cai.
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Contratar sem ler a cláusula de cancelamento. A empresa precisou sair antes do prazo por crescimento de equipe e foi surpreendida pela multa de rescisão equivalente a três mensalidades — que não havia sido notada na assinatura porque o contrato era "padrão".
O que fazer: antes de assinar, localizar e ler especificamente a cláusula de cancelamento: aviso prévio mínimo em dias, multa por rescisão antecipada (valor ou fórmula de cálculo) e o que acontece com créditos ou horas não utilizados. Negociar o aviso prévio e a multa antes de assinar, especialmente em contratos semestrais e anuais.
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Não verificar se o endereço do coworking serve como endereço fiscal para a atividade da empresa. Nem todo endereço de coworking é aceito para todas as atividades e em todas as cidades. A empresa contratou, usou o endereço no CNPJ e meses depois descobriu que a atividade não era permitida naquela localização pelo zoneamento municipal.
O que fazer: antes de contratar o serviço de endereço fiscal, confirmar com o operador se o endereço é aceito para a atividade e o município da empresa. Verificar com o contador ou com a junta comercial local se há restrições de zoneamento para a atividade específica.
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Não controlar o consumo mensal de horas de sala avulsa. O plano inclui 4 horas de sala de reunião por mês. A equipe usou 12 horas em dois meses seguidos sem que ninguém acompanhasse o consumo. A fatura veio com 8 horas avulsas cobradas à parte — o que ninguém esperava.
O que fazer: definir quem é o responsável por acompanhar o consumo de horas de sala mensalmente — normalmente o gestor administrativo ou o responsável por facilities. Verificar no portal do operador se há alerta de consumo próximo ao limite da franquia. Revisar a fatura até o 5º dia útil de cada mês.
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Não remover cartões de acesso de ex-funcionários. Em planos por usuário, o cartão de acesso de quem saiu da empresa continua ativo enquanto não for cancelado — e o custo por usuário continua sendo cobrado. A empresa pagou por dois usuários inativos por quatro meses sem perceber.
O que fazer: incluir no processo de offboarding de colaboradores o cancelamento do cartão de acesso ao coworking como um dos passos obrigatórios, junto com o desligamento dos sistemas e a devolução de equipamentos.
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Contratar plano para dois usuários e ter seis pessoas usando o espaço sem informar o operador. O plano formal cobria dois usuários, mas a equipe cresceu e todos passaram a usar o espaço — sem atualizar o contrato. Além do problema contratual, isso gera risco de o operador recusar o acesso de usuários não cadastrados.
O que fazer: atualizar o contrato toda vez que a equipe que usa o coworking muda — adicionando usuários ao plano ou migrando para um plano maior. Além de regularizar a situação, o operador pode oferecer desconto por volume que torna o upgrade mais econômico do que parece.
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Não verificar a cobertura da rede ao expandir para nova cidade com o mesmo operador. A empresa abriu equipe em nova cidade e assumiu que o operador tinha unidade lá — porque tinha em três outras cidades. Quando foi usar, descobriu que aquela praça não estava na rede e o acesso seria avulso, a um custo significativamente maior.
O que fazer: antes de expandir para nova cidade, verificar explicitamente com o operador se aquela praça está coberta pelo contrato atual e a que custo. Solicitar a lista atualizada de unidades da rede por escrito.
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Manter o contrato além do ponto em que o coworking deixou de ser a opção mais eficiente por inércia. A conta nunca foi feita porque "estava funcionando" — mas o custo do coworking já estava equivalente ao aluguel de um escritório pequeno há meses, e ninguém havia revisado a comparação.
O que fazer: estabelecer uma revisão semestral do custo do coworking versus alternativas disponíveis no mercado local. A revisão leva menos de 2 horas e evita meses de custo desnecessário por inércia.
Sinais de que algum desses erros já aconteceu na sua empresa
Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, há pelo menos um dos erros acima afetando o custo ou a operação do coworking atual.
- A fatura de coworking veio mais alta que o esperado por itens que não estavam claros no contrato.
- A empresa precisou sair do coworking e foi surpreendida pela multa de rescisão ou pelo prazo de aviso prévio.
- Há cartões de acesso ativos para colaboradores que já saíram da empresa.
- O espaço escolhido está lotado nos horários em que a equipe mais usa — e isso só ficou evidente depois de contratar.
- A internet caiu durante reunião com cliente porque a redundância não foi verificada antes de contratar.
- A revisão do custo do coworking versus alternativas não foi feita nos últimos 12 meses.
Caminhos para contratar o coworking sem erros
O processo de escolha e contratação de coworking pode ser conduzido internamente pelo gestor — usando o checklist de itens a verificar — ou com apoio especializado para contratos de maior volume.
O gestor usa os critérios deste artigo para revisar o contrato atual ou avaliar o próximo coworking antes de contratar.
- Perfil necessário: o próprio gestor administrativo conduz a avaliação com base nos pontos críticos descritos — não exige equipe especializada.
- Tempo estimado: 1 a 2 dias para avaliar o contrato e verificar os pontos antes de assinar.
- Faz sentido quando: o contrato é individual ou corporativo de pequeno volume, sem cláusulas atípicas ou prazo muito longo.
- Risco principal: assinar rapidamente por pressão de prazo sem verificar os pontos críticos.
Para contratos corporativos de maior volume que justifiquem revisão com consultoria de facilities ou apoio jurídico.
- Tipo de fornecedor: Coworking (para negociação de plano corporativo).
- Vantagem: negociação com base em conhecimento do mercado — identificação de cláusulas fora do padrão e das margens de negociação do operador.
- Faz sentido quando: o contrato envolve múltiplos usuários, múltiplas cidades ou valor mensal que justifica investir tempo na negociação.
- Resultado típico: contrato com condições negociadas, cláusulas de saída adequadas e SLA documentado.
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Perguntas frequentes
Quais erros evitar ao escolher um coworking?
Os erros mais frequentes na escolha são: comparar planos pelo preço sem verificar o que está incluído; não visitar o espaço em horário de pico para avaliar a ocupação real; e não testar a internet durante a visita. Os três erros têm consequências práticas imediatas — custo mais alto do que o esperado, espaço que não comporta a equipe nos melhores horários e internet que trava em reunião com cliente.
Por que o coworking ficou mais caro do que o esperado?
Geralmente porque os itens variáveis da fatura — horas de sala avulsa além da franquia, serviços adicionais como impressão e acesso em outras unidades — não foram considerados na estimativa de custo. O plano de coworking é a mensalidade base, mas o custo real inclui tudo que é cobrado a mais. Revisar a fatura dos primeiros três meses e comparar com o que foi estimado revela o padrão de consumo real.
O que costuma dar errado na contratação de coworking?
Os problemas mais comuns são: não ler a cláusula de cancelamento antes de assinar (e ser pego pela multa quando precisou sair); não verificar se o endereço serve como endereço fiscal para a atividade; e não controlar o consumo de horas de sala mensalmente. Todos são evitáveis com checagem anterior à assinatura.
Como evitar cobranças surpresa no coworking?
Listando todos os itens do plano e o que é cobrado à parte antes de contratar; acompanhando o consumo de horas de sala mensalmente no portal do operador; revisando a fatura até o 5º dia útil de cada mês; e removendo imediatamente o acesso de colaboradores que saíram da empresa. As surpresas na fatura têm causas específicas — e cada uma tem uma rotina de prevenção simples.
Erros de contrato que geram multa no coworking?
O principal é assinar um contrato de prazo mais longo — semestral ou anual — sem verificar a multa por rescisão antecipada e sem avaliar se a empresa vai precisar de flexibilidade dentro desse prazo. Contratos anuais têm o melhor custo por mês, mas prendem a empresa na estrutura. Se há incerteza sobre o crescimento da equipe ou sobre a necessidade de mudança de espaço, o prazo mais curto protege mais do que o desconto compensa.
Fontes e referências
- Associação Brasileira de Coworking (ABCo). Práticas de contratação e principais dificuldades dos usuários corporativos de coworking no Brasil. Relatório setorial.