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Erros comuns em governança e controles

Conheça erros frequentes e como evitá-los.
Atualizado em: 01 de junho de 2026
Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa Por que os erros de governança são silenciosos antes de se tornarem graves Os 10 erros mais comuns em governança e controles Padrão de consequência por porte Sinais de que erros de governança e controles estão presentes na empresa Caminhos para identificar e corrigir falhas de governança e controles Precisa de apoio para identificar e corrigir falhas de governança e controles na sua empresa? Perguntas frequentes Quais são os erros mais comuns em governança corporativa? O que fazer quando os controles internos não funcionam? Por que os controles são criados mas não seguidos? Quais erros de controle levam a fraudes internas? Como evitar falhas de governança na empresa pequena? Fontes e referências
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Como este tema funciona no porte da sua empresa

Pequena (até 50 funcionários)

Os erros mais comuns são estruturais — acumulação de funções incompatíveis, ausência de qualquer controle formal, confiança excessiva em pessoas sem supervisão e mistura de contas PF/PJ. O principal agravante é a resistência do sócio a formalizar controles que "nunca precisaram existir antes".

Média (51–500 funcionários)

Os erros migram para falhas de implementação — controles existem no papel mas não são seguidos na prática, políticas foram criadas e esquecidas, aprovações por WhatsApp sem registro, alçadas desatualizadas. O risco é a aparência de controle sem a substância: o gestor acredita que os controles estão funcionando porque existem documentados.

Grande (+500 funcionários)

Os erros são mais sutis — relatórios para o comitê que omitem problemas reais, controles documentados que ninguém testa, planos de ação que nunca fecham, sobreposição de controles que se anulam. O risco é a burocracia de governança sem efetividade: muitos documentos, pouca substância.

Erro de governança e controles é qualquer omissão, falha de design ou falta de cumprimento de controles internos que cria risco para os ativos, a informação ou a reputação da empresa — sem necessariamente envolver má-fé. A maioria dos erros de governança não é intencional: são o resultado de controles inexistentes, controles mal desenhados ou controles que existem no papel mas não na prática.

Por que os erros de governança são silenciosos antes de se tornarem graves

A característica mais perigosa dos erros de governança é que eles não geram sinal imediato — a empresa funciona normalmente por meses ou anos com controles ausentes ou falhos, até que algo muda e o risco se materializa. O pagamento duplicado que ninguém percebeu. O acesso ao sistema que não foi revogado quando o colaborador saiu. A política de compras que está no servidor mas nunca foi lida.

Segundo a Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), no Report to the Nations — pesquisa que mapeia fraudes ocupacionais em empresas de diferentes portes —, a mediana do tempo entre o início de uma fraude e a sua detecção é de 12 meses. Isso significa que, em metade dos casos, a fraude acontece por ao menos um ano antes de alguém perceber. E a causa mais frequente em empresas pequenas e médias é a ausência de controles básicos.

O gestor administrativo que conhece os erros mais comuns está em melhor posição para identificá-los antes que causem problema maior. A lista abaixo não é teórica — é o padrão observado em empresas de diferentes portes, e cada erro tem análise de causa e abordagem de correção.

Os 10 erros mais comuns em governança e controles

Os erros abaixo estão ordenados por frequência de ocorrência entre empresas pequenas e médias. Para cada um, a análise de causa identifica por que o erro acontece — e a abordagem de correção indica o que o gestor pode fazer para eliminar ou reduzir o risco.

  1. Acumular funções incompatíveis na mesma pessoa (custódia + autorização + registro):
    O que é: a mesma pessoa solicita a compra, aprova, paga e registra no sistema — sem que nenhum outro agente revise. Qualquer erro (ou fraude) passa sem supervisão.
    Causa: falta de pessoal ou desconhecimento de que a acumulação é um risco — "confiamos nela há anos".
    Correção: controle compensatório mínimo — o sócio revisa o extrato quinzenalmente, o contador concilia mensalmente, um segundo usuário aprova transferências acima do limite.
  2. Controles documentados que ninguém segue:
    O que é: a política existe, foi escrita e publicada, mas na prática o processo acontece de forma diferente — e ninguém atualiza a política para refletir a realidade.
    Causa: processo desenhado sem envolvimento de quem executa; política criada como requisito burocrático, não como instrumento de controle real.
    Correção: construir a política com o time que vai executá-la, testar antes de formalizar, revisar anualmente com base no que acontece na prática.
  3. Aprovações por mensagem sem registro formal:
    O que é: compras, pagamentos e contratos são aprovados por WhatsApp — e as mensagens se perdem na conversa, não há evidência organizada de que a aprovação aconteceu.
    Causa: agilidade sem controle — o processo informal é mais rápido, e ninguém questionou até aparecer uma auditoria ou um problema.
    Correção: e-mail de aprovação com cópia arquivada, aprovação em sistema com log, ou ata de reunião com a deliberação — qualquer das três gera evidência.
  4. Alçadas vinculadas a nomes, não a cargos:
    O que é: a matriz de alçadas diz "o João aprova até R$ 50 mil" — mas o cargo do João é Gerente Financeiro. Quando o João sai, as alçadas ficam sem responsável até que alguém decida o que fazer.
    Causa: personalização natural — alçadas foram criadas quando as pessoas que ocupam os cargos estavam definidas, e nunca foram formalizadas por cargo.
    Correção: reformular a matriz de alçadas por cargo, revisá-la a cada mudança relevante de estrutura.
  5. Políticas criadas e nunca revisadas:
    O que é: a política de compras foi escrita há três anos, o processo mudou duas vezes desde então, mas o documento continua igual. Quando alguém segue a política, segue um processo desatualizado.
    Causa: ciclo de revisão inexistente — ninguém é responsável por manter as políticas atualizadas.
    Correção: designar responsável por cada política, incluir data da última revisão e data da próxima no próprio documento, criar ciclo anual de revisão no calendário.
  6. Acesso a sistemas não revisto quando colaborador muda de função ou sai:
    O que é: o colaborador que saiu ainda tem usuário ativo no ERP, no internet banking e no e-mail corporativo — ou o colaborador que mudou de cargo ainda tem permissões do cargo anterior que já não são adequadas.
    Causa: ausência de processo de offboarding de acesso — o TI revoga o e-mail, mas não os outros sistemas; o RH não comunica o TI e o financeiro.
    Correção: checklist de desligamento obrigatório com item específico de revogação de acesso a cada sistema, responsável designado e prazo.
  7. Confiança excessiva em pessoa chave sem supervisão:
    O que é: "ele está aqui há 15 anos, é de confiança" — e por isso não há nenhum controle sobre o que ele faz. A maioria das fraudes internas é cometida por colaboradores de longa data com acesso irrestrito.
    Causa: cultura de confiança sem controle — a empresa trata o controle como desconfiança, em vez de como proteção mútua.
    Correção: controle compensatório independente da confiança na pessoa — conciliação por terceiro, revisão periódica do extrato pelo sócio, auditoria eventual.
  8. Relatórios de prestação de contas que omitem problemas reais:
    O que é: o pacote de informações para os sócios apresenta os resultados positivos com destaque e minimiza ou omite os problemas — por medo de represália ou para "não preocupar".
    Causa: cultura em que o mensageiro de notícia ruim sofre consequências; sócios que reagem mal a problemas em vez de tratar a informação como insumo para decisão.
    Correção: sócios precisam ser explícitos sobre a cultura de transparência esperada — e demonstrá-la na prática ao receber notícia ruim sem punir o portador.
  9. Controles criados como resposta a incidente sem análise de causa raiz:
    O que é: houve um pagamento duplicado e a resposta foi "vamos exigir duas aprovações para todo pagamento". O controle resolve o sintoma sem entender a causa — e pode ser burocrático demais para o processo real.
    Causa: gestão reativa — o incidente gera urgência, a urgência gera solução rápida, a solução rápida não resolve o problema estrutural.
    Correção: antes de definir o controle, identificar a causa raiz: por que o pagamento duplicado aconteceu? Foi erro de registro? Ausência de conciliação? Acesso compartilhado a conta? O controle deve resolver a causa, não o sintoma.
  10. Mistura de patrimônio PF/PJ com ausência de conta separada:
    O que é: a conta da empresa é usada para despesas pessoais dos sócios — aluguel, supermercado, viagem de férias — e despesas pessoais passam como despesa da empresa.
    Causa: conveniência e ausência de cultura de separação desde o início; muitas vezes começa na pessoa jurídica individual do empreendedor e nunca é corrigido com o crescimento.
    Correção: conta PJ exclusiva desde o início, pro-labore formalizado para a retirada do sócio, distribuição de lucros registrada em ata — qualquer retirada deve ter registro e denominação adequada.

Padrão de consequência por porte

O tipo de consequência dos erros de governança varia com o porte — não porque os erros sejam diferentes, mas porque o contexto de supervisão e a escala das transações são diferentes.

  • Empresa pequena: os erros estruturais (acumulação de funções, mistura PF/PJ) costumam resultar em fraude direta ou em perda financeira que só é descoberta quando o caixa aperta. A detecção é tardia porque não há outro agente que supervisione.
  • Empresa média: as falhas de implementação (controles no papel que não são seguidos) costumam resultar em fraude por pessoa de confiança que percebeu a lacuna, ou em desvios que aparecem na auditoria — com impacto de imagem e custo de correção.
  • Empresa grande: os erros de efetividade e cultura (relatórios que omitem problemas, planos de ação que não fecham) costumam aparecer em auditorias externas com ressalva, em investigações regulatórias ou em processos de due diligence que revelam lacunas que o gestor de controles não identificou.

Sinais de que erros de governança e controles estão presentes na empresa

Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, há erros de governança que precisam ser identificados e corrigidos antes que causem problema maior.

  • Já houve incidente financeiro (pagamento errado, fraude, desvio) que revelou ausência de controle básico — e o controle foi criado de forma reativa, sem análise de causa raiz.
  • Controles existem documentados, mas o gestor sabe que não são seguidos na prática — e nunca houve consequência por descumprimento.
  • A última política revisada foi há mais de dois anos — o acervo documental não reflete a realidade atual dos processos.
  • Quando um colaborador sai, os acessos a sistemas não são revogados sistematicamente — não há checklist e não há responsável definido para essa tarefa.
  • As aprovações de pagamento acontecem por mensagem sem arquivo ou registro centralizado — em uma auditoria, seria impossível provar que a aprovação aconteceu.
  • A empresa cresceu nos últimos anos, mas os controles permanecem os mesmos da época em que era menor e tinha menos pessoas com acesso.

Caminhos para identificar e corrigir falhas de governança e controles

Há dois caminhos para tratar os erros de governança, e a escolha depende da gravidade do incidente e da capacidade interna de diagnóstico.

Implementação interna

Conduzir o diagnóstico interno dos erros mais críticos e implementar as correções com o time atual.

  • Perfil necessário: gestor administrativo capaz de identificar os erros mais críticos com base na lista de 10, priorizar por risco e conduzir a correção.
  • Tempo estimado: 2 a 4 semanas para diagnóstico e priorização, mais 1 a 3 meses para implementar as correções das lacunas identificadas.
  • Faz sentido quando: a empresa não teve incidente relevante e quer conduzir uma revisão preventiva de seus controles.
  • Risco principal: o gestor que opera os controles ter dificuldade de enxergar os erros que ele mesmo cometeu — a autoavaliação tende a ser otimista.
Com apoio especializado

Revisão independente dos controles, especialmente após incidente ou antes de due diligence.

  • Tipo de fornecedor: Auditoria, Consultoria de Governança, Consultoria de Gestão.
  • Vantagem: independência da avaliação — o auditor ou consultor não tem interesse em omitir lacunas, benchmarking com empresas do mesmo setor e porte, relatório com credibilidade para apresentar aos sócios ou ao conselho.
  • Faz sentido quando: houve incidente que exige investigação independente, a empresa está em processo de due diligence, ou os sócios querem uma avaliação objetiva do estado dos controles.
  • Resultado típico: diagnóstico dos erros mais críticos entregue em 2 a 4 semanas, com plano de correção priorizado por risco e acompanhamento da implementação.

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Perguntas frequentes

Quais são os erros mais comuns em governança corporativa?

Os dez erros mais frequentes em empresas pequenas e médias são: acumulação de funções incompatíveis, controles documentados que ninguém segue, aprovações por mensagem sem registro, alçadas vinculadas a nomes e não a cargos, políticas sem ciclo de revisão, acesso a sistemas não revogado no desligamento, confiança excessiva sem supervisão, relatórios que omitem problemas, controles criados sem análise de causa raiz e mistura de patrimônio PF/PJ.

O que fazer quando os controles internos não funcionam?

Primeiro, identificar por que não funcionam — o controle existe mas não é seguido? Ou nunca foi desenhado adequadamente? Se o problema é de adesão, investigar se o processo é viável para quem executa e se há consequência pelo descumprimento. Se o problema é de design, redesenhar com envolvimento de quem executa antes de publicar.

Por que os controles são criados mas não seguidos?

Dois motivos principais: o controle foi criado sem envolvimento de quem executa — e é burocrático ou impraticável na rotina real — ou foi criado como resposta reativa a um incidente, sem reflexão sobre se resolve o problema de forma sustentável. Controles que ninguém consegue seguir na prática não são controles — são papel.

Quais erros de controle levam a fraudes internas?

Os três que mais frequentemente facilitam fraudes internas: acumulação de funções incompatíveis (quem paga também registra e concilia), confiança excessiva em pessoa chave sem supervisão independente, e aprovações por mensagem sem evidência arquivada. A ausência de qualquer desses três controles cria ambiente propício para fraude por colaborador de confiança — que, segundo o ACFE, responde pela maioria dos casos.

Como evitar falhas de governança na empresa pequena?

Implementar os cinco controles mínimos — conta PJ separada, aprovação de pagamentos por alçada, nota fiscal antes do pagamento, conciliação bancária mensal por outro agente, revisão do resultado com o sócio — e mantê-los funcionando de forma consistente. Um controle simples seguido de verdade vale mais do que dez controles documentados que ninguém aplica.

Fontes e referências

  1. Association of Certified Fraud Examiners (ACFE). Report to the Nations on Occupational Fraud and Abuse. Edição bienal. Austin: ACFE.
  2. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. 5ª edição. São Paulo: IBGC, 2015.