Como este tema funciona no porte da sua empresa
A "auditoria" pode ser uma revisão anual conduzida pelo próprio gestor com o contador: verificar o que existe, comparar com o que deveria existir e confirmar que nada foi descartado antes do prazo. Simples, mas suficiente para garantir que o arquivo está funcional e que o descarte foi feito dentro dos critérios.
A auditoria começa a precisar de roteiro formal: lista de verificação por área, amostragem de documentos, registro dos achados e plano de ação para as não conformidades encontradas. Em geral conduzida pelo gerente administrativo com apoio do contador e do jurídico.
A auditoria documental é parte do programa de auditoria interna ou de compliance, com escopo formal, metodologia definida, relatório para a direção e acompanhamento das ações corretivas. O GED pode gerar automaticamente parte dos dados necessários para a auditoria.
Auditar a guarda de documentos é verificar sistematicamente se a política de guarda da empresa está sendo seguida: se os documentos que deveriam existir existem, se estão organizados conforme a política, se os prazos de guarda estão sendo respeitados (nem menos nem mais), se os descartes realizados foram autorizados e registrados e se os documentos com dados pessoais estão com acesso controlado. A auditoria não é controle burocrático — é o mecanismo que garante que a política vive na operação, não só no papel.
O que a auditoria de guarda de documentos verifica
Uma auditoria bem conduzida verifica seis dimensões da gestão documental — cada uma com critérios específicos que revelam onde a política está sendo seguida e onde está falhando.
- Existência: os documentos que a política exige que existam estão no arquivo? A ausência de um documento que deveria existir pode representar descarte prematuro (risco imediato) ou falha de guarda (documento que nunca foi arquivado)
- Organização: os documentos estão organizados conforme a política — na categoria certa, com a nomenclatura correta, no local definido? Documentos no lugar errado são tão problemáticos quanto documentos ausentes: quando precisar, não será encontrado
- Prazo de guarda: os documentos que estão no arquivo estão dentro do prazo de guarda obrigatório? Documentos com prazo vencido ainda no acervo representam custo desnecessário e, se contêm dados pessoais, passivo de LGPD
- Descarte: os documentos que foram eliminados passaram pelo processo correto — autorização formal e registro na lista de eliminação? A ausência de registro de descarte é uma não conformidade grave: não há como provar que o documento foi eliminado dentro do prazo e com autorização
- Acesso: os documentos estão acessíveis para quem precisa e protegidos de quem não deveria ter acesso? Acesso não controlado a documentos com dados pessoais ou financeiros é risco operacional e de conformidade
- Segurança: documentos com dados pessoais estão em local de acesso controlado, tanto físico quanto digital? O acesso irrestrito a documentos de funcionários, clientes e fornecedores viola a LGPD
Passo a passo para conduzir a auditoria
A auditoria de guarda de documentos pode ser conduzida internamente sem precisar contratar especialista externo para o nível básico. O roteiro a seguir é aplicável em qualquer porte, com as adaptações de escopo indicadas no bloco de porte.
- Definir o escopo: decidir quais categorias de documentos serão auditadas neste ciclo. Auditar tudo de uma vez é pouco prático — começar pelas categorias de maior risco (fiscal e trabalhista) ou pelas que apresentaram problemas em auditorias anteriores
- Preparar a lista de verificação por categoria: para cada categoria no escopo, definir o que verificar: o documento deveria existir? Está no local correto? Está dentro do prazo de guarda? O descarte de períodos anteriores está registrado?
- Fazer amostragem: não é necessário verificar 100% dos documentos. Uma amostra representativa de cada categoria — por exemplo, 10 a 20% dos documentos de cada tipo — é suficiente para identificar padrões de conformidade e de não conformidade. Para categorias de alto risco, a amostra pode ser maior
- Comparar o que existe com o que a política define: para cada item verificado na amostra, comparar com o critério da política de guarda. Registrar as diferenças encontradas — não como julgamento, mas como achado a ser endereçado
- Verificar os prazos de guarda: para os documentos verificados, confirmar que os que estão no arquivo estão dentro do prazo e que não há documentos com prazo vencido sem eliminação pendente
- Verificar os registros de descarte: confirmar que os descartes do período anterior estão registrados na lista de eliminação, com data, responsável e o que foi eliminado
- Registrar os achados: listar as não conformidades encontradas — o que estava errado, em qual categoria, qual o critério que foi descumprido. Sem registro, a auditoria não gera melhoria
- Definir ações corretivas: para cada não conformidade, definir a ação corretiva, o responsável e o prazo. Não conformidades sem plano de ação são problemas que se repetem no próximo ciclo
O roteiro pode ser simplificado: o gestor percorre o arquivo com uma lista das categorias e confirma a existência, a organização e a ausência de descarte não registrado. O produto é um checklist preenchido — simples e suficiente para o porte.
O roteiro completo é necessário, com lista de verificação por área, amostragem formal e relatório de achados com plano de ação. O gerente administrativo coordena; o contador e o jurídico validam os achados sobre prazos de guarda.
A auditoria tem escopo, metodologia e relatório formais, com KPIs gerados parcialmente pelo GED. O relatório vai para a direção e o acompanhamento das ações corretivas é parte do programa de compliance.
Com que frequência auditar e o que fazer com os achados
Como referência de mercado, a auditoria anual é o mínimo aceitável para a maioria das categorias de documentos. Categorias com maior risco — fiscal e trabalhista — podem justificar revisão semestral, especialmente em anos de fiscalização mais ativa no setor. A frequência adequada para cada empresa depende do volume, do perfil de risco e dos resultados das auditorias anteriores.
O princípio geral: quanto mais frequente a auditoria, menor a magnitude das não conformidades encontradas. Empresas que auditam anualmente tendem a encontrar problemas menores e mais fáceis de corrigir do que empresas que auditam de três em três anos e encontram volumes de não conformidades que exigem projetos de correção.
O que fazer com os achados é tão importante quanto a auditoria em si:
- Não conformidades críticas (documento que deveria existir e não existe, descarte sem registro de períodos recentes): ação imediata, verificação com contador e jurídico sobre as implicações e plano de prevenção
- Não conformidades de organização (documento no lugar errado, nomenclatura fora do padrão): correção no ciclo de revisão do arquivo, com capacitação do responsável por área
- Documentos com prazo vencido no acervo: verificação com contador e jurídico se há impedimento para eliminação e, se não houver, execução do descarte com registro no próximo ciclo
- Política desatualizada: revisão da política para refletir mudanças na legislação ou na operação da empresa desde a última versão
Não conformidades sem plano de ação e sem acompanhamento são problemas que se repetem. A auditoria só gera valor quando os achados são convertidos em melhoria documentada.
Sinais de que a guarda de documentos da sua empresa precisa de auditoria
Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, a auditoria provavelmente vai revelar não conformidades relevantes que precisam de ação.
- A política de guarda existe mas nunca foi verificada se está sendo seguida — foi definida e comunicada, mas ninguém monitorou a adesão.
- Em uma revisão rápida do arquivo, foram encontrados documentos fora do lugar, duplicados ou sem identificação adequada.
- Documentos que deveriam existir (contratos ativos, documentos fiscais recentes) não foram encontrados quando necessário.
- Não há registro de descartes anteriores — não se sabe o que foi eliminado, quando e com qual autorização.
- Diferentes áreas seguem critérios diferentes, sem unificação pela política corporativa.
- A última revisão formal do arquivo foi há mais de 2 anos ou nunca aconteceu.
- Houve saída de pessoa-chave que "sabia onde estava tudo" e ninguém mapeou o que ela mantinha.
Caminhos para auditar a gestão de documentos da sua empresa
A auditoria básica pode ser conduzida internamente com o roteiro deste artigo. O apoio especializado faz sentido para escopo amplo, múltiplas áreas ou necessidade de relatório formal para a direção ou para compliance.
Conduzir a auditoria com o gerente ou analista administrativo, usando o roteiro deste artigo e o apoio do contador para os achados sobre prazos de guarda.
- Perfil necessário: analista ou gerente administrativo com conhecimento da política de guarda, capacidade de realizar amostragem estruturada e de documentar e acompanhar plano de ação.
- Tempo estimado: de 2 a 4 semanas para uma auditoria de escopo médio (3 a 5 categorias de documentos); mais tempo para escopo amplo.
- Faz sentido quando: escopo limitado, política já existente para verificar conformidade e capacidade interna para executar e documentar os achados.
- Risco principal: viés do auditor interno — quem está próximo da operação tende a normalizar os desvios que vê cotidianamente.
Contratar Consultoria Documental, BPO Documental ou Assessoria Jurídica/Contábil para conduzir a auditoria com metodologia formal e emitir relatório com achados e recomendações.
- Tipo de fornecedor: Consultoria Documental, BPO Documental, Assessoria Jurídica/Contábil.
- Vantagem: olhar externo sem viés, metodologia estruturada, relatório formal com benchmark de conformidade e recomendações priorizadas.
- Faz sentido quando: escopo amplo com múltiplas áreas, necessidade de relatório para direção ou conselho, integração com programa de compliance ou auditoria interna formal.
- Resultado típico: relatório de não conformidades com plano de ação priorizado entregue em 3 a 6 semanas, dependendo do escopo.
Precisa de apoio para auditar e melhorar a gestão de documentos da sua empresa?
Se conduzir uma auditoria estruturada da gestão documental é prioridade, o oHub conecta a sua empresa, de forma gratuita, a fornecedores de Consultoria Documental, BPO Documental e Assessoria Jurídica/Contábil. Em menos de 3 minutos você descreve a necessidade e recebe propostas, sem compromisso.
Encontrar fornecedores de Gestão no oHub
Sem custo, sem compromisso. Você recebe propostas e decide se e com quem avançar.
Perguntas frequentes
O que verificar em uma auditoria de gestão de documentos?
Seis dimensões: existência (os documentos que deveriam existir existem?), organização (estão no lugar certo, com a nomenclatura correta?), prazo de guarda (estão dentro do prazo — nem menos nem mais?), descarte (os descartes anteriores foram autorizados e registrados?), acesso (documentos acessíveis para quem precisa e protegidos de quem não deveria ter acesso?) e segurança (documentos com dados pessoais com acesso controlado?).
Como saber se a política de guarda de documentos está sendo seguida?
Através de amostragem periódica: selecionar uma parte representativa dos documentos de cada categoria e comparar com o que a política define. As diferenças encontradas são as não conformidades. Sem auditoria periódica, não há como saber se a política está sendo seguida — a existência da política no papel não garante a adesão na operação.
Com que frequência auditar o arquivo da empresa?
Como referência de mercado, a auditoria anual é o mínimo aceitável para a maioria das categorias. Categorias com maior risco (fiscal, trabalhista) podem justificar revisão semestral. A frequência adequada depende do volume, do perfil de risco e dos resultados das auditorias anteriores — empresas que auditam com mais frequência tendem a encontrar não conformidades menores e mais fáceis de corrigir.
Quem deve conduzir a auditoria de documentos na empresa?
Na pequena empresa, o próprio gestor com o contador. Na média, o gerente administrativo com apoio do contador e do jurídico. Na grande, a auditoria interna ou área de compliance com metodologia formal. O apoio externo especializado faz sentido quando é necessário olhar independente, escopo amplo ou relatório para a direção.
Quais os indicadores de uma auditoria de arquivo?
Os principais indicadores produzidos por uma auditoria de arquivo são: taxa de conformidade por categoria (percentual de documentos verificados que estão de acordo com a política), número de não conformidades por tipo (existência, organização, prazo, descarte, acesso), percentual de documentos com prazo vencido ainda no acervo e percentual de descartes do período com registro formal. Cada indicador revela um tipo específico de falha na gestão documental.
Fontes e referências
- Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ). Orientações para avaliação e destinação de documentos arquivísticos. Arquivo Nacional, gov.br/arquivonacional.
- Sebrae. Como verificar se os documentos da sua empresa estão em ordem. Portal Sebrae, sebrae.com.br.