Como este tema funciona no porte da sua empresa
A solução mais adequada costuma ser um serviço SaaS de GED com plano acessível, fácil de configurar e com suporte em português. Funcionalidades avançadas como workflow complexo e integração com ERP raramente são prioritárias neste porte. O critério principal é adoção: a equipe vai usar no dia a dia?
A escolha envolve avaliar capacidade de integração com o ERP existente, workflows de aprovação configuráveis, controle granular de permissões e conformidade com a LGPD. Comparar ao menos três fornecedores com proposta formal e demonstração personalizada é o mínimo recomendável.
Processo formal de seleção com critérios técnicos, funcionais e de segurança. Avaliação de roadmap do fornecedor, SLA de disponibilidade, certificações de segurança, capacidade de suporte e experiência no setor. Frequentemente envolve TI, jurídico e gestão administrativa na avaliação.
Escolher uma solução de GED é o processo de selecionar o sistema de Gestão Eletrônica de Documentos mais adequado ao perfil da empresa, considerando critérios funcionais, técnicos, de segurança e de custo total — não apenas o preço da licença. A escolha correta parte do diagnóstico das necessidades reais da empresa (tipos documentais, volume, integrações, conformidade) e avalia os fornecedores com base nesses critérios, não no inverso.
Por que definir os critérios antes de avaliar os fornecedores
A maioria dos projetos de GED que terminam com o sistema inutilizado cometeu um erro na origem: começou pela demonstração do fornecedor em vez de pelo diagnóstico interno. O fornecedor apresenta o sistema que tem — e o gestor adapta os requisitos ao que viu, em vez de avaliar se o sistema atende os requisitos reais da empresa.
O processo correto inverte essa ordem: primeiro o gestor documenta o que a empresa precisa — tipos documentais, volume, integrações necessárias, requisitos de conformidade, perfil da equipe, orçamento — e só então avalia os fornecedores contra esses critérios. A demonstração serve para validar o que já foi definido, não para descobrir o que a empresa precisa.
Para a pequena empresa, o diagnóstico pode ser feito em uma tarde: listar os principais tipos documentais, estimar o volume atual, identificar se há necessidade de integração com algum sistema existente e definir o orçamento disponível. Para a média e a grande empresa, o diagnóstico envolve representantes das áreas usuárias e pode levar algumas semanas.
Os seis critérios para escolher o GED certo
A seleção de um GED bem fundamentada avalia seis dimensões — cada uma com peso diferente conforme o porte e o perfil da empresa.
Critério 1 — Funcionalidades essenciais. A lista de funcionalidades que o sistema precisa ter é construída a partir do diagnóstico: indexação e busca por metadados, controle de versão, controle de acesso por perfil, workflow de aprovação, OCR para digitalização de documentos físicos, configuração de prazo de guarda. Funcionalidades "desejáveis" — que a empresa pode querer no futuro mas não precisa agora — não devem eliminar um fornecedor, mas também não devem ser o critério de escolha.
Critério 2 — Modelo de implantação. A escolha entre SaaS em nuvem e on-premise tem impacto direto no custo, na responsabilidade de manutenção e no perfil de TI necessário. Ver tabela comparativa abaixo.
Critério 3 — Integração com outros sistemas. Para a média e a grande empresa, a integração com o ERP é frequentemente o critério mais crítico — e o que mais surpreende no custo quando não é avaliado antes. Verificar se o fornecedor oferece API documentada, se há conector pronto para o ERP utilizado e qual é o custo de desenvolvimento e manutenção da integração.
Critério 4 — Segurança e conformidade. Verificar as certificações de segurança do fornecedor — ISO 27001 é a referência de mercado para gestão da segurança da informação —, a política de backup e recuperação de dados, onde os dados ficam armazenados (território nacional ou exterior) e como o sistema suporta a conformidade com a LGPD: log de acessos, controle de acesso por perfil e gestão de prazos de retenção.
Critério 5 — Usabilidade e adoção. O melhor sistema do mercado fracassa se a equipe não o usa. Avaliar a interface com o perfil real dos usuários — não com o gestor de TI —, verificar se há treinamento incluído na implantação e como é o suporte em português com tempo de resposta aceitável.
Critério 6 — Custo total de propriedade. O preço da licença ou da assinatura mensal é apenas uma parte do custo. O custo total inclui implantação, configuração, treinamento, integração com outros sistemas, digitalização do acervo físico quando aplicável e suporte recorrente. Solicitar o custo do primeiro ano completo — não só a assinatura mensal — é a base para uma comparação honesta entre fornecedores.
SaaS em nuvem ou on-premise: estrutura de custo e responsabilidades
A escolha do modelo de implantação define não apenas o custo inicial, mas a estrutura de responsabilidades ao longo da vida do sistema.
| Critério | SaaS em nuvem | On-premise |
|---|---|---|
| Custo inicial | Baixo — assinatura mensal por usuário ou por volume | Alto — licença perpétua, servidores, implantação |
| Custo recorrente | Assinatura previsível e contínua | Manutenção, suporte e atualizações (menor que SaaS ao longo do tempo) |
| Manutenção e atualizações | Responsabilidade do fornecedor | Responsabilidade da empresa (com TI interno ou contratado) |
| Controle sobre os dados | Dados nos servidores do fornecedor — verificar localização e SLA | Dados na infraestrutura da empresa — controle total |
| Requisito de TI | Mínimo — configuração e administração sem infraestrutura própria | TI interno ou MSP para manter servidores, backups e atualizações |
| Perfil recomendado | Pequena e média empresa; empresa sem equipe de TI dedicada | Grande empresa com TI estruturado ou com exigência regulatória de dados em servidores próprios |
Como conduzir uma demonstração de GED de forma eficaz
A demonstração eficaz é aquela em que o fornecedor mostra o sistema executando cenários reais da empresa — não o roteiro padrão de vendas. A diferença entre os dois é o que separa uma avaliação real de uma impressão favorável que não se sustenta na operação.
Antes da demonstração, o gestor deve preparar de três a cinco cenários concretos para solicitar ao fornecedor: "mostre como indexo e busco este tipo de documento", "mostre como configuro o workflow de aprovação de contrato com dois aprovadores", "mostre o log de acessos de um documento", "mostre como configuro o prazo de guarda desta categoria e o que acontece quando vence".
Perguntas obrigatórias ao vendedor durante a demonstração:
- O que está incluído no preço apresentado e o que é cobrado separado (implantação, integração, treinamento)?
- Qual é o SLA de disponibilidade do sistema e como funciona o suporte quando há indisponibilidade?
- Se precisar migrar para outro sistema no futuro, como funciona a exportação dos dados e em qual formato?
- Quais integrações com ERPs estão prontas e qual é o custo de integração com o ERP que usamos?
- Onde ficam armazenados os dados e quais certificações de segurança o serviço tem?
A armadilha mais comum na avaliação de GED é escolher com base no preço da licença, ignorando os custos de implantação e integração — que em muitos projetos superam a licença do primeiro ano. A segunda armadilha é selecionar pelo excesso de funcionalidades que a empresa não vai usar nos próximos anos, pagando por recursos que nunca saem do papel.
Avaliar de duas a três soluções SaaS com teste gratuito ou período de demonstração. O processo de seleção pode ser conduzido pelo gestor administrativo sem necessidade de comitê formal. O critério decisivo é: a equipe consegue usar sem treinamento extenso?
Comparar ao menos três fornecedores com proposta formal incluindo todos os custos do primeiro ano. Envolver TI na avaliação técnica de integração e segurança. Solicitar referências de empresas de porte e segmento similares.
Processo formal de seleção com critérios documentados, comitê de avaliação (administrativo, TI, jurídico) e pontuação estruturada por critério. Avaliação de roadmap do fornecedor, histórico de atualizações e solidez financeira da empresa fornecedora.
Sinais de que sua empresa precisa revisar o processo de seleção do GED
Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, o processo de seleção do GED provavelmente não está estruturado de forma a garantir a escolha mais adequada.
- A empresa avaliou fornecedores de GED mas não tem critérios claros para comparar as propostas recebidas.
- O sistema de GED atual não cobre as funcionalidades que a empresa precisa, mas a troca nunca foi formalizada.
- A escolha do GED anterior foi feita pelo preço e o sistema nunca foi efetivamente adotado pelo time.
- A empresa não sabe se precisa de GED simples ou de uma plataforma ECM completa.
- O projeto de GED está parado porque ninguém definiu os critérios de seleção e quem é o responsável pela decisão.
- O custo total do projeto — incluindo implantação, integração e treinamento — nunca foi calculado antes de aprovar o orçamento.
Caminhos para avaliar e selecionar a solução de GED
Há dois caminhos para conduzir a seleção do GED, e a escolha depende da complexidade do projeto, do porte da empresa e da disponibilidade de capacidade interna para conduzir a avaliação.
Conduzir a seleção com o time administrativo e de TI, usando os critérios estruturados neste artigo como roteiro de avaliação.
- Perfil necessário: analista administrativo para liderar a avaliação funcional e analista de TI para avaliar os critérios técnicos de integração, segurança e infraestrutura.
- Tempo estimado: de 4 a 8 semanas para diagnóstico, levantamento de fornecedores, demonstrações e decisão final.
- Faz sentido quando: a empresa tem equipe com capacidade de conduzir a avaliação, o volume de documentos e o orçamento são compatíveis com solução SaaS padrão e as integrações são simples.
- Risco principal: avaliação técnica de integração e segurança incompleta sem envolvimento de TI.
Contratar consultoria independente para conduzir a seleção, especialmente para projetos de maior porte ou complexidade técnica.
- Tipo de fornecedor: GED/ECM, Consultoria em Gestão Documental, TI (Infraestrutura e Sistemas).
- Vantagem: critérios de avaliação definidos de forma independente dos fornecedores, experiência com múltiplos sistemas e projetos de referência para comparação.
- Faz sentido quando: o projeto envolve integração com múltiplos sistemas, a empresa precisa de RFP formal ou o volume e a complexidade justificam apoio especializado para evitar uma escolha equivocada.
- Resultado típico: seleção concluída em 6 a 10 semanas com critérios documentados, proposta negociada e contrato revisado.
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Perguntas frequentes
Quais critérios usar para escolher um GED?
Os seis critérios principais são: funcionalidades essenciais para o perfil da empresa (indexação, controle de versão, workflow, permissões, OCR); modelo de implantação (SaaS em nuvem ou on-premise); capacidade de integração com os sistemas existentes (ERP, RH, assinatura eletrônica); segurança e conformidade (certificações, LGPD, localização dos dados); usabilidade e suporte para o time; e custo total do primeiro ano, não apenas a licença.
GED em nuvem ou on-premise: qual escolher?
Para pequena e média empresa sem equipe de TI dedicada, o SaaS em nuvem é a escolha mais prática: custo inicial baixo, manutenção responsabilidade do fornecedor e acessível de qualquer lugar. O on-premise faz sentido para grande empresa com TI estruturado, exigência regulatória de dados em servidores próprios ou modelo de custo que favorece investimento inicial em vez de assinatura recorrente.
Como avaliar um fornecedor de GED?
A avaliação eficaz parte de critérios documentados antes da demonstração. Na demonstração, solicitar que o fornecedor execute cenários reais da empresa — não o roteiro padrão. Perguntas obrigatórias: o que está incluído no preço, qual é o SLA de suporte, como funciona a exportação de dados, quais integrações estão prontas e onde ficam os dados armazenados. Pedir referências de empresas de porte similar é recomendável.
Quanto custa um sistema de GED?
O custo varia conforme o porte da empresa, o modelo de implantação e o escopo do projeto. Para pequena empresa, soluções SaaS têm planos mensais por usuário acessíveis. Para média empresa, o custo total do primeiro ano inclui assinatura, implantação, configuração de workflows e integração com ERP — que costuma superar o custo da licença isolada. Para grande empresa, projetos de ECM têm custo significativo de implementação além da licença. Solicitar sempre o custo total do primeiro ano é essencial para comparar propostas de forma justa.
O que pedir numa demonstração de GED?
Solicitar ao fornecedor que demonstre cenários reais da empresa: como indexar e buscar um documento específico, como configurar um workflow de aprovação com dois aprovadores, como visualizar o log de acessos de um documento, como configurar o prazo de guarda de uma categoria e o que acontece quando vence. Evitar aceitar apenas o roteiro padrão de demonstração do fornecedor — ele mostra os pontos fortes, não os pontos de atenção para o perfil da empresa.
Fontes e referências
- Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ). e-ARQ Brasil: Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos. CONARQ.