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Anexos do Simples Nacional explicados para gestores

Compreenda os anexos do Simples Nacional e como eles afetam o que a empresa paga.
Atualizado em: 01 de junho de 2026
Neste artigo: Como este tema funciona no porte da sua empresa Por que os anexos existem e qual é a lógica deles Os cinco anexos: perfil de atividade e características principais Como o anexo afeta o que a empresa paga O que o gestor precisa monitorar sobre o enquadramento Sinais de que sua empresa precisa verificar o enquadramento no Simples Caminhos para verificar e manter o enquadramento correto nos anexos Precisa de apoio para verificar se o enquadramento no Simples Nacional está correto para a atividade da sua empresa? Perguntas frequentes O que são os anexos do Simples Nacional? Quantos anexos existem no Simples Nacional? Qual anexo minha empresa se enquadra? Como os anexos afetam o valor que a empresa paga de imposto? O que é o Fator R e em qual anexo ele se aplica? Fontes e referências
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Como este tema funciona no porte da sua empresa

Pequena (até 50 funcionários)

O contador define o anexo na abertura da empresa e o gestor raramente questiona. Entender a lógica dos anexos ajuda a perceber se a atividade está enquadrada corretamente e a antecipar o impacto no DAS quando a empresa inclui novos serviços ou produtos no CNAE.

Média (51–500 funcionários)

Quando a empresa diversifica atividades, pode surgir enquadramento em mais de um anexo. O gestor financeiro precisa entender qual anexo se aplica a cada tipo de receita e como isso afeta o cálculo do DAS. Mudanças de mix de atividade precisam ser comunicadas ao contador antes de serem registradas no CNAE.

Grande (+500 funcionários)

Em geral fora do Simples, mas o tema é relevante para o gestor de grupo que tem subsidiárias menores enquadradas no regime. Cada CNPJ do grupo que está no Simples tem seu próprio enquadramento de anexo — e mudanças de atividade em qualquer uma delas precisam ser acompanhadas.

Os anexos do Simples Nacional são as cinco tabelas que organizam os tipos de atividade econômica em grupos com lógicas de tributação diferentes. Cada anexo tem sua própria estrutura de alíquotas progressivas por faixa de receita bruta acumulada. O tipo de atividade da empresa — definido pelo CNAE registrado no CNPJ — determina em qual anexo ela se enquadra, o que define diretamente o quanto ela paga de tributos no DAS mensal.

Por que os anexos existem e qual é a lógica deles

Os anexos existem porque diferentes tipos de atividade têm estruturas econômicas muito distintas — margens, intensidade de mão de obra, insumos, cadeia de valor. Um comércio varejista opera com margens menores e volume de mercadoria tributada; uma empresa de serviços de tecnologia opera com margem alta e pouco insumo físico. Uma única tabela de alíquotas para todos resultaria em distorções: alguns setores pagariam muito mais do que seria razoável, outros muito menos.

A solução foi criar cinco anexos, cada um calibrado para um perfil de atividade. Cada anexo tem sua tabela própria de alíquotas, que cresce progressivamente conforme a faixa de faturamento acumulado. O resultado é que duas empresas com o mesmo faturamento podem ter DAS com valores bem diferentes — porque estão em anexos distintos.

Para o gestor, entender a lógica dos anexos é entender por que o DAS tem o valor que tem e o que muda se a empresa incluir ou mudar uma atividade.

Os cinco anexos: perfil de atividade e características principais

A tabela a seguir apresenta os cinco anexos em nível conceitual. As alíquotas e faixas de faturamento não estão incluídas — mudam com frequência por lei complementar e devem ser consultadas no Portal do Simples Nacional ou com o contador.

Anexo Perfil de atividade Lógica de tributação CPP incluso no DAS Fator R se aplica
Anexo I Comércio em geral (varejo, atacado) Alíquota progressiva sobre receita bruta; carga calibrada para margens do comércio Sim Não
Anexo II Indústria (fabricação, transformação) Alíquota progressiva com carga um pouco acima do comércio, refletindo o IPI incluso Sim Não
Anexo III Serviços com menor carga tributária; inclui locação de bens e algumas atividades intelectuais Alíquota progressiva; carga menor que o Anexo V; empresas do Anexo V com Fator R favorável migram para este Sim Sim — empresa do Anexo V com Fator R favorável é tributada pelo Anexo III
Anexo IV Serviços com tributação diferenciada: construção civil, vigilância, limpeza, obras Alíquota progressiva; CPP não incluso no DAS — o INSS patronal é recolhido separadamente Não Não
Anexo V Serviços com carga tributária mais alta: atividades intelectuais, consultoria, engenharia Alíquota progressiva mais alta; empresas com Fator R favorável migram para o Anexo III Sim Sim — empresa com Fator R favorável é tributada pelo Anexo III

O Anexo IV é o que mais exige atenção do gestor: como a CPP não está inclusa no DAS, o INSS patronal precisa ser calculado e pago separadamente, como nas empresas dos outros regimes. Muitos gestores de empresas no Anexo IV não percebem esse detalhe e subvalorizam a carga tributária real do regime.

Como o anexo afeta o que a empresa paga

O anexo determina qual tabela de alíquotas progressivas se aplica à empresa. Dentro de cada tabela, a faixa em que a empresa está é definida pela receita bruta acumulada dos últimos 12 meses. A alíquota efetiva — que é o percentual realmente aplicado sobre a receita do mês — resulta de uma fórmula que combina a alíquota nominal da faixa com uma parcela de dedução fixa.

Na prática, isso significa que duas empresas com o mesmo faturamento mensal podem pagar DAS muito diferentes se estiverem em anexos distintos. Uma empresa de comércio (Anexo I) e uma empresa de consultoria (Anexo V) com a mesma receita bruta acumulada terão alíquotas efetivas diferentes — e a do Anexo V é maior.

Por isso, quando a empresa inclui uma nova atividade — passa a prestar um serviço além de vender um produto, por exemplo —, o gestor precisa verificar com o contador como isso afeta o enquadramento. Atividades mistas podem resultar em aplicação de dois anexos sobre proporções diferentes da receita.

O que o gestor precisa monitorar sobre o enquadramento

O enquadramento no anexo correto é responsabilidade do contador, mas o gestor tem um papel operacional importante: manter o contador informado sobre qualquer mudança que possa afetar o CNAE registrado ou o mix de receitas.

  1. CNAE principal e secundários: o CNAE registrado no CNPJ deve refletir com precisão as atividades reais da empresa. CNAEs incorretos ou desatualizados levam a enquadramento errado no Simples — e podem gerar passivo fiscal.
  2. Inclusão de novas atividades: antes de incluir um novo serviço ou produto, verificar com o contador qual CNAE se aplica e se ele enquadra a empresa num anexo diferente do atual.
  3. Faturamento acumulado por tipo de atividade: quando a empresa tem receita de mais de um tipo de atividade, o DAS pode ser calculado com alíquotas diferentes para cada parcela da receita. O gestor precisa manter o registro separado da receita por tipo de atividade para que o contador calcule corretamente.
  4. Fator R para atividades dos Anexos III e V: para empresas de serviços, acompanhar a relação folha/receita bruta é fundamental — ela determina se a empresa é tributada pelo Anexo III ou pelo Anexo V. Ver o artigo específico sobre o Fator R para o detalhe desse mecanismo.

Sinais de que sua empresa precisa verificar o enquadramento no Simples

Se você se reconhece em três ou mais cenários abaixo, o enquadramento nos anexos merece revisão com o contador.

  • O gestor não sabe em qual anexo do Simples a empresa está enquadrada.
  • A empresa incluiu uma nova atividade no CNAE sem verificar se muda o anexo.
  • O DAS subiu de forma inesperada sem que o contador tenha explicado o motivo.
  • A empresa presta serviços e nunca verificou se o Fator R poderia enquadrá-la num anexo mais vantajoso.
  • A empresa tem receita de mais de um tipo de atividade, mas o DAS é calculado como se fosse uma só.
  • A empresa está no Anexo IV e não sabia que o INSS patronal é recolhido separadamente do DAS.

Caminhos para verificar e manter o enquadramento correto nos anexos

O enquadramento correto depende da colaboração entre o gestor (que conhece as atividades da empresa) e o contador (que aplica as regras do Simples). Cada um tem um papel distinto.

Monitoramento interno

O gestor verifica o CNAE registrado, mantém o registro separado de receita por tipo de atividade e informa o contador antes de qualquer mudança de atividade ou inclusão de novo CNAE.

  • Perfil necessário: gestor administrativo com acesso ao CNPJ e ao faturamento separado por tipo de receita.
  • Tempo estimado: verificação pontual a cada mudança de atividade; revisão anual com o contador.
  • Faz sentido quando: a empresa tem atividade estável e o enquadramento é simples (um único CNAE e um único anexo).
  • Risco principal: não comunicar ao contador mudanças de atividade antes de registrá-las no CNPJ.
Com apoio especializado

Qualquer revisão de enquadramento, questionamento de CNAE ou análise de impacto de nova atividade exige contador com experiência no Simples Nacional.

  • Tipo de fornecedor: Contabilidade, Consultoria Tributária.
  • Vantagem: conhecimento das atividades vedadas, das regras de receita mista e do Fator R aplicado a cada atividade específica.
  • Faz sentido quando: a empresa tem atividades mistas, está em dúvida sobre o anexo correto ou quer verificar se o Fator R está sendo aplicado.
  • Resultado típico: confirmação ou correção do enquadramento e orientação sobre como registrar novas atividades sem gerar passivo fiscal.

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Perguntas frequentes

O que são os anexos do Simples Nacional?

São as cinco tabelas que organizam os tipos de atividade econômica em grupos com lógicas de tributação diferentes. Cada anexo tem sua própria estrutura de alíquotas progressivas por faixa de receita bruta acumulada. O CNAE registrado no CNPJ da empresa determina em qual anexo ela se enquadra.

Quantos anexos existem no Simples Nacional?

Atualmente são cinco anexos: Anexo I (comércio), Anexo II (indústria), Anexo III (serviços com carga menor), Anexo IV (serviços com CPP recolhida separadamente, como construção civil e limpeza) e Anexo V (serviços com carga mais alta, onde o Fator R pode migrar para o Anexo III).

Qual anexo minha empresa se enquadra?

O enquadramento depende do CNAE registrado no CNPJ e do tipo de atividade principal da empresa. A definição correta do anexo é responsabilidade do contador. A lista de atividades por anexo está disponível no Portal do Simples Nacional, na Receita Federal.

Como os anexos afetam o valor que a empresa paga de imposto?

Cada anexo tem uma tabela própria de alíquotas progressivas. A alíquota efetiva é calculada com base na faixa de receita bruta acumulada nos últimos 12 meses dentro do anexo correspondente. Duas empresas com o mesmo faturamento podem pagar DAS com valores muito diferentes se estiverem em anexos distintos.

O que é o Fator R e em qual anexo ele se aplica?

O Fator R é a relação entre a folha de pagamento (incluindo pró-labore) e a receita bruta dos últimos 12 meses. Ele se aplica a empresas dos Anexos III e V: quando o percentual da folha em relação à receita supera o limiar definido na legislação, a empresa de serviços é tributada pelo Anexo III (carga menor) em vez do Anexo V (carga maior).

Fontes e referências

  1. Receita Federal do Brasil. Tabelas do Simples Nacional — Anexos I a V. Portal do Simples Nacional — simples.receita.fazenda.gov.br. Disponível em: receita.fazenda.gov.br.
  2. Sebrae. Entenda os anexos do Simples Nacional. Portal Sebrae — sebrae.com.br.